segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O PRINCÍPIO DO FIM



William L. Krewson

O cenário está posto e os aconteci­mentos na Terra são dirigidos pelo céu. Apocalipse cap.4 contém a visão re­gistrada do apóstolo João sobre a sala do trono nos céus, de onde se desdo­bram os planos de Deus para Seu Rei­no terreno. Louvor contínuo é ofereci­do para o supremamente santo Deus, cujos direitos como Criador estão próximos de serem revelados. 


O LIVRO SELADO (APOC.5:11 -14) 


A cena enfoca um livro que nin­guém é capaz de abrir, que está sendo segurado pela mão direita de Deus. Ele contém o relato escrito do programa de Deus para recuperar a terra amaldi­çoada pelo pecado e estabelecer Seu reino de paz e justiça.

Somente uma pessoa surge como sendo digna de tomar o livro e abrir seus selos: “o Leão da Tribo de Judá, a Raiz de Davi" (Ap 5.5). A referência é a Jesus, o Messias, o único que é digno de tomar o livro do plano mestre de Deus para o destino final da Terra e de abrir os ­sete selos que o fecham. A morte sacrificial de Jesus proporcionou a base para a expressão do juízo final que Deus conduzirá na história hu­mana, como será descrito adiante no Livro de Apocalipse.

João estabeleceu o palco e depois enfocou o livro. Esta cena mostra Cris­to quebrando os sete selos de cera que protegem a mensagem escrita em am­bos os lados - uma mensagem de juízo para os pecadores e de bênção para o povo de Deus. Cada selo representa um juízo diferente. Os quatro primei­ros selos são uma unidade e mostram quatro cavaleiros cavalgando por toda a terra, ecoando Zacarias 1.8-10 e Za­carias 6.1-8.

"Os selos restantes revelam cenas mais amplas da ira de Deus, que colo­ca o mundo sob juízo por sete anos de devastação, acabando com a vida na Terra, do modo como a conhecemos. Apenas depois deste evento é que a terra será preparada para o retorno do Messias de Deus, quando os crentes "reinarão sobre a terra" (Ap 5.10). 


PRIMEIRO SELO:O ANTICRISTO (APOC. 6:1-2) 
 
O primeiro cavaleiro vem em um cavalo branco. Diferentemente de Apocalipse 19.11, em que o cavaleiro é Jesus Cristo, neste contexto o cavaleiro é o Anticristo. Seu papel como con­quistador é compatível com a descri­ção que o Antigo Testamento faz do rei do final dos tempos que conquista seus rivais para estabelecer sua própria autoridade iníqua (Dn 7.8,20-25). 


SEGUNDO SELO: A GUERRA (APOC. 6:3-4) 


Batalhas mundiais estouram- como é simbolizado pelo cavaleiro em um cavalo vermelho. As pessoas matarão umas às outras em guerras e violência, marcando o início do período final da história do mundo. 


TERCEIRO SELO: FOME (APOC. 6:5-6) 


Um cavalo preto surge com um ca­valeiro segurando uma balança, que simboliza o preço inflacionado dos ali­mentos como resultado da fome cau­sada pelas batalhas em larga escala do segundo selo. 


QUARTO SELO: A MORTE (APOC. 6:7-8) 


A seguir vem um cavalo pálido, amarelo, "sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo" (Ap 6.8). Ele anuncia a destruição de um quarto da população do mundo por causa do efeito cumulativo da guerra, da pobre­za e da fome. Além disso, animais selvagens estarão soltos, aumentando a carnificina humana.

Hoje a população do mundo é de cerca de 7 bilhões. Imagine a morte súbita de mais de 2 bilhões de pesso­as, as populações atuais da China e da Índia juntas; é algo incrivelmente amedrontador. Este é somente o iní­cio do juízo de Deus para o mundo decaído, em preparação para Seu Rei­no vindouro. 


QUINTO SELO: MARTÍRIO (APOC. 6:9-11)


Aqui a cena muda da Terra para o céu, à medida que as vozes dos márti­res da Tribulação, em estado incorpó­reo, clamam a Deus por vingança. Esta a cena é tanto encorajadora quanto grave. Ela revela que a Tribulação produ­zirá muitos crentes em Jesus Cristo, mas também que muitos deles serão mortos por causa de sua fé.

Esses crentes refletem o desejo pela justiça de Deus: "Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro. Não julgas, o nem vingas o nosso sangue dos que ha­bitam sobre a terra?" (v. 10). Deus fala a nós todos: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; por­que está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rom. 12:19)



O SEXTO SELO: CATÁSTROFES PLANETÁRIAS (APOC. 6:12-14)


A terra e o céu começam a reagir à mão de juízo de Deus. Um poderoso terremoto rearranja as montanhas e as ilhas em conjunto com catastróficas perturbações solares e lunares, à medi­da que Deus abala os céus e a terra (cf. Ag 2.21; Hb 12.26). João usou de lin­guagem não-científica para descrever as trevas do Sol, a vermelhidão da Lua e a queda das estrelas: "Sobreveio gran­de terremoto. O sol se tornou negro co­mo saco de crina, a lua toda, como san­gue, as estrelas do céu caíram pela ter­ra, como a figueira, quando abalada por vento forte" (Ap 6.12-13).

Ele descreveu a aparência destes corpos celestes como resultado dos quatro primeiros selos e de seus efeitos pai destrutivos sobre a atmosfera. A Escritura do Antigo Testamento também revela o severo juízo de Deus por meio de perturbações cósmicas (Êx 10.21-  23; 1s 13.9 10; 1s 34.4; 51.6; Ez 32.7-8;  Jl 2.2,31; Jl 3.16; Am 8.9; Sf 1.14-15). Jesus citou Sofonias quando disse: "Logo em seguida à Tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão ser abalados" (Mt 24.29).

Neste ponto, o terror tomará conta dos líderes mundiais, que ficarão impotentes para impedir essas calamidades. A humanidade tentará em vão es­conder-se da ira do Cordeiro, "porque  chegou o grande Dia da ira deles" (Ap 6.16-17). A humanidade testemunhou breves explosões da ira de Deus, tais como aquela quando Ele destruiu Sodoma e Gomorra por causa do pecado dessas cidades (Gn 18.20; Gn 19.24-25), e quando Ele executou Ananias e Safira porque mentiram (At 5.5-10).  

Mas, como a atitude de paciência de Deus predomina, freqüentemente nos esquecemos de Seu atributo de justiça. As Escrituras são claras ao afirmar que Deus é tanto misericordioso quanto justo. Seu amor e Sua misericórdia nunca amainam a Sua ira: "O Senhor é Deus zeloso e vingador. O Senhor é vingador e cheio de agi ira; o Senhor toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação do para os seus inimigos" (Naum 1.2). O tema da ira de Deus começa em Apocalipse 4 e continua por todo o livro na (Ap 11.18; Ap 14.10,19; Ap 15.1,7;  Ap 16.1,19; Ap 19.15).

Os crentes em Cristo têm a pro­messa de completo livramento da ira de Deus na Terra e do eterno Lago de Fogo: "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salva­ção mediante nosso Senhor Jesus Cristo" (lTs 5.9), ': .. que nos livra da ira vin­doura" (l Ts 1.10). Agora os pecadores estão acumulando contra eles mesmos "ira para o dia da ira e da revelação do juízo de Deus" (Rm 2.5).

Um dia Deus liquidará todos os pecados que os incrédulos deposita­ram em suas contas. Aqueles que en­trarem na Tribulação de sete anos sentirão a ira de Deus de maneira sem paralelo, culminando com a sen­tença de punição eterna no Lago de Fogo (Ap 20.15). 


SÉTIMO SELO: SILÊNCIO (APOC. 8:1) 


Depois de um interlúdio no qual o apóstolo João descreveu os 144 mil is­raelitas "servos do nosso Deus", que fo­ram selados (Ap 7.1-8) e a grande multidão no céu (Ap 7.9-17), o selo fi­nal é aberto. Em vez de conter uma descrição de juízo, o resultado é:

"Houve silêncio no céu cerca de meia hora" (Ap 8.1).

O sétimo selo reflete o descanso do shabbath na semana da criação, mas em um contexto completamente diferente. Após a criação, tudo na ter­ra de Deus "era muito bom" (Gn 1.31); agora, tudo na Terra está longe de ser bom. O planeta inteiro estará sofren­do sob a maldição do pecado e do de­creto da ira de Deus. O silêncio é uma pausa antes do derramamento adicio­nal da ira de Deus através das sete trombetas. (Israel My Glory) 

William L. Krewson é o diretor do Programa A Bíblia e Israel no Universidade Bíblica Filadélfia em Longhorne, Pennsylvania, EUA.



O DIA DO SENHOR



OS CRISTÃOS DE TESSALÔNICA E O DIA DO SENHOR

Não é impressionante e até embaraçoso para nós vermos o quanto os cristãos de Tessalônica, tão novos na fé, já sabiam acerca do Dia do Senhor? Provavelmente eles foram ensinados em alguns poucos sábados pelo apóstolo Paulo e por Timóteo. Devido ao começo da perseguição (incitada por judeus invejosos), Paulo teve de partir (Atos 17.5 ss.). Lemos, por exemplo: "Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite" (l Tes 5.1-2). Qual seria o resultado de um questionário distribuído a todas as igrejas? Se cada membro tivesse de explicar o que é o Dia do Senhor, quais seriam as respostas? Infelizmente, o inimigo conseguiu levar o cristianismo a se fixar no aqui e agora. A época dos tessalonicenses era diferente. Os cristãos macedônios teriam respondido muito bem essa pergunta. 

Paulo lembra a seus leitores a grande diferença que haverá um dia: "Quando andarem dizendo: paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição como vem as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão" (l Tes 5.3). De repente, inesperadamente para a humanidade em geral, o juízo divino se abaterá sobre o mundo como ondas se sucedendo na areia da praia. As pessoas serão muito religiosas e adorarão a imagem do Anticristo, como Apocalipse 6-19 relata detalhadamente (os juízos dos sete selos, das sete trombetas, dos sete flagelos). Como "um ladrão de noite" e como "dores de parto de uma mulher grávida” esses juízos se abaterão repentinamente sobre a terra. Ninguém conseguirá escapar. Os homens preferirão morrer a enfrentar a ira do Cordeiro (Ap 6.15-17). 

“... chegou o grande Dia da ira deles” ("daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro", v. 16); e quem é que pode suster-se?"(Ap 6.17). Só haverá duas opções. Reconhecemos nitidamente a diferença entre “os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre ... " e os salvos: "porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele" (l Tes 5.9-10). Ou fazemos parte daqueles que esperam pelo seu Senhor porque pertencemos a Ele, confiando em Seus cuidados e vivendo para Ele dia após dia, ou vivemos uma grande ilusão, enganando a nós mesmos, praticando mera religiosidade, porém mortos em pecados e com o coração dominado por nosso próprio "eu". No começo de sua carta, Paulo descreve o cristianismo autêntico dos tessalonicenses: “:.. deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro, e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura" (l Tes 1.9­10). Convertidos ... para servir a Deus e para esperar por Jesus! Querido leitor, você também tem essas características de um verdadeiro discípulo de Jesus? 

No último capítulo de sua carta, o apóstolo aos gentios menciona mais algumas características desses novos-convertidos tão exemplares: "Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas" (l Tes 5.4-5). Eles não estavam mais nas trevas do pecado; eles eram "filhos da luz" e "filhos do Dia". Por isso Paulo continua descrevendo seu novo caminhar: Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios ... "Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação" (l Tes 5.6-8). Por duas vezes ele fala que os cristãos devem ser "sóbrios" e menciona a armadura espiritual: a couraça da fé e do amor e o capacete da esperança da salvação. 

Esse trecho bíblico acerca do Dia do Senhor é encerrado pelo apóstolo Paulo com um apelo:

"Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo" (l Tes 5.11). Eles sabiam: Estamos juntos, nos edificamos e incentivamos mutuamente, nos consolamos uns aos outros, sempre com a maravilhosa perspectiva em mente: nosso Senhor vem, Ele vem nos buscar e então estaremos para sempre com Ele!


Unidos no Único que pode encher nossos corações com a feliz expectativa da Sua vinda, saúdo de coração,


Dieter Steiger


Extraído da Revista Chamada da Meia-Noite, julho de 2013, Ano 44, nº 07

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O TERCEIRO CÉU, O PARAÍSO

No terceiro céu está a pátria celestial, o destino final de todos os filhos de Deus. Com ajuda do último livro da Bíblia, o Apocalipse, participe comigo de uma visita guiada pelo templo celestial, a “casa do Pai”.

Você já esteve no terceiro céu? A Bíblia fala de vários céus, a começar pela atmosfera, que vemos como céu azul. O segundo céu é o cosmo, o espaço sideral, o céu astral. Durante a inauguração do templo de Salomão, o sábio rei disse: “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que o céu, e até o céu dos céus, não te podem conter; quanto menos esta casa que edifiquei!” (1Re 8.27). Aqui se faz diferenciação entre os céus (em hebraico: shamayim) e o céu dos céus (em hebraico: shemey hashamayim). O céu azul e o espaço sideral não podem conter a Deus. Deus está presente em toda a criação, sendo, portanto, imanente, mas também é transcendente, pois o mundo presente não pode contê-lO.
A Bíblia ainda conhece um terceiro céu. Em 2 Coríntios 12.2-4, Paulo explica que foi arrebatado ao Paraíso, também chamado por ele de “terceiro céu”. Muitos já estiveram no primeiro céu, mas provavelmente nenhum dos leitores esteve no segundo. Essa possibilidade é muito recente na história da humanidade. Em 1961, o cosmonauta russo Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a chegar ao segundo céu, a bordo da “Vostok I”. Depois da sua volta, ele relatou: “Estive no céu, mas não vi a Deus”. Nem poderia, pois ele esteve apenas no segundo céu. A moradia de Deus é no terceiro céu; e, aliás, como alguém poderia vê-lO com o coração impuro? No Sermão do Monte, o Senhor Jesus disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8). Esse é um problema para todos nós, pois temos corações impuros. Por isso, por natureza não temos direito ao terceiro céu.

A pátria celestial

A Bíblia fala sobre a Jerusalém celestial, o Monte Sião e a pátria celestial: “Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é nossa mãe” (Gl 4.26). Fala-se aqui de uma cidade real no terceiro céu. Hebreus 11.10 diz sobre Abraão: “...porque esperava a cidade que tem os fundamentos, da qual o arquiteto e edificador é Deus”. No versículo 16, o autor fala dos patriarcas: “Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade”. Temos aqui o segundo termo: a pátria melhor, a pátria celestial. Em Hebreus 12.22, o autor da carta aos judeus crentes diz: “...mas tendes chegado ao Monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, a miríades de anjos”. Este Monte Sião celestial, a Jerusalém celestial, tem grande significado para o cristianismo. A carta aos Hebreus dirige-se a cristãos judeus, mas também o Apocalipse fala da “nova Jerusalém” (no capítulo 21) como uma descrição simbólica da Igreja de Deus. Em Apocalipse 21.2,9ss. é explicado ao apóstolo João que a nova Jerusalém é a noiva do Cordeiro, a Igreja de Jesus. Mas a “Jerusalém celestial”, de que falam as cartas aos Gálatas e aos Hebreus, é uma cidade real no céu, um símbolo da Igreja. Por isso, a descrição da nova Jerusalém no Apocalipse não tem um significado puramente simbólico. O arquétipo da Igreja como a nova Jerusalém é essa cidade celestial. A descrição simbólica no Apocalipse está relacionada à construção concreta da nova Jerusalém.

O templo no céu

Em Apocalipse 11.19 a Bíblia fala explicitamente de um templo no céu: “Abriu-se o santuário de Deus que está no céu...”. No Seu discurso de despedida, na véspera da crucificação, o Senhor Jesus chamou esse templo celestial de “casa do meu Pai” (Jo 14.2). A expressão aparece mais uma vez na Bíblia, em João 2. Mas ali o Senhor Jesus trata do templo em Jerusalém. Em João 14, a expressão refere-se a uma realidade celestial, o templo no céu como arquétipo da construção na terra. O templo em Jerusalém era uma cópia terrena, e a Igreja de Jesus é, finalmente, o cumprimento do símbolo. Isso vale tanto para o templo quanto para a cidade. O Senhor Jesus fala a respeito em João 14.2-3: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. Essas moradas na casa do Pai estão no templo celestial, pois são, de certa forma, moradas de sacerdotes, que no templo em Jerusalém ficavam abrigados junto à “Casa da Lareira”, bem próxima do Santo dos Santos.
Em Apocalipse 6.9-11, os mortos por causa da Palavra estão junto ao altar no céu. Entendemos que as almas dos mortos estão no templo celestial, e assim é possível compreender muito melhor algumas coisas. Em Lucas 23, Jesus diz ao ladrão na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Onde era esse paraíso? No terceiro céu, no local do templo celestial, da cidade celestial e da pátria celestial. Qual é o livro que nos dá as melhores informações sobre o céu? Em nenhum outro encontramos tantas quanto no último livro da Bíblia. Por quê? O Apocalipse nos mostra para onde estamos indo. O primeiro livro da Bíblia (Gênesis) nos mostra de onde viemos, e o último, para onde vamos. Nunca conseguiríamos descobrir isso por nós mesmos. Não há métodos científicos que nos ajudem a descobrir como o mundo se formou. Não temos como voltar ao início. Também não há métodos que nos permitam ir para o futuro, a fim de vermos o que está pela frente. Precisamos da revelação divina sobre essas questões básicas.

Uma visita ao templo celestial

Em Apocalipse 4.1, João vê primeiro uma porta aberta no céu. Essa porta não estava se abrindo naquele momento, ela já estava aberta. Em Ezequiel 1, o profeta vê o céu se abrindo diante de seus olhos. São duas situações diferentes. No Apocalipse, o céu já está aberto, pois estamos na época depois do Gólgota: “O céu está aberto, coração, sabes por quê? Porque Jesus lutou e sangrou – por isto!”

João entrou no céu e ouviu uma voz como de trombeta, ou seja, de um shofar, que também será ouvida por ocasião do Arrebatamento (veja 1Ts 4), quando o Senhor descerá com a trombeta de Deus.

Lidamos com um céu aberto! Quando João entra no céu, ele vê o Cordeiro de Deus: “Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto” (Ap 5.6). Só que esse Cordeiro imolado está vivo. É o Senhor Jesus no céu, e nós ainda veremos as marcas da cruz nEle – no Seu lado, em Suas mãos e em Seus pés. Mas o contexto é grandioso – o céu aberto e o Cordeiro que foi morto! No Talmude Babilônico o tratado Tamid 30b fala sobre a abertura matutina da porta de Nicanor. Essa majestosa porta, que levava do átrio das mulheres ao acampamento da Shekinah (a glória de Deus), era tão pesada que só podia ser aberta pelo esforço conjunto de vários sacerdotes. Essa porta abria-se no momento em que o sacrifício matinal era imolado por volta das seis horas. Também o acesso ao céu só é possível porque o Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus, foi morto por nós. João entrou no céu e ouviu uma voz como de trombeta, ou seja, de um shofar, que também será ouvida por ocasião do Arrebatamento (veja 1Ts 4), quando o Senhor descerá com a trombeta de Deus. De acordo com 1 Coríntios 15.51ss., essa é a última trombeta. O exército romano tinha três trombetas. A primeira significava: “Levantar acampamento!” A segunda trombeta comandava: “Em forma!” A terceira e última trombeta era o sinal para marchar. A voz como de trombeta que João escutou dizia: “Sobe aqui”, e ela corresponde ao chamado do Arrebatamento, da última trombeta. O sinal para a marcha não está relacionado às sete trombetas do juízo, que só soarão mais tarde.

O altar do holocausto e seu serviço


O apóstolo João entrou diretamente no Santo dos Santos, o coração do céu. Mas faremos nossa viagem pela ordem, começando no átrio dos sacerdotes, o “acampamento da Shekinah”, como diz a literatura rabínica. É lá que está o altar do holocausto: “Quando [o Cordeiro] abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram” (Ap 6.9-11). João vê no céu o Cordeiro de Deus, que é digno de abrir o Livro de Deus, selado com sete selos.

Não devemos nos esquecer que os acontecimentos no céu acontecem simultaneamente com o terrível juízo futuro sobre o mundo. O Apocalipse descreve a guerra do templo celestial contra uma humanidade afundada no pântano do pecado. Esse livro bíblico relata uma guerra de Deus contra o mal, a guerra do santuário celestial contra a humanidade que rejeitou o sacrifício de Cristo. O templo no céu é essencialmente o local da reconciliação e do sacrifício vicário. Mas quando a humanidade rejeita esse sacrifício, vem o juízo, e assim tudo no céu que se refere a salvação e reconciliação se transformará em maldição para os habitantes da terra.

Lemos que João viu o altar do holocausto no céu, e as almas ao pé dele. O sangue é a essência da vida, pois Levítico 17.14 diz: “Porque a vida da carne está no sangue”. Na época do Segundo Templo, o sangue dos animais sacrificados era derramado ao pé do altar, para dentro de duas cavidades especiais, que ficavam perto do canto sudoeste. É justamente nesse ponto que João vê as almas dos mortos – no local para onde corria o sangue dos holocaustos. Essas almas estão plenamente conscientes, apesar de se tratar de mártires no céu. Elas podem falar, e falam de vingança. É óbvio que já estamos na época posterior ao Arrebatamento. Hoje ainda vivemos na época da graça, mas depois do Arrebatamento vem a época do juízo, e então esses mártires exigirão vingança. João vê-os junto ao altar, e eles recebem vestimentas sacerdotais, porque ainda precisam esperar algum tempo. Essas almas são de pessoas que, depois do Arrebatamento, estavam dispostas a entregar tudo em favor do Senhor Jesus, inclusive de sofrer o martírio. Mas o que esses fatos celestiais têm para nos ensinar? O altar mostra que o Senhor Jesus entregou tudo por nós. As almas ao pé do altar são, portanto, as pessoas que dizem: “Se nosso Redentor pode dar tudo, nós também estamos dispostos a entregar tudo”. Mesmo que sejamos poupados do martírio, deveria valer para nós o lema de 2 Coríntios 5: “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (vv.14-15). Não vivemos mais para nós mesmos, mas para Cristo! O altar no céu demonstra que o Senhor Jesus se dispôs a entregar tudo em sacrifício.


 No fim das contas, o judaísmo é totalmente “cristão”, já que o seu templo é uma cópia do original do céu, o lar dos cristãos (Fp 3.20)

O Apocalipse também menciona sete taças de ouro em conexão com o altar. Tratam-se dos cálices usados no templo durante os sacrifícios. Esses cálices terminavam em forma de ponta na parte inferior, pois os sacerdotes não podiam depositá-los em lugar nenhum. Eles tinham de coletar o sangue nas taças e levá-lo ao altar. Esse sangue não podia ser depositado, e por isso as taças tinham este formato peculiar. Mas o que acontece em Apocalipse 16 em relação a essas sete taças? “O segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu todo ser vivente que estava no mar. O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue” (vv.3-4). As taças do sacrifício, que na verdade tratavam de reconciliação, transformam-se em juízo para o mundo! Vale aqui novamente o princípio: quando alguém não aceita, ou até mesmo rejeita o sacrifício de Jesus, só resta a essa pessoa tornar-se ela mesma um holocausto.

Quando o Apocalipse fala das sete trombetas, a linguagem usada também estabelece uma relação com o altar, pois diariamente eram tocadas sete trombetas durante os holocaustos matutinos e vespertinos. Isso também é relatado no Talmude Babilônico, no tratado Sucá 53b. As sete trombetas estão ligadas ao sacrifício vicário no templo, mas no Apocalipse tornam-se sinais do juízo para aqueles que não quiseram aceitar esse sacrifício. Quando lemos os textos do Apocalipse sob esse ângulo, obtemos um perfil bem diferente. Em última instância, vemos que o Apocalipse é um “livro do templo”, já que o templo caracteriza o céu. Disso também podemos concluir que o céu é muito “judaico”. Provavelmente, esse fato surpreenderá muitos cristãos na sua chegada ao céu. Mas também podemos dizê-lo de outra forma: no fim das contas, o judaísmo é totalmente “cristão”, já que o seu templo é uma cópia do original do céu, o lar dos cristãos (Fp 3.20).

A pia e o canto dos levitas


Em nossa caminhada pelo terceiro céu chegamos agora à pia: “E vi como que um mar de vidro misturado com fogo; e os que tinham vencido a besta e a sua imagem e o número do seu nome estavam em pé junto ao mar de vidro, e tinham harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos. Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? Pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos” (Ap 15.2-4). Não existe oceano no templo celestial. Em 1 Reis 7.23, a palavra “mar” designa o “mar de bronze”, a grande pia no átrio do templo. O hebraico rabínico usa essa expressão também para um recipiente coletor, por exemplo, para farinha. Aqui o mar designa a pia. Mas por que se fala de um “mar de vidro, misturado com fogo”? Tanto no tabernáculo quanto no Templo de Salomão a pia era de bronze, uma liga de cobre. Quando o bronze era especialmente bem trabalhado, ele ficava parecido com um espelho. Na época de Moisés as mulheres entregaram seus espelhos de bronze para que a pia fosse confeccionada a partir deles (Êx 38.8). O arquétipo celestial dessa pia é tão perfeito que parece de vidro. “Misturado com fogo” – o que significa isso? Quando a luz celestial é refletida no bronze finamente trabalhado dessa pia, surge um jogo de luzes e sombras que lembra labaredas de fogo.

Junto à pia diante do templo João vê Aquele que derrotou a besta, o ditador vindouro, a sua imagem e o número do seu nome, isto é, a idolatria na qual a humanidade será jogada pelo Anticristo. Depois do Arrebatamento, quando o Anticristo instituir um novo sistema financeiro, todos os habitantes da terra receberão um código aplicado em sua mão direita ou na fronte. O número 666, oculto no código, expressará o seguinte: “Estou disposto a honrar este ditador, a besta que saiu do mar, como deus”. Aqueles que não o aceitarem não receberão o código. Mas naquela época não haverá mais dinheiro vivo, e só será possível fazer pagamentos por meio do código. O que acontecerá quando alguém não puder mais comprar ou vender? O que fazer? Orar! A situação ficará muito precária, e a única oração possível será: “O pão de cada dia nos dá hoje”. O que significa essa oração para nós atualmente, se já temos na geladeira provisões para as próximas duas semanas? A situação das pessoas depois do Arrebatamento será tão precária que essa oração adquirirá um novo significado. Aliás, a palavra “precário” deriva do verbo em latim “precari”, donde vem a palavra “prece”*. As pessoas junto à pia no átrio do templo celestial chegam ao céu vindas de uma situação precária, isto é, do martírio. Elas trazem as harpas de Deus, apresentando-se assim como músicos e cantores levitas e entoando o cântico de Moisés e do Cordeiro. O apóstolo João entendeu imediatamente o significado. Encontramos o cântico do Cordeiro em Êxodo 15. Trata-se do cântico que os israelitas entoaram depois da primeira ceia da Páscoa e da saída do Egito, durante a passagem pelo mar. O cântico de Moisés está em Deuteronômio 32.4: “Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são justos; Deus é fiel e sem iniqüidade; justo e reto é ele”. Por isso, os vencedores cantam no céu: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos”. Na época do Segundo templo, esse cântico de Moisés era entoado no momento do sacrifício vespertino do sábado, enquanto o cântico do Cordeiro era entoado no sacrifício adicional no sábado de manhã. É o que relata o Talmude babilônico, no tratado Rosh Hashaná 31a. João entendeu imediatamente: no céu vigora o sábado, ou o descanso sabático. Isso não deveria nos surpreender, pois em Hebreus 4.9 lemos: “Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus”. Os vencedores entraram no descanso celestial! Mas o que é esse descanso no céu? Não se trata de passividade, mas de descanso da pressão da tentação e da sedução. Os vencedores também não estão passivos, mas tocam harpas. No Antigo Testamento havia dois tipos desse instrumento. Um era o nevel, o outro, o kinnor. O Novo Testamento traz apenas um termo, a palavra grega kithara, da qual deriva a nossa “guitarra”. Essas pessoas no céu tocarão harpas e cantarão. Concluímos daí que no céu não haverá passividade, mas atividade que se desenrola no repouso de Deus.


Se quisermos ser vencedores, precisamos arrumar a nossa vida diariamente à luz da Bíblia
Por que João vê esses cantores junto ao mar de vidro? A água servia para a limpeza das mãos e dos pés dos sacerdotes. Efésios 5.25 explica que a Palavra de Deus tem efeito purificador, como a água. Como os crentes também são sacerdotes, eles precisam purificar-se diariamente pela leitura da Bíblia. Se analisarmos a pia, e por extensão a Bíblia, vemos que ela age como um espelho, pois nos mostra tudo o que não está certo em nossa vida (Tg 1.23-25). Por isso os leitores da Bíblia são, em geral, pessoas corajosas, pois estão dispostas a olhar no espelho da Palavra de Deus. Quando temos consciência do que não está certo em nossa vida, esse reconhecimento deve sempre nos levar à auto-avaliação: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Precisamos aplicar essa auto-avaliação de forma constante (veja 1Co 11.28-31), assim como os sacerdotes da Antiga Aliança lavavam regularmente os pés e as mãos. As mãos falam daquilo que fazemos, e os pés, dos lugares aonde vamos. Quando vivemos neste auto-escrutínio diário e não permitimos que as injustiças se acumulem na nossa vida, isso nos protegerá contra pecados mais graves. Todos nós temos naturezas pervertidas e somos capazes de cometer qualquer tipo de pecado. Ficaremos protegidos se consertarmos diariamente diante de Deus aquelas coisas que reconhecemos como pecado. Em geral, os pecados graves resultam de um longo caminho, e não deveríamos deixar que chegue esse ponto. Mas vamos nos questionar: como os vencedores junto ao mar de vidro terão sobrevivido à pressão da sedução? É muito simples, pois essas pessoas vão se sujeitar ao auto-escrutínio diário. Também é digno de nota que seu cântico não traz nenhum traço de amargura, apesar das tribulações que enfrentarão. Isso só é possível por meio da comunhão viva com o Senhor no dia-a-dia. O mar de vidro também nos ensina algo prático para a nossa vida como cristãos: se quisermos ser vencedores, precisamos arrumar a nossa vida diariamente à luz da Bíblia.

No Lugar Santo


Em nossa viagem pelo terceiro céu continuamos agora em direção ao candelabro de sete braços, entrando em pensamentos no Lugar Santo, o templo em si: “E do trono saíam relâmpagos, e vozes, e trovões; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus” (Ap 4.5). Sete lâmpadas brilham diante do trono no santuário – são as sete chamas do candelabro de ouro, a menorá. O texto explica aqui que as chamas são os sete espíritos de Deus. Talvez você pense: “Mas só existe um Espírito de Deus”. Afinal, é o que diz Efésios 4: há “um só Espírito”. Mas no Apocalipse o Espírito Santo, o único, é representado em toda a sua perfeita multiplicidade. O Espírito, que Isaías 11.2 diz repousar sobre o Messias, é descrito da seguinte forma: “E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. São sete nomes que representam o Único Espírito em toda a perfeição e multiplicidade da sua ação. O Espírito Santo inspirou maravilhosamente esse versículo no texto original. Primeiro é citado um nome mais geral, o Espírito do Senhor. Seguem-se duplas de nomes ligados pela palavra “e”. Isso corresponde à aparência do candelabro de sete braços: uma chama principal no centro, ladeada por três pares de braços. No texto acima, esses braços são representados com a descrição “o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor”.

Quando vemos as sete chamas no santuário, somos lembrados do Espírito de Deus que nos conduziu neste mundo. O espírito da sabedoria: numerosas vezes sentimos que nos faltava sabedoria, mas o espírito da sabedoria sempre a providenciava para nós. O espírito de entendimento: algumas pessoas acham que entendimento e fé são mutuamente excludentes, mas o Espírito Santo é o espírito do entendimento! Os pensamentos dos seres humanos estão obscurecidos por Satanás (veja 2Co 4.3ss.), mas o Espírito Santo ilumina nosso entendimento. Ele não anula nosso espírito de forma que desfaleçamos. Isso não é ação do Espírito de Deus, o espírito de sabedoria e entendimento. O espírito de conselho e de fortaleza: muitas vezes não soubemos tomar uma decisão. Mas o Espírito de Deus nos aconselha. Sentimo-nos fracos, mas o Espírito de Deus nos dá força. Não entendemos a Bíblia, mas o Espírito de conhecimento nos dá compreensão. Não sabíamos quem é Deus, mas o espírito de temor do Senhor colocou em nosso coração uma profunda percepção da grandeza e da majestade de Deus.

O altar do incenso


Em pensamentos dirigimo-nos agora para o dourado altar do incenso. “Veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o oferecesse com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono. E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos. Depois o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o lançou sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto” (Ap 8.3-5). Aqui vemos um sacerdote executando seu serviço no altar celestial. No Apocalipse há quatro textos em que o Senhor Jesus é chamado de “outro anjo”. A palavra grega angelos significa “mensageiro”. Pode ser um homem ou um anjo, mas também o Filho de Deus, o Enviado do Pai, assim como no Antigo Testamento “o anjo do Senhor” (mal’akh adonai) era o próprio Deus, o Filho de Deus. O “outro anjo” é citado pela primeira em Apocalipse 7, mas ainda sem revelar ao certo de quem se trata. No capítulo 8 descobrimos que se trata de um sacerdote. No capítulo 10 ele coloca Seus pés sobre a terra e sobre o mar, demonstrando assim o Seu direito ao mundo, pois, afinal, ele é o Rei. Em Apocalipse 18 Ele anuncia a queda da Babilônia, e toda a terra é iluminada pela glória desse mensageiro. Nesse texto ele é um profeta. Jesus é tudo para nós: Rei, Sacerdote e Profeta.

Como nosso Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus está junto do altar do incenso. Ele dá poder às orações dos santos na terra. Pouco antes foi aberto o sétimo selo, dando início à Grande Tribulação. Em Mateus 24, Jesus diz aos judeus crentes: “que a fuga não aconteça num sábado”. As pessoas descobrirão o real significado da oração, pois agora sabem que chegou a hora. Durante meia hora há silêncio no céu (veja Ap 8.1), e então o Sumo Sacerdote dá poder às orações. Ele toma o incensário, um vaso de ouro com um suporte, uma tampa e um anel. Dentro dele há incenso, essa maravilhosa mistura de componentes botânicos aromáticos. No Antigo Testamento o sacerdote junto ao altar de ouro pegava incenso do incensário com os dois polegares e deixava-o cair sobre o carvão em brasa do altar. A fumaça gerada dessa forma subia em linha reta. Esse incenso aromático expressa a múltipla glória da pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo. Dessa forma, Ele adiciona sua glória pessoal às orações dos santos, dando-lhes peso diante de Deus. Só então é possível falar de oração em nome de Jesus, que precisa acontecer em concordância com a vontade do Filho de Deus (Jo 14.13-14). Essas orações chegam a Deus como se o seu próprio Filho as dissesse.

O Senhor Jesus dá a essas orações, que concordam com a Sua vontade, toda a glória da Sua pessoa, e assim elas chegam diante de Deus. Se tivermos a impressão de que nossas orações não estão passando do teto do quarto, podemos ter esta certeza: se orarmos de acordo com a vontade de Deus, revelada na Bíblia, é claro que essas orações serão atendidas. Apocalipse 9.13 menciona explicitamente os quatro chifres no altar de ouro no céu. Chifres são um símbolo de força e poder; os quatro chifres no altar pretendem deixar claro que a oração em nome de Jesus tem grande poder e efeito, e isso em todo mundo. Por isso os chifres também apontam para os quatro pontos cardeais. Dessa cena no céu aprendemos que a oração realmente tem efeito. Muitos pensam: “Na verdade, Deus acaba fazendo o que Ele quer, de qualquer forma. Qual é, então, a utilidade das nossas orações?” Mas em Tiago 4.2 está escrito: “Nada tendes, porque não pedis”. Por um lado, há coisas que Deus não faria se Seus filhos não pedissem por elas. Por outro lado, há coisas que Deus faz, quer peçamos, quer não peçamos por elas. Afinal, Deus é soberano. Mas também há coisas que Deus não faz se nós não pedirmos por elas.


O primeiro mandamento é: “Não terás outros deuses diante de mim”. É a condenação de todas as religiões do mundo

O melhor ainda virá: no Santo dos Santos 

Guardei para o fim o destino mais belo da nossa viagem pelo céu. Por isso, em pensamentos entramos agora no Santo dos Santos. “Imediatamente fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono; e aquele que estava assentado era, na aparência, semelhante a uma pedra de jaspe e sárdio; e havia ao redor do trono um arco-íris semelhante, na aparência, à esmeralda. Havia também ao redor do trono vinte e quatro tronos; e sobre os tronos vi assentados vinte e quatro anciãos, vestidos de branco, que tinham nas suas cabeças coroas de ouro... também havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal; e ao redor do trono, um ao meio de cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás; e o primeiro ser era semelhante a um leão; o segundo ser, semelhante a um touro; tinha o terceiro ser o rosto como de homem; e o quarto ser era semelhante a uma águia voando” (Ap 4.2-4,6-7). Do que é feito o trono de Deus? De acordo com o Salmo 132.7-8, a Arca da Aliança é o apoio dos pés de Deus. Em Apocalipse 11.9 a Arca da Aliança é expressamente mencionada no céu. No Antigo Testamento havia dois querubins sobre a tampa da arca. Esses seres são descritos em detalhes em Ezequiel 1.8-11. Trata-se de anjos com rostos de leão, boi, homem e águia. No texto do Apocalipse que acabamos de citar os quatro seres viventes são querubins no Santo dos Santos. É verdade que sobre a Arca em si havia só dois querubins, mas durante a construção do templo Salomão mandou fazer mais duas figuras de querubins revestidas de ouro (1Re 6.23-28). Portanto, havia ao todo quatro desses seres viventes em torno do trono de Deus. A Arca da Aliança é, assim, o apoio dos pés de Deus, e Ele está entronizado entre os querubins. Por isso, o Salmo 80.2 diz: “...tu, que estás entronizado sobre os querubins, resplandece”. O trono de Deus é citado 37 vezes no Apocalipse, mais do que em qualquer outro livro da Bíblia. Justamente o livro que mostra como o mundo será abalado pelas maiores catástrofes, de modo que puderíamos pensar que Deus perdeu o controle, nos mostra: Deus ainda está seguindo Seu plano, e tudo Lhe está sujeito! A lembrança do trono de Deus nos dá grande segurança: o que quer que aconteça em nossa vida, o trono de Deus é inabalável. A Arca é o local da reconciliação. Originalmente a Arca era local de juízo, pois dentro dela estavam os Dez Mandamentos. O primeiro mandamento é: “Não terás outros deuses diante de mim”. É a condenação de todas as religiões do mundo! A Arca da Aliança como parte do trono de Deus condena a humanidade, mas também era o local onde o sumo sacerdote aspergia o sangue. Por isso, ela também fala de reconciliação. Quando chegarmos ao céu e virmos o trono de Deus, teremos a certeza de ter sido aceitos com base no sangue de Jesus. O véu foi rasgado, como aconteceu com a sua cópia terrena (veja Mt 27.51), abrindo-nos assim o acesso ao Santo dos Santos. Em Hebreus 10.19 somos convidados a entrar. Hoje só podemos nos colocar na presença de Deus em pensamento, mas virá o dia em que entraremos de fato no Santo dos Santos, pois lá é o nosso lar. Então experimentaremos o que agora antecipamos em pensamento, pois o melhor ainda virá!  
(Roger Liebi - http://www.chamada.com.br)
* De acordo com o dicionário Houaiss: “lat. precarius; obtido por meio de prece; concedido por mercê revogável; tomado como empréstimo; alheio, estranho; passageiro”.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

A "PRESIDENTA" E SUA CLAQUE EVANGÉLICA

Cantoras com Dilma: o cachê é mais importante do que a vida de um bebê?



Será que temos tanto tempo assim para esperar para falar o que é urgente? Será que as crianças ameaçadas pela lei do Holocausto do Aborto podem aguardar?
Ou será que as cantoras estão tão desligadas dos problemas e realidade do Brasil que não podem tratar deles diante da prezidenta?

Cantoras gospel, que estiveram com a prezidenta Dilma Rousseff nesta semana, foram muito cobradas. Não, não foi cobrança de cachê. Foi cobrança de posturas morais diante da prezidenta, que está para sancionar, a qualquer momento, lei que praticamente torna o aborto legal no Brasil.
A versão das cantoras é que elas foram só para orar por Dilma. Mas a versão de Dilma conta, oficialmente no Blog do Planalto, que elas estavam lá para “uma demonstração de apoio e solidariedade.”
Apoio e solidariedade ao quê? Aos bebês em gestação? Às famílias ameaçadas pelas políticas de iniquidade do governo e partido da prezidenta?
Talvez elas quisessem ser usadas por Deus. Mas é certo que Dilma também as usou.
O Brasil está há anos sob a opressão e pressões petistas para legalizar o aborto, a agenda gay e outras iniquidades. Querendo ou não, uma demonstração de apoio e solidariedade a quem luta nessas causas acaba apoiando essas próprias causas — a não ser que elas tivessem aberto a boca para falar o ponto-de-vista de Deus sobre essas questões.
Contudo, não falaram. A explicação que ouvi, de fonte ligada diretamente a elas, é que elas precisavam desse encontro como primeiro passo para outros encontros com Dilma. Posteriormente (e suspostamente, se Dilma de fato continuar abrindo suas portas), as cantoras começariam a conversar com Dilma sobre aborto.
Mas será que temos tanto tempo assim para esperar para falar o que é urgente? Será que as crianças ameaçadas pela lei do Holocausto do Aborto podem aguardar?
Ou será que as cantoras estão tão desligadas dos problemas e realidade do Brasil que não podem tratar deles diante da prezidenta?
Ontem, houve em Brasília uma manifestação de mulheres contra o aborto. O foco do evento foi justamente a lei que Dilma está para sancionar. Nenhuma das cantoras gospel apareceu na manifestação. Faltou cachê?
Uma cantora gospel desabafou pelo Twitter que as críticas às suas amigas cantoras deve-se ao “machismo” — termo fartamente empregado pelas feministas, que estão na linha de frente na luta a favor do aborto. Isto é, além de nada falarem de aborto para dona Dilma, ainda acusam quem expõe sua omissão de “machistas.” Preferem um alinhamento feminista a um alinhamento pró-família.
A Dra. Marisa Lobo, que é mulher e não pode ser acusada de “machista,” acabou de me contar sobre um comício contra o aborto a ser realizado no Rio de Janeiro. Cantores seculares e católicos prontamente aceitaram sem nada cobrar. Até o momento, não há nomes evangélicos para o evento. As cantoras gospel conseguiriam participar sem cobrar seus habituais cachês pesados? Os evangélicos, que deveriam se diferenciar na sociedade pelo caráter de santidade, estão se destacando pelos interesses financeiros.
Será que seria preciso cachê até para defender a vida de um bebê em gestação? E Jesus, também precisaria pagar cachê para ter um encontro agendado com as senhoras cantoras que têm boca aberta para acusar de “machismo,” mas não têm boca aberta para falar para Dilma sobre vidas em perigo ou coração aberto e boa vontade para cantar a favor da vida?
Será que é só o bolso delas que está mais aberto do que suas bocas?
Diante de uma eventual indisponibilidade das cantoras gospel por falta de cachê, talvez a Dra. Marisa devesse se dispor a cantar, representando os evangélicos no evento. Ela não é cantora profissional, mas pelo menos tem boa vontade e está mais do que disposta a falar em defesa dos bebês em gestação.
A luta em defesa da vida é feita por boa vontade, não por um bolso cheio de cachê.
Anos atrás, participei de um evento em Rondônia em defesa da família. Nada cobrei. Fui com os bolsos vazios e sai com os bolsos vazios. Mas o famoso cantor gospel que fez a parte inicial do evento cobrou na época 20 mil reais. Ele saiu com os bolsos cheios, mesmo tendo abandonado sua esposa e filhos pequenos para viver com a amante. Mas eu não havia sido avisado da participação dele. Tudo o que pude fazer, em protesto, foi dizer aos organizadores que eu não poderia participar do evento, pois não fazia sentido algum defender a família ao lado de um cantor adúltero.
Eu poderia citar para as cantoras gospel o exemplo do profeta Elias, que orava, agia e falava o que Acabe e Jezabel precisavam ouvir. Mas temo que esse exemplo será tachado de “machista,” pelo fato de que Elias era homem.
Tudo bem. Temos o exemplo da rainha Ester. Quando eu estava orando de madrugada sobre as cantoras gospel, me veio esta palavra:
Quando Mardoqueu recebeu essa resposta de Ester, imediatamente mandou adverti-la: “Não imagines que, somente por estares vivendo no palácio do rei, serás a única a escapar da matança dos judeus, porquanto se calares neste momento crucial, certamente socorro e salvação surgirão de outra parte para os judeus, mas tu e a casa de teu pai, os teus familiares, todos sereis aniquilados. Quem sabe se não foi para este dia que foste nomeada rainha da Pérsia?”Então Ester mandou a seguinte resposta a Mardoqueu: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem na capital, Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que esse seja um gesto considerado rebelde e contra a lei; se perecer por isso, pereci!” Então, partiu Mardoqueu e agiu exatamente como Ester lhe havia pedido. (Ester 4:12-17 KJA)
Ester teve de orar e falar coisas importantes ao rei, que havia sancionado assassinatos de inocentes. As cantoras gospel só ficaram com a primeira parte: oraram. Mas não falaram com Dilma sobre aborto e sua decisão de sancioná-lo.
Nada falaram também da infame Lei da Palmada, que castigará os pais brasileiros com a vara do Estado.
Sônia Hernandes chefiou reunião das cantoras gospel com Dilma
O encontro com Dilma foi organizado por Marcelo Crivella e ajudado especialmente por Sônia Hernandes, dois nomes ligados ao PT. Crivella fez a ponte para que as cantoras gospel, sob a liderança de Sônia, tivessem o encontro oficial com Dilma. A imprensa nacional destacou não só o papel de Sônia, mas também seus vários escândalos financeiros e judiciais.
Eu não sei como Sônia leva o sobrenome Hernandes, mas conheci um Hernandes que teria tido boca para falar o que Dilma precisa ouvir. Clodovil Hernandes, o homossexual mais famoso do Brasil, era também o maior inimigo de Marta Suplicy, considerada a rainha do movimento supremacista gay do Brasil.
Se até Clodovil conseguia falar o que os grandes precisavam ouvir, por que Sônia Hernandes não pode? Por que suas amigas cantoras também não podem? Será para não magoar o PT, que também financia a Marcha para Jesus?
O povo vai à Marcha apenas pelo nome de Jesus. Se o evento se chamasse Marcha do Casal Hernandes, o grande público evangélico pensaria duas vezes antes de ser usado.
Na última Marcha para Jesus, um famoso pastor levou uma equipe com vários cartazes contra o aborto, o PLC 122 e outras políticas do PT. Mas o casal Hernandes havia dado ordens aos seus seguranças para removerem e proibirem tal manifestação contra seus patrocinadores petistas.
Não se pode, então, levar cartazes contra as políticas do PT na Marcha para Jesus, porque o casal Hernandes não gosta. Afinal, não se pode prejudicar o lucrativo relacionamento entre eles e o PT.
Não se pode ter famosas cantoras gospel para representar os evangélicos numa manifestação contra o aborto, pois, parafraseando um versículo da Bíblia, “sem cachê é impossível agradar aos deuses e deusas do estrelato gospel.”
Na reunião com Dilma, as cantoras gospel não puderam falar sobre aborto e a Lei da Palmada, pois o grupo estava encabeçado por Sônia Hernandes, que tem fortes interesses com o governo do PT.
E, ainda por cima, não se pode expor essas falhas das cantoras gospel sob risco, no meu caso, de ser chamado de “machista.”
Eu acho, Sônia Hernandes, que Clodovil Hernandes saberia muito mais como agir em cada uma dessas situações. Talvez ele nem soubesse orar. Mas o que importa? É melhor saber agir do que orar sem saber o que fazer.
Poderiam, pelo menos, pensar tanto na defesa da vida humana quanto pensam em seus cachês.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A DEUSA DA NOVA ERA

Ao escolher o título: “Democracia: o Deus da Nova Era”, eu sabia que ele seria polêmico. Parece que estou menosprezando a democracia. Contudo essa não é, de forma alguma, a minha intenção.
Temos experimentado a democracia como o sistema político que melhor funciona no momento. Ele nos provê com certas liberdades desconhecidas até então na História. A essa altura, não há outro sistema viável comparado à democracia. Mas à medida que a investigamos pela perspectiva bíblica, descobrimos que a democracia, não importa quão boa seja, acabará por dar posse ao Anticristo.
O próprio fato de que estamos hoje experimentando uma inundação de democracia nos fornece mais motivos do que nunca para crermos que a conclusão dos tempos do fim está às portas.
A democracia está nos lábios de todos hoje em dia, especialmente desde a sensacional e inesperada queda da Cortina de Ferro. Não passa um dia sequer sem que algum relato nos telejornais fale algo acerca do progresso da democracia. Alguns a têm chamado de a liberdade última e a libertação da humanidade. Outros dizem que a democracia é o direito dado por Deus para todos sobre a terra.

A Deusa da Democracia

Na China, que ainda está debaixo de governo comunista, a democracia é considerada uma religião. Durante o levante estudantil chinês na Praça Tiananmen, foi exibida uma “Estátua da Liberdade” em papel machê. Ela foi chamada “A Deusa da Democracia”. É isso que eu quero tratar em detalhes, porque uma deusa ou um deus da democracia jamais pode ser aquele Deus da Bíblia que nós cultuamos.
Pense por um instante. Crianças instruídas no comunismo – e seus pais e avós presumivelmente comunistas –, rebelam-se contra o sistema.

Eles haviam sido bons comunistas, caso contrário não teriam tido permissão de estudar nas universidade chinesas em busca de uma instrução mais elaborada. Ainda assim vemos esses estudantes como sendo os que levantaram essa “deusa da democracia”. Será que eles estavam reconhecendo algo que nós, como nação, temos falhado em reconhecer? Eu creio que sim!
Publicamos um artigo sobre o assunto na revista Notícias de Israel (em inglês) de julho de 1989, e cito partes do artigo aqui:

Manifestantes ao redor da escultura da Deusa da Democracia na praça Tiananmen, Beijing, 30 de maio de 1989.

  A esperança por democracia e a tragédia que se seguiu foram alardeadas pela mídia em detalhes. Qual é a importância disso a partir da Palavra profética? Geograficamente, a China está diretamente ao oriente de Israel. Sua participação no cenário dos tempos finais está descrita em Apocalipse 16.12: “Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol”.
Embora a China seja um país comunista, eles se separaram do comunismo soviético sob a liderança de Mao Tse Tung. Isso não chegou a ser uma surpresa para os que estudam a Bíblia, porque a China não é categorizada dentro da confederação do norte mencionada pelo profeta Ezequiel, nos capítulos 38 e 39. A China pertence à confederação dos reis do Oriente e, portanto, ao império mundial que está presentemente surgindo na Europa.
Enquanto os levantes nos países do antigo bloco soviético se basearam exclusivamente em razões materialistas e nacionalistas, o levante na China foi diferente porque ele incluiu um fervor religioso conforme claramente expresso na “Deusa da Democracia”.40

Democracia em Marcha

Enquanto isso, nós experimentamos a queda do muro de Berlim, o símbolo que separava o Oriente do Ocidente, e o comunismo do capitalismo. Agora, mais do que nunca, à medida que testemunhamos a democracia se movendo rumo ao Oriente, ao invés do comunismo se movendo rumo ao Ocidente, como por tanto tempo tememos, considera-se que ela é a resposta absoluta a todos os problemas do mundo.
Quem poderá estar no caminho da democracia? Alguns anos atrás, o comunismo era, quem sabe, o sistema mais poderoso do mundo. Geograficamente, mais da metade do nosso planeta e cerca de 65% da sua população era governada por ele.
 Nós experimentamos a queda do muro de Berlim, o símbolo que separava o Oriente do Ocidente, e o comunismo do capitalismo
Agora, com esse perigo à liberdade capitalista não sendo mais uma ameaça real, a democracia está no palco, na frente e bem no centro. É o novo poder do mundo. Estamos nos aproximando da época em que ninguém, absolutamente ninguém, será capaz de se opor à democracia.
Aqui somos relembrados de Apocalipse 13.4: “Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela?”
Embora nos regozijemos com o fato de que nossos irmãos e irmãs no Senhor na Europa Oriental podem agora ter comunhão com maior liberdade, e estejamos contentes pela liberdade que eles agora têm de viajar para o Ocidente, não podemos permitir que esta alegria nos cegue para o novo perigo que se aproxima. O perigo que agora parece ser tão positivo é um mundo unido sob a democracia.
Mas quem, em sã consciência, poderia se opor a tal progresso? Qual é o problema da fraternidade universal, da unidade global, da paz e da prosperidade? Superficialmente, nada, mas aqueles que diligentemente estudarem as Escrituras saberão exatamente para onde esse desenvolvimento conduzirá.
Virtualmente desde o princípio, os homens têm esperado pela pessoa certa, com o sistema certo, que haverá de conduzir a uma paz e harmonia universais. Mas, os homens têm desejado que isso aconteça em seus próprios termos. Será que a paz e a prosperidade são realisticamente possíveis em nossos dias? Sem hesitação eu responderia “Sim!” Não apenas a paz é possível, mas essa paz poderia vir porque ela foi profetizada pelas Sagradas Escrituras. Sim, haverá paz num nível ainda não conhecido e ela inundará o mundo de tal forma que toda a oposição será eliminada.
No auge do sucesso, entretanto, ela assumirá uma identidade diferente. A máscara cairá e a sua verdadeira natureza será revelada. Ela não apenas se moverá horizontalmente, ou seja, globalmente, mas também se moverá verticalmente, porque os homens vão querer tornar-se como Deus.

A Democracia não Pode Mudar o Coração Maligno

O sucesso da democracia é baseado no intelecto humano. Mas o homem continua tão maligno quanto sempre foi: “ Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).
Sabemos o que aconteceu com os dois primeiros filhos de Adão e Eva. Houve uma discussão e um matou o outro. Desde aquela época, irmão tem guerreado contra irmão. Com absoluta certeza, podemos saber que esse tipo de conflito haverá de continuar. Guerras e rumores de guerra, discussões, insatisfação e rebelião não cessarão até Jesus voltar novamente. Apenas Ele trará a verdadeira paz.
Não devemos esquecer que os sistemas dos governos do mundo, passados ou presentes – quer ditadura, monarquia, democracia, socialismo ou comunismo –, todos prometeram uma vida pacífica e melhor. O alvo de quase todos os políticos jamais mudou – de fato, eles sempre prometeram ao povo: “Paz e prosperidade para o nosso povo, se me eleger...”
Por que, então, temos tantas guerras? A origem da guerra está localizada no ódio. Esse ódio ainda não foi eliminado. Ele ainda está profundamente arraigado no coração de cada pessoa neste mundo, menos das pessoas que foram compradas pelo sangue do Cordeiro, o Senhor Jesus Cristo. Só então o indivíduo tem a paz verdadeira que excede todo entendimento, e é capaz de vencer o ódio que satura a mente humana.

Ditadura Democrática

O perigo da democracia reside no fato irônico de que ela, em última análise, não tolerará qualquer oposição. A nova democracia mundial dos últimos dias virá a ser, com efeito, uma ditadura mundial.

Encontramos as seguintes definições na parte de “Citações Populares” do Dicionário Enciclopédico Webster da Língua Inglesa:
Democracia simplesmente significa a ameaça do povo, pelo povo, para o povo.
Winston Churchill, o grande estadista britânico, confessou que:
A pior forma de governo é a democracia, mas ela é a melhor que temos.
O que tenciono destacar é que a alegria inebriante que está sendo expressa hoje, devido ao sucesso da democracia, não é, na realidade, motivo para regozijo. Em Apocalipse 16.13-14 lemos o que conduzirá ao fim: “Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso”. Os “espíritos imundos” estão operando poderosamente hoje pelo mundo todo.
Pela primeira vez na história da humanidade, tornou-se possível que um sistema mundial fosse implementado para que a profecia bíblica seja cumprida, o que clara e distintamente nos diz que o mundo todo haverá de se unir. Mas esse não é o alvo final. No fim, um mundo unido há de se preparar para a batalha contra Deus.
A olho nu isso não é visível hoje. Ninguém está falando a respeito de se lutar contra Deus. Nenhuma pessoa em sã consciência sequer chegaria a pensar nisso. Mas as Escrituras que acabamos de ler afirmam categoricamente que os atos miraculosos realizados nas nações do mundo terão um alvo específico: o ajuntamento contra o Deus Todo-Poderoso.

A Batalha do Cristão

Hoje, mais do que nunca, os cristãos precisam se certificar de que sua posição é a de espectadores olhando para o campo político, e não a de competidores com os pagãos. Nosso alvo é servir ao Senhor ressurreto e exaltado, espalhando o Evangelho libertador, e preparando-nos para a volta dEle.
 amais os cristãos devem se degradar ao ponto de serem atraídos para as coisas que pertencem a este mundo. Nós não devemos crer que estamos no comando, e que através de nossa atitude poderemos produzir paz mundial, justiça e prosperidade.
Sabemos, com certeza absoluta, que Deus está no controle do mundo. Ele elege presidentes, primeiros-ministros, reis e outros funcionários de governo.
Nossa batalha, entretanto, é bem mais importante do que meramente controlar ou influenciar o sistema político. Já que nossa batalha claramente não é contra carne e sangue, o apóstolo Paulo afirma: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12). (Arno Froese - http://www.chamada.com.br)