quinta-feira, 29 de junho de 2017

A Arca da Aliança e Jesus


A Arca da Aliança e Jesus

Britt Gillette
Sendo a Palavra confirmada de Deus, a Bíblia é o maior livro já escrito. Uma das muitas razões para isso é o número espantoso de profecias específicas cumpridas que ela contém. E, muitas dessas profecias dizem respeito à vida e aos tempos do Messias. Por exemplo, o livro de Daniel predisse o momento exato da chegada do Messias com 483 anos de antecedência (veja Daniel 9.25).
O livro de Zacarias previu a traição de Cristo por 30 moedas de prata (Zacarias 11.12), e Miquéias predisse que o local do nascimento do Messias seria Belém (Miquéias 5.2). As Escrituras contêm dezenas e dezenas de profecias messiânicas como estas, todas apontando para um Homem – Jesus de Nazaré.
Mas, você sabia que a Bíblia contém ainda mais evidências da autoridade divina de Jesus? Apesar da probabilidade remota dEle cumprir apenas algumas dezenas, as profecias messiânicas apenas arranham a superfície do que a Bíblia tem a dizer sobre o Messias. Na verdade, se as afirmações de Jesus forem verdadeiras (e elas são!), todo o Antigo Testamento aponta para Ele. Isso mesmo, todo o Antigo Testamento.

O Antigo Testamento

Infelizmente, quando se trata de estudar a Bíblia, muitos cristãos negligenciam o Antigo Testamento. Claro, eles podem ler Gênesis, Salmos e Provérbios. Em sua maioria, porém, os cristãos consideram os outros livros do Antigo Testamento como chatos ou irrelevantes.
No entanto, nada poderia estar mais longe da verdade! Pois, um estudo cuidadoso do Velho Testamento revela o plano mestre de Deus para enviar um Salvador cuja vida seria dada como oferta pelo pecado (Isaías 53).
Em referência ao que chamamos o Antigo Testamento, Jesus disse: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39). Jesus também disse que não veio abolir a lei ou os profetas, mas para cumprir o seu propósito (Mateus 5.17).
E, após Sua ressurreição, Ele explicou como as Escrituras apontavam para Ele mesmo (Lucas 24.27), como tudo que estava escrito sobre Ele na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos tinha de ser cumprido (Lucas 24.44).
Ao fazer isso, Jesus não estava se referindo apenas às profecias messiânicas. Ele também estava lembrando as histórias, os símbolos, as leis, os costumes e outros elementos do Antigo Testamento. Porque todos os aspectos do Antigo Testamento apontam para Jesus.
Como declara o livro de Hebreus, “...a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas” (Hb 10.1a). Em outras palavras, a lei e os profetas nos deram um vislumbre da vida, morte e ressurreição de Jesus.
E um desses lampejos é descrito no livro do Êxodo. Trata-se da Arca da Aliança.

A Arca da Aliança

Durante o êxodo do Egito, Deus instruiu os israelitas a construirem uma caixa conhecida como a Arca da Aliança. Mas Deus não disse apenas: “Vamos lá, construam uma caixa”. Ele forneceu instruções detalhadas e específicas sobre como a caixa era para ser feita.
E, sabe de uma coisa? Quando você estuda Suas instruções, você verá que elas servem para fazer uma só coisa: glorificar o nome de Jesus Cristo.
A descrição da Arca de Deus é encontrada no livro do Êxodo. Lá, Ele revela suas dimensões, como carregá-la, e o que colocar dentro dela. Ele instrui os israelitas a fazer a cobertura da Arca (que Ele chama de “propiciatório” ou “lugar de expiação”) de ouro puro. Sobre este, eles devem montar dois anjos feitos de ouro puro e colocá-los em ambos os lados, um de frente para o outro, e olhando para baixo sobre o propiciatório (Êxodo 25.18-20).
Ele então os instrui a colocar dentro dela as tábuas de pedra inscritas com os Dez Mandamentos. Aprendemos mais tarde que a Arca também continha o bordão de Arão que floresceu, bem como uma urna contendo o maná (Hebreus 9.4).
Em seguida, Deus instruiu os hebreus a fazerem uma cortina especial e a colocarem a Arca da Aliança por trás dela. Esta cortina era para separar o Lugar Santo do Santo dos Santos (Êxodo 26.33), e simboliza a barreira que o pecado cria entre a humanidade e o Criador.
No Santo dos Santos, o próprio Deus estava presente em uma nuvem sobre o propiciatório (Levítico 16.2; Números 7.89). Este era o lugar onde o sumo sacerdote aspergia o sangue de um sacrifício para expiar os pecados do povo (Levítico 16.14-15).
Enquanto os israelitas provavelmente não entenderam o propósito de todas estas instruções, o objetivo de Deus foi revelado mais tarde na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Tudo aponta para Jesus

Jesus disse: “as Escrituras... testificam de mim” (João 5.39). E as instruções de Deus para a concepção e a utilização da Arca da Aliança não são exceção. Basta estudar os relatos dos Evangelhos, e você vai perceber como é verdade que tudo nas Escrituras aponta para Jesus.
Vamos começar com o conteúdo da Arca. Um dos itens encontrados no seu interior era uma urna de maná (Hebreus 9.4). Maná foi o pão do céu que Deus forneceu aos hebreus enquanto vagavam pelo deserto (Êxodo 16). Este é um símbolo de Jesus, que é o verdadeiro Pão da Vida.
O próprio Jesus disse: “...não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá. Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo” (João 6,32-33).
A Arca também continha a vara de Arão que brotou (Hebreus 9.4). Você se lembra da história da vara de Arão? Deus tinha mandado Moisés colocar doze bordões de madeira (representando as doze tribos de Israel) na frente da Arca. Em cada bordão estava escrito o nome do líder da sua tribo, e Deus prometeu que o cajado do homem que Ele escolheria para servir como sumo sacerdote floresceria (Números 17.1-8).
A presença da vara de Arão na Arca é adequada, uma vez que Jesus serve como nosso Sumo Sacerdote (Hebreus 4.14-15). Como Sumo Sacerdote, Jesus se aproximou de Deus em nosso nome e ofereceu um sacrifício de sangue para expiar nossos pecados.
Mas aqueles não eram os únicos itens na Arca. Ela também continha as tábuas de pedra inscritas com os Dez Mandamentos (Hebreus 9.4). Este é um símbolo da dedicação que Jesus teve à lei. Ao contrário do que alguns acreditam, Jesus não veio abolir a lei, mas cumpri-la (Mateus 5.17).
Isaías disse que o Messias iria exaltar e honrar a lei (Isaías 42.21), e Paulo descreveu como Jesus nos resgatou da maldição pronunciada pela lei, porque, quando Ele foi crucificado, tomou sobre si a maldição por nossos erros (Gálatas 3:13).
No entanto, não é apenas o conteúdo da Arca que aponta para Jesus e glorifica Seu nome. O desenho da própria Arca aponta para Ele.
Chorando fora do túmulo vazio, Maria Madalena olhou para dentro e viu dois anjos – um assentado onde estivera a cabeça de Jesus e o outro assentado onde os pés de Jesus tinham estado (João 20.12). Será que isso parece uma imagem familiar? Deveria.
Lembre-se, Deus ordenou que os hebreus colocassem dois anjos em extremos opostos na tampa da Arca. Estes dois anjos deveriam olhar para baixo sobre o propiciatório, também conhecido como “o lugar da expiação” (Êxodo 25.18-20). Foi precisamente o que Maria viu no túmulo vazio: anjos em extremidades opostas no lugar onde Jesus foi colocado para descansar – o verdadeiro propiciatório e local de expiação.
A Arca prenunciava a vinda de Jesus e os eventos que cercam Sua ressurreição. Jesus foi o sacrifício final. Como nosso Sumo Sacerdote, Ele entrou no Lugar Santíssimo e assegurou nossa redenção para sempre com o seu próprio sangue, em vez do sangue de animais (Hebreus 9.12).
Quando Jesus fez isso, a cortina do templo que separava o Lugar Santo do Santo dos Santos se rasgou em duas, de alto a baixo (Mateus 27.51). O pecado já não separava os homens de Deus, porque, uma vez por todas, Jesus veio e tirou nossos pecados, dando Sua própria vida como um sacrifício santo (Hebreus 9.26). — Britt Gillette

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Desnutrição Profética

Desnutrição Profética

Steve Schmutzer
Quão bom seria o desempenho do seu carro se você removesse dele uma das suas rodas? Você se sentaria em uma cadeira que estivesse sem uma das pernas?
Essas perguntas podem parecer absurdas, mas cada uma tem algo em comum com a outra. Em cada caso, 25% de alguma coisa importante está faltando. E, em cada cenário, você estaria correndo riscos caso se contentasse com menos do que o todo. Nenhuma pessoa razoável teria disposição para escolher se colocar nessas situações.
Então, por que escolhemos considerar a Bíblia de modo diferente do que consideraríamos o carro e a cadeira? Vou fazer a mesma pergunta de outra maneira, mas com maior relevância: “Por que tantos pastores, mestres e ‘líderes cristãos’ escolhem ignorar, ultrajar, abrandar e interpretar mal 25% da Palavra de Deus, os quais representam as Escrituras proféticas?”.
Aqui estão alguns fatos convincentes a serem considerados, da Encyclopedia of Biblical Prophecy [Enciclopédia de Profecia Bíblica], de J. Barton Payne:
  • Há 1.239 profecias no Antigo Testamento e 578 profecias no Novo Testamento, formando um total de 1.817 profecias.
  • Estas profecias estão escritas em 8.352 versículos da Bíblia.
  • Como há 31.124 versículos na Bíblia, os 8.352 versículos que contêm profecias constituem 26,8% do volume da Bíblia.
Portanto, estou sendo conservador. Na verdade, as profecias são mais de 25% da Palavra de Deus!
Por toda a Bíblia há temas proféticos. Ela é profética no seu começo, em Gênesis 3, quando foi predito o conflito entre o descendente da mulher e a semente da serpente.
E ela é profética até o final do Apocalipse, quando o reino de Cristo é previsto para toda a eternidade. As Escrituras proféticas dominam tanto a Bíblia inteira que é impossível evitá-las, a menos que se mude intencionalmente a caminhada pelas páginas dela, da mesma forma que alguém evita pisar em ranhuras nas calçadas.
Se formos um pouco mais fundo, descobriremos mais coisas para pensarmos. Mais de 1.500 das profecias da Bíblia são dedicadas à Segunda Vinda de Cristo. Para cada profecia no Antigo Testamento sobre a Primeira Vinda de Jesus, há oito sobre a Segunda Vinda dEle.
É aqui que acontece algo incrível. Se a Bíblia faz da profecia uma prioridade, também nós devemos fazer dela uma prioridade. Se uma ênfase do Novo Testamento é a Segunda Vinda de Cristo, também devemos fazer disso uma ênfase. Se os temas proféticos surgem a todo momento por toda a Palavra de Deus, deveríamos ver temas proféticos temperando muitos de nossos sermões e ensinos.
Mas não é isso que fazemos.
Nem sempre é assim, e podemos ver o exemplo de Paulo no caso em questão. Conhecemos Paulo como o perseguidor dos primeiros cristãos que se converteu, e como o agente através do qual o Espírito Santo escreveu a maior parte do Novo Testamento. Somos menos familiarizados com as atividades de Paulo durante suas viagens missionárias, mas é aqui que quero apontar algo importante.
Se uma ênfase do Novo Testamento é a Segunda Vinda de Cristo, também devemos fazer disso uma ênfase.
Diz respeito à igreja em Tessalônica, a qual Paulo visitou em sua segunda viagem missionária. Seu tempo com os tessalonicenses foi curto, como parece sugerir Atos 17.2. Paulo deu sequência à sua visita por meio das cartas a que chamamos de 1 e 2 Tessalonicenses, e é aí que o assunto fica interessante.
Chegou uma notícia a Paulo dizendo que ensinamentos apóstatas haviam sido espalhados na jovem igreja dos tessalonicenses, heresias que conflitavam com as coisas que ele lhes havia ensinado pessoalmente. O capítulo 2 de 2 Tessalonicenses vai direto ao problema, que era relativo à Segunda Vinda de Jesus Cristo. Paulo apresenta uma boa porção de alimento sólido e saudável neste capítulo, mas faz uma pergunta em 2 Tessalonicenses 2.5: “Não se lembram de que, quando eu ainda estava com vocês, costumava lhes falar essas coisas?” (NVI).
É fácil não prestarmos a devida atenção às condições desta situação, mas eis algo importante:
  • A igreja de Tessalônica era nova na fé e em sua organização.
  • Paulo não tinha passado muito tempo com eles, mas usou o pouco que tinha para enfatizar o tema da profecia.
  • Especificamente, Paulo ministrou àqueles cristãos primitivos sobre a Segunda Vinda de Cristo, sobre o Anticristo, sobre o Arrebatamento e sobre a Grande Tribulação.
Está na hora de uma checagem da realidade. Esta era uma igreja jovem, certo? Sim. E os crentes enfrentavam perseguição externa e desacordo interno, exatamente como os crentes hoje em dia, certo? Certo. E a congregação estava tentando ministrar conforme as necessidades dos de dentro e dos de fora da fé, certo? Pode apostar que sim.
Então, o que acontece com esta ênfase nas profecias? Não deveria Paulo ter se concentrado na comunidade cristã, no amor de Jesus, no dízimo com responsabilidade e no que significa de fato cuidar e se importar com as pessoas? Vamos pensar bem, será que ele tinha que falar sobre Escatologia? Não é este um assunto periférico, que não é realmente central à nossa fé? Será que ele não deveria ter enfatizado Jesus, já que, de uma maneira ou de outra, tudo gira mesmo em torno de Jesus?
Talvez seja a igreja da atualidade que precise aprender alguma coisa com a igreja dos dias passados. Nossos pastores, mestres e “líderes cristãos” seriam mais sábios se aprendessem a dica que Paulo nos dá. Já está na hora de reintroduzirmos os 25% da Palavra de Deus divinamente inspirada em nossa dieta regular.
Tenho que ser brutalmente honesto aqui. Fico alarmado com a postura da igreja em geral com relação à Palavra Profética de Deus. Em uma demonstração desprezível de 2 Pedro 3.4, a igreja mediana de hoje duvida e faz pouco das doutrinas que Paulo considerava vitais para a fé de um crente e para a saúde da congregação. (“Eles dirão: O que houve com a promessa da sua vinda? Desde que os antepassados morreram, tudo continua como desde o princípio da criação” – 2 Pedro 3.4.)
Descrita em Apocalipse 3.15-20, a Igreja atual está cega para seu próprio prognóstico. Ela se vacinou contra o recebimento da verdade completa, permitindo que somente uma parcela da verdade tenha algum efeito.
Estou preocupado que tenhamos permitido que o bom se torne inimigo do melhor. Para repetir a expressão que usei anteriormente, é comum ouvirmos: “Mas tudo gira mesmo em torno de Jesus”. Este é um raciocínio padrão que muitos repetem como papagaios quando são confrontados por questões espirituais que desafiam suas preferências pessoais e suas zonas de conforto.
Não vou discutir aqui a essência de tal raciocínio, mas vou oferecer uma perspectiva que alguns que são ligeiros para abraçá-lo não consideraram. Em Apocalipse 19.10, lemos: “O testemunho de Jesus é o espírito de profecia”. Vamos dizer isto de outra maneira: a profecia é projetada para revelar a Pessoa e a Divindade completas de nosso Senhor Jesus.
A profecia é projetada para revelar a Pessoa e a Divindade completas de nosso Senhor Jesus.
Este é um problema para qualquer pessoa que justifique colocar as doutrinas proféticas lá atrás para que, em vez de tratar delas, possa “se concentrar em Jesus”. É problemático para tais pessoas dizerem: “Tudo gira mesmo em torno de Jesus”, porque isto as incrimina.
Elas não conseguem maximizar seu relacionamento com Deus quando se recusam a entendê-lO completamente, da maneira que a revelação inteira da Bíblia pretende que o façam. É como termos um bando de “amigos” no Facebook. Dizer que eles são seus amigos dificilmente significa que você compartilha com eles um relacionamento que verdadeiros laços de amizade exigem.
Vou fechar o círculo aqui e terminar. Os 25% das Escrituras que são proféticos revelam de forma inigualável a Pessoa, os planos e o propósito de Jesus Cristo. Como tal, foram divinamente projetados para serem uma parte vital na dieta espiritual do crente. Qualquer outra escolha resulta na desnutrição espiritual e num relacionamento superficial com nosso Senhor e Salvador.
Assim como Paulo percebeu que o relacionamento de uma pessoa com Jesus vai deixar de lado uma grande parte de sua dimensão significativa se os planos futuros dEle e Seu retorno dramático no final dos tempos forem negligenciados, também nós seremos menos eficientes em relação às Boas Novas da salvação se não proclamarmos 100% do testemunho de Jesus. (Steve Schmutzer — www.raptureready.com — chamada.com.br)

domingo, 28 de maio de 2017

AÍ!


Ai!

Todo ramo... que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda” (João 15.2).
É algo impressionante andar entre as árvores coloridas do pomar num dia ensolarado de outono. O Criador permitiu o crescimento de uma grande variedade de frutas para nosso prazer. No entanto, após a colheita, chega o agricultor e poda os galhos. Vemos então as árvores desgalhadas e os parreirais com aspecto de que foram maltratados. E isso que há pouco eles produziram tanto, a ponto de quase suspirar sob o peso dos frutos em seus galhos. É algo incompreensível para um leigo!
Quem quiser produzir frutos em sua vida não consegue se escapar da poda. Não deveria ser motivo de estranhar se o Viticultor considera sua vida tão valiosa que aplica a tesoura para podar, para que produza ainda mais frutos. Pergunta-se, porém, se também os galhos produtivos mais úteis precisam ser podados?
O viticultor avalia cada ramo. Cada um. Sem exceção. Se ele estiver ligado à videira, ele a limpa. Nessa vida, a promessa de limpeza por meio de uma intervenção dolorosa é feita para os bons e não para os maus. O resultado dos recursos dolorosos é mais do que compensador. Se desejarmos produzir frutos para o Senhor Jesus, podemos estar tranquilos de que a mão amorosa e suave do nosso Viticultor celestial fará exatamente aquilo que for da amorosa vontade dele.
Não atente para os sussurros do inimigo dizendo que a mão do Viticultor seja muito brutal ao cortar. O olhar do Pai examina os galhos produtivos e ele aplica a eles a sua honra para que, ao final, somente ele seja glorificado. O Pai celestial é glorificado com mais frutos, e frutos permanentes! Aquele que em sua vida nunca sentiu a mão limpadora do Viticultor e que só espera dias bons e prazer precisa verificar em que tipo de ramo ele está enxertado.
De que maneira, porém, podemos produzir frutos? O segredo é a ideia: “Permaneçam em mim”. Quando iniciei minha vida cristã, muitas vezes eu cometia o erro de me preocupar com a qualidade do fruto ao invés de me concentrar na ligação íntima com a videira. Tentei muitas vezes viver de maneira agradável a Deus por meio de esforços carnais. Eu mesmo determinava o que seria um fruto bom. No entanto, eu sempre me desesperava com minha instável firmeza espiritual. O irmão Werner Heukelbach, que sofria de dolorosa Angina pectoris, certa vez orou de modo comovente: “Senhor Jesus, corte, corte mais fundo, separe aquilo que não te agrada”. Um irmão que o acompanhava disse em seguida que, ao ouvir essas palavras, ele sentiu como se uma ducha gelada escorresse em suas costas. E quanto o Senhor cortou! Quantas bênçãos resultaram desse ramo!
Você, no entanto, não precisa orar dessa maneira, pois o seu Pai celestial sabe muito bem o que pode exigir de você. A estrofe do cântico a seguir mostra o significado de viver em íntima ligação com a videira: “Olhe somente para Jesus, veja unicamente a sua face e as coisas do mundo obscurecerão e ficarão pequenas à luz da sua glória”. Assim, entregue a avaliação da sua situação confiadamente ao seu Pai celestial. Ele sabe das suas aptidões, sejam quais forem. O consolo contido nessa promessa de produzir frutos é tão grande que pode ser comparado à riqueza, saúde e honra.
Para Deus, um coração humilde é mais valioso do que ouro e prata.
Esteja tranquilo, pois seu Pai celestial também sabe das suas noites sofridas e de insônia. Ele sabe de suas lágrimas secretas. Ele conhece também os limites da sua capacidade de suportar cargas. Ele nunca colocará uma responsabilidade maior do que você consegue suportar. Em suas situações de sofrimento, ele tornará em realidade as suas palavras: “Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Coríntios 12.9).
Quando não conseguimos superar determinadas coisas, precisamos nos submeter a elas. O potencial da força da graça de Deus está à sua disposição. Para Deus, um coração humilde é mais valioso do que ouro e prata. E é nessa força de Deus que encontramos a vitória! — Manfred Paul

Manfred Paul é autor de muitos livros, folhetos e brochuras que foram distribuídos em mais de 30 países, encorajando milhões de pessoas. Casado há mais de 50 anos, tem 3 filhos e 10 netos. Foi Diretor e encarregado das missões da organização internacional Janz Team (agora TeachBeyond), em Lörrach, Alemanha. Por 24 anos foi evangelista e líder espiritual da missão Werner Heukelbach, onde pregou na Alemanha e no exterior. Também participou de transmissões de rádio em diversos países, como Alemanha, Rússia e Equador. Aos 76 anos, ele não pensa na bem merecida aposentadoria. Toda a sua vida está a serviço do Senhor Jesus Cristo.

Mundanismo: O Inimigo Das Orações (Tiago 4:1-10) - Augustus Nicodemus

VOX Quarteto - Medley HOMENAGEM ( Arautos, Athus, Cânticos, Communion )

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Quando Voltará o Noivo?




Norbert Lieth
No último livro da Bíblia o Senhor Jesus promete quatro vezes que virá sem demora (Ap 3.11; Ap 22.7,12,20). Quase dois mil anos depois, Ele ainda não voltou. Olhando para a história da Igreja e para a história dos judeus, veremos que tanto judeus como cristãos sempre depositaram suas esperanças em que o Messias viria em breve ou que Ele retornaria.
O sábio judeu Maimônides escreveu na Idade Média: “Creio com toda a convicção na futura vinda do Messias, e mesmo que ele demore, esperarei pela sua vinda a cada dia!”. Com cada nova onda de perseguição que vinha sobre os judeus “espalhados entre as nações”, da Espanha à Rússia, eles contavam firmemente que agora o Messias viria e que essa seria a última perseguição. Ao invés disso, muitas vezes as coisas só foram piorando até culminarem no Holocausto.
Da mesma forma, os cristãos sempre esperaram por seu Senhor. Durante a Inquisição católica, nos anos em que a peste espalhava o pavor, quando guerras terríveis devastavam as nações, quando ditadores oprimiam os povos e quando muitas outras coisas ruins ameaçavam os crentes, eles depositavam suas últimas esperanças na breve volta de seu Senhor. Um hino expressa assim essa expectativa: “Vem Jesus, ó Senhor, vem depressa reinar. Vem a paz e a justiça trazer. Criação, povo teu, tudo almeja o raiar, Desse dia de glória e poder”.
Mas até hoje o Senhor continua ausente. Sei de cristãos que, ao ficarem velhos, quase perderam a esperança pela volta de seu Senhor Jesus Cristo. Durante toda a sua vida contavam firmemente com o Seu retorno e acabaram seus últimos dias em um asilo. Isso os deixou inseguros quanto à sua esperança. Nossos pais e mães em Cristo acreditavam que Jesus voltaria ainda durante suas vidas. Até morrer, eles amaram a vinda do Senhor, pregaram sobre ela e oraram para que seu Senhor viesse logo... E então? Deus os decepcionou? Deus nos frustrou?

Depois de um longo tempo

É interessante: observando com mais atenção as passagens que profetizam a volta de Cristo, percebemos que existem indícios e indicações claras de que Ele voltaria somente depois de um longo tempo. Por exemplo:
  • Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.7-8).
  • Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles” (Mt 25.19).
  • A seguir passou Jesus a proferir ao povo esta parábola: Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a lavradores e ausentou-se do país por prazo considerável” (Lc 20.9).
  • E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mt 25.5).
O livro de Habacuque é profético e ao mesmo tempo profundo e rico em aconselhamento espiritual. Nele encontramos as respostas a perguntas que as pessoas fazem em todas as épocas: Por que existe o mal no mundo? Por que o mal parece triunfar? Onde está Deus? Por que Ele não interfere nos acontecimentos? Ele escuta o que se pede? Habacuque questionou a Deus fazendo as mesmas perguntas que todos nós temos:
Sentença revelada ao profeta Habacuque. Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida. (...) Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?” (Hc 1.1-4,13).
Não é extremamente atual essa acusação do profeta a Deus? Ao nosso redor impera a violência e o mal, a injustiça e a desordem. O mal parece desdobrar-se em milhares de facetas diferentes, dominando de forma brutal e inclemente, as leis parecem sem força para detê-lo... E onde fica Deus? Por que o Senhor ainda não voltou para acabar com tanta maldade?
É maravilhoso ver como Deus nos aconselha espiritualmente no livro de Habacuque. Ele não responde os questionamentos dizendo: “Você não tem vergonha de ficar fazendo esse tipo de pergunta? De ficar fazendo acusações? De achar que tem razão!?”. Não! Ele não faz assim! Deus manda registrar as perguntas de Habacuque nas Sagradas Escrituras para estarem disponíveis a todas as gerações depois dele. Podemos perguntar a Deus. E quando perguntamos, Ele responde!
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O Senhor me respondeu e disse: ...” (Hc 2.2). No decorrer desse livro profético, o Senhor vai dando diversas respostas a todos os questionamentos de seu servo. Gostaria de salientar apenas duas:
1. “Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada” (Hc 1.5).
Naquela época, Deus havia despertado os caldeus (babilônios) para usá-los na realização de Seus planos. Os caldeus são descritos como um povo inclemente, que fazia o que bem entendia, idolatrava seu próprio poder e exaltava sua própria força. Ainda assim, tudo estava completamente sob o controle do Todo-Poderoso: “porque realizo... obra tal”. Por meio dos caldeus, Deus modificou a geopolítica daquela época, deslocando forças e transferindo poderes. E os usou para trabalhar o caráter dos judeus e corrigir o povo de Israel. Assim, os caldeus serviram para realizar os planos de Deus em relação à futura vinda de Jesus Cristo ao mundo. Por exemplo, mais tarde, na Babilônia dos caldeus viveram grandes profetas judeus como Daniel ou Ezequiel. Dessa região vieram os magos do Oriente para ver Jesus, o recém-nascido Rei dos judeus (Mt 2). (Provavelmente tinham obtido suas informações nos registros do profeta Daniel). Ninguém teria imaginado que esse povo indomável, despótico e destruidor acabaria servindo aos planos de Deus e que até um homem como Nabucodonosor fosse obrigado a curvar-se diante do Deus de Israel. Todos os povos deveriam reconhecer que o Deus de Israel era e é o Deus verdadeiro.
Será que achamos que hoje é diferente? O que está acontecendo na Europa, na Ucrânia, no Oriente Médio estaria fora do controle de Deus? Talvez, neste momento, o seu próprio mundo particular esteja de cabeça para baixo! Você está numa situação difícil e não tem as respostas que precisa? Uma coisa é certa: para servir a um propósito específico foi que Deus permitiu ou até fez que alguma coisa acontecesse na sua vida. Deus tem um plano com tudo!
2. Eis que eu venho! “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará” (Hc 2.2-3).
Essas eram palavras anunciando o juízo para castigar os caldeus. O juízo certamente viria sobre eles, mesmo que as aparências dissessem o contrário. – Deus não vai ficar olhando a injustiça para todo o sempre; Ele intervirá, fará mudanças e trará justiça, mas tudo isso a seu tempo. Até lá todas as coisas servem para alguma finalidade específica.

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3.9).
Quando lemos o último livro da Bíblia também poderíamos dizer: “O Apocalipse foi registrado há muito tempo, mas até hoje ainda não se cumpriu”. Mesmo que tudo pareça contrário, mesmo que tenhamos dúvidas de que as profecias se cumprirão, tudo se realizará, inclusive o Apocalipse! O Senhor vem em nosso socorro com seus conselhos espirituais bem preciosos. “Sim, o Apocalipse ainda espera pelo tempo oportuno para se cumprir integralmente. Mas tudo o que está acontecendo no mundo se dirige inexoravelmente para o clímax. A profecia não nos engana. Ela virá e se cumprirá”. Está escrito: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Ap 1.3).
Porque a visão ainda está para cumprir-se...”. Quando o tempo da “revelação de Jesus Cristo” tiver chegado “já não haverá demora” (Ap 10.6). Nessa fase, o tempo da última grande tribulação estará se encaminhando para seu final, e isso se dará rapidamente: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João” (Ap 1.1). Aí Ele “depressa lhes fará justiça” (Lc 18.8). Sim, quando os eventos do Apocalipse tiveram começado, então o Senhor virá rapidamente: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias...” (Mt 24.29).
Até o momento de Sua manifestação, Deus, em Sua imensa graça, demonstra extrema paciência com os homens. Enquanto Ele espera e vai se revelando aos homens, vai salvando pecadores e edificando Sua Igreja. Pedro fala a esse respeito, enfatizando mais ou menos o mesmo que Habacuque: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3.9).
Inicialmente, Habacuque não conseguia entender seu Deus. Mas o Senhor respondeu suas perguntas, e repentinamente tudo passava a fazer sentido. Para Deus o tempo tem outras dimensões, mas o momento de Sua interferência certamente virá, e até lá o mundo não está largado à própria sorte. Todas as relações de poder, os equilíbrios de forças, os deslocamentos nos poderes políticos e todas as mudanças sociais fazem sentido. Deus se contém para não intervir imediatamente, dando tempo para salvar ainda mais pecadores. No entremeio, até que aconteça a intervenção divina, o justo viverá por fé (Hc 2.4). Na hora de Deus, acontecerá a Tribulação, quando o Senhor castigará as nações, aniquilará o Anticristo, salvará Israel e enviará Seu Ungido. Assim, no final tudo irá convergir para o grande triunfo e para a infinita vitória do Senhor, e todos os salvos O adorarão.
Como Igreja de Jesus, sabemos que o Senhor virá antes da última tribulação de juízo para buscar Seu corpo, cujos membros somos nós, para arrebatar-nos ao céu. Até lá vale para nós: “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará” (Hc 2.2-3).
Ele virá e não tardará! Maranata! (Norbert Lieth — Chamada.com.br)

Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional. Suas mensagens têm como tema central a Palavra Profética. Logo após sua conversão, estudou em nossa Escola Bíblica e ficou no Uruguai até concluí-la. Por alguns anos trabalhou como missionário em nossa Obra na Bolívia e depois iniciou a divulgação da nossa literatura na Venezuela, onde permaneceu até 1985. Nesse ano, voltou à Suíça e é o principal preletor em nossas conferências na Europa. É autor de vários livros publicados em alemão, português e espanhol.

terça-feira, 16 de maio de 2017

James H. Brookes


Um Pioneiro do Arrebatamento Pré-Tribulacionista

Thomas Ice
Muitos hoje ficam surpresos por verificar que a maioria dos defensores do pré-milenismo pré-tribulacionista dispensacional antes da Primeira Guerra Mundial pertencia aos círculos presbiterianos. James Hall Brookes (1830-1897), um ministro presbiteriano muito conhecido em seus dias, é considerado o pai do pré-tribulacionismo e do dispensacionalismo americanos. Brookes foi um dos primeiros a ensinar o Arrebatamento pré-Tribulação e as verdades dispensacionalistas que o acompanham, na América pós Guerra Civil. O ministério dele foi caracterizado pela dedicação a uma exposição bíblica versículo por versículo das Escrituras e por uma asserção e defesa firmes da inspiração completa e infalível da Escritura Sagrada. Ele foi um pastor muito amado, que demonstrava grande integridade pessoal e espiritualidade, e que exerceu muita influência nacional tanto dentro da denominação quanto por todo o âmbito evangélico.[1]

Vida Pregressa

Brookes nasceu no dia 27 de fevereiro de 1830, em Pulaski, no estado americano do Tennessee. Seu pai, um ministro presbiteriano, morreu de cólera em junho de 1833, deixando a família e James em uma situação financeira de pobreza. Ambos os avós de James eram também ministros presbiterianos. Brookes aparentemente tornou-se crente em Cristo com a idade de oito anos e também começou a se sustentar nessa mesma ocasião. Quando Brookes tinha 14 anos, foi-lhe oferecida uma designação na Academia Militar de West Point, mas ele não a aceitou porque, em vez disso, desejava se preparar para o ministério. A maior parte da educação formal de James até aos 14 anos foi ministrada por sua mãe, que era bem educada e capaz de oferecer uma excelente instrução escolar. Aos 16 anos, James se tornou professor em Pulaski, Tennessee, e economizou tanto dinheiro quanto lhe foi possível a fim de poder pagar seus estudos na faculdade.
James acabou começando sua carreira na faculdade com 20 anos e entrou na Universidade de Miami em Oxford, no estado americano de Ohio. Ele foi colocado em turma mais adiantada por causa de suas habilidades acadêmicas e de seu treinamento anterior. Durante seu último ano no curso de graduação, Brookes assumiu estudos adicionais no Seminário Presbiteriano Union de Oxford, Ohio, a fim de se equipar melhor para conseguir fazer seu treinamento ministerial em Princeton. Brookes se formou na Universidade de Miami em 1853 e entrou para o Seminário Teológico de Princeton em Nova Jérsei no mesmo ano. Ele não somente recebeu o diploma de graduação na Universidade de Miami, mas foi lá que encontrou sua esposa, Susan Oliver, filha de um proeminente médico. Diz-se que Susan era excepcionalmente bonita e bem educada, e que seria uma ótima esposa de pastor. Eles se casaram no dia 2 de maio de 1854, em Dayton, Ohio, onde Brookes se tornou pastor da Primeira Igreja Presbiteriana. James terminou seus estudos de pós-graduação no Seminário de Princeton, que naquela época era considerado o melhor e mais conservador seminário nos Estados Unidos. Em 1854, foi ordenado pelo seminário por conta de seus estudos de pós-graduação.

Vida Pastoral

De 1854 a 1858, Brookes pastoreou sua primeira igreja em Dayton. A seguir, ele foi chamado para pastorear a Segunda Igreja Presbiteriana, em Saint Louis, estado americano do Missouri. Em Missouri ele permaneceu até sua morte, em 1897. Quando a Guerra Civil irrompeu, no início dos anos 1860, uma série de acontecimentos levou Brookes a renunciar a seu cargo na igreja. Exatamente no dia seguinte, ele foi chamado a uma nova igreja e aceitou o chamado da Igreja Presbiteriana nas ruas Décima Sexta com Walnut, que foi onde ele serviu como pastor até sua morte. (Essa igreja mais tarde mudou e se tornou a Igreja Presbiteriana nas avenidas Washington e Campton.) A nova Igreja Presbiteriana cresceu rapidamente e passou a ser a maior e mais influente igreja em Saint Louis.
A pregação de Brookes era extremamente popular onde quer que ele falasse. Ele foi um pioneiro em seus dias, com sua ênfase na exposição da Bíblia em inglês em uma época que a maioria apresentava tratados teológicos nos púlpitos. Um dos autores que escreveu sua biografia observou que ele manteve essas visões mesmo enquanto estava no Seminário.
Ele também afirmava que os seminários teológicos não davam o devido valor à Bíblia em inglês. Ele, o defensor da Bíblia em inglês, sempre falava e não poupava esforços quando discutia sobre esse ponto. Ele disse que a média dos formandos do seminário “sabia demais sobre a Bíblia, mas não o suficiente da Bíblia”.[2]
Embora não negligenciasse o importante papel do grego e do hebraico para o expositor bíblico, Brookes proporcionou um grande legado que foi seguido, nos últimos 150 anos, pelos excelentes professores que ministravam versículo por versículo. Esta ênfase na Bíblia em inglês estava no coração dos fundadores do primeiro Departamento de Exposição Bíblica do Seminário Teológico de Dallas.

Ministério e Influência

É inquestionável que, durante a última terça parte do Século XIX, Brookes foi o mais famoso e influente ministro presbiteriano da América. Ele começou seu ministério literário nos anos 1860 e produziu no mínimo 26 livros que foram publicados e cerca de 200 porções bíblicas. No início dos anos 1870, ele publicou Maranata, uma obra abrangente sobre escatologia que foi um dos trabalhos mais populares que ensinava o Arrebatamento pré-Tribulação. Outros livros sobre profecia incluíram: Israel and the Church [Israel e a Igreja], Bible Reading on the Second Coming [Leitura Bíblica Sobre a Segunda Vinda] e Till He Come [Até que Ele Venha], título que mais tarde foi trocado por I Am Coming [Eu Estou Chegando]. Brookes defendeu valorosamente a inspiração completa das Escrituras numa época em que as visões liberal e crítica da Bíblia estavam entrando na Igreja Presbiteriana e em outras denominações americanas. Foi quando ele escreveu God Spake All These Words [Deus Falou Todas Estas Palavras].

Universidade bíblica Brookes, localizada em Saint Louis, Missouri, Eua.
Em 1875, Brookes começou um periódico mensal denominado The Truth or Testimony for Christ [A Verdade ou Testemunho por Cristo], que finalmente chegou a ter uma circulação de mais de 40.000 exemplares. Ele continuou a servir como editor até a sua morte, e através dessa publicação ele estimulava os cristãos no evangelismo, e no estudo das profecias. Depois de sua morte, o periódico fundiu-se com The Watchword [Palavra de Ordem], que mais tarde ficou conhecido como The Watchword and Truth [Palavra de Ordem e Verdade].
Durante todos os anos do ministério de Brookes, ele foi um participante ativo em eventos denominacionais e interdenominacionais. James foi eleito moderador da assembleia geral múltiplas vezes. Este era o ofício mais importante dentro de sua denominação na América. Foi um palestrante muito conhecido em conferências bíblicas, em encontros da YMCA, e em conferências sobre profecias. Em 1875, James foi um dos fundadores e presidente de uma conferência anual que finalmente se tornou conhecida como a Conferência Bíblica de Niágara. Esse evento anual em Niagara-on-the-Lake, em Ontário, Canadá, tornou-se a principal conferência para estudiosos da Bíblia nos últimos anos do Século XIX. Durante sua existência, a conferência era interdenominacional e pré-milenista. Ela era incondicionalmente pré-tribulacionista em perspectiva até que a controvérsia entre pré-tribulação e pós-tribulação passou a ser pública depois da morte de Brookes. A controvérsia doutrinária, as incertezas quanto à localização e a morte de Brookes levaram ao seu declínio e, em 1900, foi realizada a última conferência. O Instituto Bíblico Brookes, em Saint Louis, recebeu o nome em homenagem ao Dr. Brookes e é hoje denominado Brookes Bible College [Faculdade de Teologia Brookes]. Por todos os seus anos, Brookes foi um líder indiscutível e, através de seus esforços, o pré-milenismo e o dispensacionalismo foram amplamente disseminados para além das barreiras denominacionais dentro do Protestantismo conservador.

Influência da Profecia Bíblica

Brookes foi um dos mais proeminentes e fervorosos estudantes de profecia de seu tempo. Em um artigo de 1896 no The Truth chamado “Como Tornei-me Pré-Milenista”, Brookes afirmou que ele chegou à sua escatologia pré-milenista através de suas próprias leituras e estudos de Apocalipse e Daniel, depois de ter entrado para o pastorado e depois de ter negligenciado as profecias por muitos anos. Esse estudo independente, juntamente com alguma influência dos Plymouth Brethren [Irmãos de Plymouth] nos anos depois da Guerra Civil, lhe proporcionaram o pano de fundo histórico para suas convicções. Ele hospedou o líder dos British Brethren [Irmãos Britânicos], John Nelson Darby, em sua igreja em múltiplas ocasiões, mas Brookes negava ser receptor direto da escatologia dos Brethren, embora reconhecesse ter um apreço pelo entusiasmo escatológico deles. Logo em 1871, Brookes já estava publicando e ensinando visões semelhantes ao dispensacionalismo. Em 1874, seu sistema estava bem desenvolvido e foi Brookes quem apresentou C.I. Scofield, logo depois da conversão deste, aos ensinamentos do pré-milenismo dispensacionalista. Seria através de Scofield e de sua Bíblia de Estudos que Brookes teria sua influência mais duradoura.
Brookes era versado nas opções escatológicas dentro do pré-milenismo e discutia tanto contra uma teoria do Arrebatamento parcial quanto contra o pós-tribulacionismo. Ele se recusava a estabelecer datas para o Arrebatamento e se apegou a uma forte doutrina do retorno do Senhor e da iminência desse retorno:
Quão emocionante é o pensamento de que o primeiro desses sensacionais acontecimentos, a saber, a vinda de Cristo para os santos, possa ocorrer a qualquer momento.[3]
Ele era muito consciente da acusação feita por críticos mal informados de que os dispensacionalistas afirmavam haver mais de um caminho para a salvação, e refutava isto veementemente em seus escritos:
É desnecessário lembrar qualquer leitor comum das Sagradas Escrituras de que, desde os versículos de abertura de Gênesis até Malaquias, o Espírito é posto à vista na criação, providência e redenção, e que todos os que são salvos foram vivificados através de seu divino poder e graça, como o são agora.[4]
Um estudioso escreveu em uma tese de doutorado:
James Brookes causou um tremendo impacto sobre a cena religiosa americana. Ele teve um papel crucial no desenvolvimento e divulgação do pré-milenismo dispensacionalista americano e, assim, sobre o Fundamentalismo americano. Por meio de seus escritos, sua liderança na Conferência Bíblica de Niágara e seus relacionamentos pessoais, ele afetou toda uma geração de líderes pré-milenistas. Seu impacto é difícil de ser superestimado. A despeito dessa importância, ele permanece relativamente negligenciado.[5]
Brookes tinha uma versão altamente desenvolvida da teologia dispensacionalista, a qual ele promoveu e divulgou por toda a América do Norte através de suas pregações, seus escritos e sua influência como Presidente da Conferência Bíblica de Niágara. Ele também estabeleceu um padrão para a teologia evangélica como resultado da declaração doutrinária de Niágara que escreveu. James seguiu vigorosamente a Cristo ao edificar sua teologia com base na Bíblia e na Bíblia somente. “James H. Brookes merece uma posição nobre nas memórias daqueles que hoje, como ele, buscam honrar a verdade bíblica”.[6] Brookes é um valioso pai do movimento de exposição bíblica, do pré-milenismo futurista, do dispensacionalismo, e do Arrebatamento pré-tribulacionista. É triste ver uma ênfase tão saudável em tamanho declínio em nossos dias, até mesmo entre as igrejas, denominações e associações que certa vez já prosperaram quando seguiam a liderança dele. Maranata! (Thomas Ice — Pre-Trib Perspectives)

Notas:

  1. Baseei-me grandemente em um artigo de Timothy Demy, “James Hall Brookes” http://www.pre-trib.org/data/pdf/Demy-JamesHallBookes.pdf.
  2. David Riddle Williams, James H. Brookes: A Memoir [James H. Brookes: Uma Memória] (St. Louis: Presbyterian Board of Publication, 1897), pp. 58 59.
  3. James H. Brookes, Maranatha: or The Lord Cometh [Maranata: ou Vem Senhor], 10th edition (New York: Fleming H. Revell Company, 1889), p. 540.
  4. James H. Brookes, Israel and the Church: The Terms Distinguished as Found in the Word of God [Israel e a Igreja: Os Termos Distintos Como São Encontrados na Palavra de Deus] (Chicago: The Bible Institute Colportage Association, 188?), p. 38.
  5. Carl E. Sanders II, “The Premillennial Faith of James Hall Brookes” [A Fé Pré-Milenista de James H. Brookes] (PhD dissertation, Dallas Theological Seminary, 1995), p. 202.
  6. Larry Dean Pettegrew, “The Historical and Theological Contributions of the Niagara Bible Conference to American Fundamentalism” [As Contribuições Históricas e Teológicas da Conferência Bíblica de Niagara para o Fundamentalismo Americano] (ThD dissertation, Dallas Theological Seminary, 1976), p. 161.