quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Sofrimento


 

Como encarar momentos de sofrimento?


Daniel Lima

Como você imagina Jesus em um corpo glorificado? Imagino que, como eu, você imagina um corpo que brilha, roupas brancas e uma aparência sobrenatural; afinal, ele surgia e desaparecia conforme desejava! No entanto, lendo os relatos dos evangelhos, fui surpreendido por um detalhe importante: ele trazia suas cicatrizes. De alguma forma isso me pareceu contraditório. Um corpo glorificado trazendo as marcas de suas tortura e morte?

Refletindo sobre isso, li um texto de Macrina Wiederkehr, onde ela escreve:

Quando Jesus ressuscitou, suas feridas ainda eram visíveis. As cicatrizes podiam ser vistas ali, bem no meio da glória. Se minha vida deve ser moldada à vida de Cristo, por que isso seria diferente em mim?[1]

A realidade é que lidamos muito mal com nossos sofrimentos. Eu por exemplo reconheço que é por meio de períodos de sofrimento que o Espírito produz em mim algumas transformações que eu não sei como seriam possíveis de outra forma. Após um período de dor, de confusão, mesmo de reclamação a Deus, eu chego num novo lugar. Um lugar de entendimento, de quebrantamento, de nova adoração ao meu Senhor. Ainda assim, eu não teria voluntariamente escolhido este período de sofrimento. Mesmo após compreender a transformação que este “deserto” me trouxe, eu ainda o evitaria.

Por isso somos levados ao deserto pelo Espírito (Mateus 4.1). É no deserto que aprendemos a abrir mão de coisas inúteis, de vaidades e de sonhos que, apesar de parecerem tão belos, são na verdade cadeias que nos escravizam. É no deserto que Cristo se torna meu bem maior. Davi expressa isso no Salmo 16.1-2:

Protege-me, ó Deus, pois em ti me refugio. Ao Senhor declaro: “Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti”.

Ao atravessarmos momentos de dor e confusão, momentos em que parece que todo o nosso mundo ruiu, então começamos a vislumbrar algo muito mais belo. Começamos a ver relances do mundo que Deus deseja construir em nossa vida. Assim, as cicatrizes não contrastam com a glória, mas aprofundam a perspectiva dela. São como símbolos que nos lembram de uma época em que éramos escravos e do preço que foi pago para nossa liberdade.

As cicatrizes não contrastam com a glória, mas aprofundam a perspectiva dela. São como símbolos que nos lembram de uma época em que éramos escravos e do preço que foi pago para nossa liberdade.

Paulo expressa esse entendimento em Colossenses 1.24:

Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja.

Ele não era masoquista de se alegrar com sofrimentos. Sua alegria estava no privilégio de participar dos sofrimentos de Cristo em favor de outros. Suas cicatrizes de açoites, de apedrejamentos, de prisões, naufrágios e outros sofrimentos não eram um prazer em si. (Nem tampouco eram motivo de orgulho para mostrar sua resiliência.) Sua alegria estava em participar dos sofrimentos de Cristo em favor da igreja.

Também em Filipenses 3.10-11, após declarar que abriu mão de suas credenciais anteriores, ele volta a expressar o mesmo conceito:

Quero conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

Assim, meu irmão, minha irmã, não devemos temer os momentos difíceis, as provações. Eles são oportunidades únicas de crescimento. Sim, serão doloridos e eu não anseio por eles. Ao mesmo tempo, sei que me libertarão do meu velho homem, gerarão a transformação que tanto desejo, vão – enfim – realizar o que Paulo nos exorta em Colossenses 3.5: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês...”. Ao final, quando formos feitos semelhantes a ele (1João 3.2), nossas cicatrizes serão preciosas lembranças da jornada pela qual nos conduziu nosso Senhor.

  1. Macrina Wiederkehr, Seasons of Your Heart: Prayers and Reflections, ed. rev. (Nova York: HarperOne, 1991).

domingo, 15 de novembro de 2020

JESUS IS HOLY || VIOLIN || 30 MINUTE INSTRUMENTAL ( JESUS É SANTO) INSTRUMENTAL


SALMO  100
Exorta-se toda a criatura a celebrar o Senhor

Salmo de louvor

1  CELEBRAI com júbilo ao SENHOR, todas as terras.
2  Servi ao SENHOR com alegria; e entrai diante dele com canto.
3  Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto.
4  Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome.
5  Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

ENCONTRE SUA VERDADEIRA IDENTIDADE - Douglas Gonçalves


Seja uma cópia de Jesus. Sua verdadeira identidade está NELE.
Pare de procurar em alguém ou em algum lugar o que está dentro de você mesmo.
(...) o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações(...) CRISTO em vós, a esperança da GLÓRIA. ( Colossenses 1: 26a e 27b)

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Humilhação

Exaltação ou humilhação?

O caminho para a vida eterna não passa pela autoglorificação humana, mas única e exclusivamente pela cruz de Cristo, que (afinal) é também a nossa cruz.


Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará’.” (Mateus 16.24-25)

Além do versículo acima, podemos ler algo semelhantes nas seguintes passagens da Escritura Sagrada: “Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mateus 23.12). João Batista fala de Jesus: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3.30). O apóstolo Paulo escreve: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...” (Gálatas 2.20). E: “Quem semeia para a sua carne da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito do Espírito colherá a vida eterna” (Gálatas 6.8).

Diante da busca humana por autorrealização, é difícil imaginar um contraste maior do que aquele que encontramos nessas passagens. O caminho da autorrealização do homem é o caminho da perdição, pois ele, na busca da autoglorificação, contorna o caminho da cruz. O caminho para a vida eterna, no entanto, não passa pela autoglorificação humana, mas única e exclusivamente pela cruz de Cristo, que (afinal) é também a nossa cruz. Como já falamos anteriormente, uma nova variante para a teologia da glória (theologia gloriae) atualmente reprimiu drasticamente a teologia da cruz (theologia crucis). Nela se encontra o maior engano e a maior culpa das ideologias da autorrealização.

O caminho para a autoexaltação é o caminho de Satanás (Mateus 4.8-11), no entanto, o caminho para a humilhação própria é o caminho de Jesus (Filipenses 2.5-8). O caminho de Satanás está impregnado de autopromoção, egoísmo, arbitrariedade e na fé em si mesmo; o caminho de Jesus é caracterizado por autodoação, amor ao próximo, consideração e pela fé em Deus. O caminho de Satanás é o caminho largo que conduz à perdição; o caminho de Jesus é o caminho estreito, que conduz à vida eterna (Mateus 7.13-14). Quando chamadas pelo nome, as coisas ficam drásticas; mas somente assim fica clara a seriedade da decisão que devemos tomar diante dos dois caminhos!

Por qual dos caminhos você decide seguir?
Se busco só por mim mesmo, só a mim mesmo encontrarei,
Exceto se a mim mesmo num outro alguém eu encontrar.
Se busco a realização para o meu “eu” somente,
Para os outros totalmente inútil vou ficar.
Serei de fato eu mesmo se realmente me tornar
Alguém que perde seu “eu” e deixa Cristo reinar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Desanimado


 

Quando Deus se encontra com o desanimado

Daniel Lima

Desânimo é algo surpreendente. Ele surge de modo inesperado, se infiltra em nossas vidas e suga nossa motivação. A princípio, reagimos investindo mais energia, nos cobramos mais, tentamos ser mais fortes e perseverantes. No entanto, pouco a pouco, mesmo essas resoluções caem em terreno estéril; falta energia, as cobranças nos deprimem, e nossas forças se esvaem. Existem muitas razões para o desânimo. Aparentemente, ele não se baseia em resultados de nossos esforços, mas tanto em fatores biológicos e químicos quanto em expectativas e perspectivas de vida.

A Bíblia nos relata uma história sobre um encontro de Deus com Elias quando este estava profundamente desanimado. O relato está em 1Reis 19, mas, logo antes, no capítulo 17 lemos que Elias falou que não haveria chuva em Israel. A seca se prolongou por três anos. Lemos no capítulo 18 que, mais uma vez obedecendo ao Senhor, Elias se apresenta a Acabe e o chama para um desafio entre ele e os profetas de Baal. O resultado conhecido foi uma vitória espiritual. Ao final da experiência é possível que Elias tenha entendido que estava diante de um avivamento em Israel. Primeiro, o povo declarou que “o Senhor é Deus!” (1Reis 18.39). Depois, os profetas são eliminados. Por fim, o próprio rei Acabe parece assumir uma atitude submissa quando Elias lhe dá instruções para comer e beber, pois ele já ouvia o barulho de chuva. Elias estava se baseando tanto na promessa de Deus quanto em sua própria expectativa.

Não seria um exagero supor que Elias estava no auge de seu entusiasmo. No entanto, o avivamento não havia chegado. Havia Jezabel. Esta mulher é descrita como uma mulher perversa, idólatra, opressora, manipuladora e perseguidora daqueles que temiam a Deus. O rei Acabe é descrito como um marido que não sabia ou não queria tomar uma atitude quanto à sua esposa. Chegando em casa, ela ouve o que aconteceu e o resultado foi o contrário do que Elias imaginava:

Por isso Jezabel mandou um mensageiro a Elias para dizer-lhe: “Que os deuses me castiguem com todo o rigor, se amanhã nesta hora eu não fizer com a sua vida o que você fez com a deles”. Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. (2Reis 19.2-3a)

Este é momento que parece que algo se partiu no coração de Elias. O mesmo homem que enfrentou o rei dizendo que não choveria, que enfrentou 850 profetas malignos e depois os matou, que correu adiante do carro do rei teve medo agora diante de uma ameaça de uma rainha iníqua. Não só fugiu, como desistiu de sua vida. Após caminhar só por um dia, ele se senta sob uma árvore e pede sua própria morte. Primeira Reis 19.4b diz que Elias orou: “Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor do que os meus antepassados”.

É natural que o desânimo se instale logo após profundas experiências espirituais, seguidas de fortes decepções. Talvez você já tenha passado por isso. Eu sei que eu já passei. Parece que Deus fez algo fantástico, estamos no limiar de um grande mover de Deus e, de repente, surge uma grande decepção, uma traição, frustrações se acumulam e você começa a se perguntar se Deus realmente pode fazer algo, se vale a pena continuar lhe servindo, se seu tempo não acabou.

É natural que o desânimo se instale logo após profundas experiências espirituais, seguidas de fortes decepções.

A resposta de Deus para estas situações, descrita em 1Reis 19.5-18, não é só surpreendente, mas cheia de misericórdia e amor. Deixe-me alistar:

  1. Deus o alimenta e o faz descansar (versos 5-7);

  2. Deus o leva a uma local deserto e especial (versos 8-9);

  3. Deus pergunta o que ele faz ali (verso 9b);

  4. Diante de suas queixas, Deus lhe dá uma pequena amostra de seu poder (versos 10-13);

  5. Aparentemente Elias continua com suas queixas (verso 14). Mas Deus não o descarta do ministério;

  6. Ele o chama para ungir futuros reis (versos 15-16a);

  7. Ele o chama para encontrar um companheiro de ministério (verso 16b);

  8. Ele revela seu plano e que ainda mantém um remanescente fiel (versos 17-18).

Não sei como você está. Tenho vários amigos que têm enfrentado o desânimo. Eles, após longos períodos de ministério fiel, começam a achar que não fazem diferença, que são descartáveis, que seu tempo passou. Se você está enfrentando uma fase assim, eu quero encorajá-lo. Quem sabe você medita sobre este relato na história de Elias. Quem sabe você não precisa de um tempo de descanso, de retiro espiritual, de ouvir a Deus. Você certamente precisa de companheiros de ministério e precisa vislumbrar o que Deus tem feito e vai fazer. Minha oração sincera por você e por mim é que, em meio a períodos de desânimo, a presença de Deus seja ao mesmo tempo poderosa e íntima. Isaías 57.15 diz:

Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: “Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito”.