terça-feira, 12 de março de 2019

Razão Para Crer


Razão Para Crer

Dave Hunt
"Lembrai-vos das coisas passadas da antigüidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antigüidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade" (Isaías 46.9-10).
A profecia bíblica é a chave para se entender tanto o passado quanto o futuro. Embora aos céticos essa talvez pareça uma pretensão absurda, ela é facilmente comprovada. Pelo fato de ter se cumprido a maior parte das profecias registradas na Bíblia, fica muito simples determinar se essas profecias são ou não confiáveis.
Dois importantes assuntos da profecia estendem-se consistentemente por toda a Escritura: (1) Israel; (2) O Messias que vem para Israel e através de Israel para o mundo como Salvador de toda a humanidade. Ao redor destes dois temas centrais quase todas as demais profecias se desenrolam e encontram o seu significado, seja o Arrebatamento da Igreja, o Anticristo, seu governo e religião vindouros, o Armagedom, a Segunda Vinda de Cristo, ou qualquer outra ocorrência profética. A Bíblia é absolutamente única na apresentação dessas profecias, as quais ela registra com detalhes específicos, começando há mais de 3.000 anos.
Cerca de 30% da Bíblia são dedicados à profecia. Esse fato confirma a importância do que tem se tornado um assunto negligenciado. Em contraste marcante, a profecia está completamente ausente no Corão, nos Vedas hindus, no Baghavad Gita, no Ramayana, nas palavras de Buda e Confúcio, no Livro de Mórmon, ou quaisquer outros escritos das religiões mundiais. Esse fato isolado já provê um inegável selo de aprovação divina sobre a fé judaico-cristã, que falta em todas as outras crenças. O perfeito registro do cumprimento da profecia bíblica é suficiente para autenticar a Bíblia, diferentemente de todos os outros escritos, como a única e inerrante Palavra de Deus.

Profecia – A Grande Prova

Cerca de 30% da Bíblia são dedicados à profecia. Esse fato confirma a importância do que tem se tornado um assunto negligenciado.
Há muitas provas importantes para a profecia bíblica. A primeira de todas, o cumprimento da profecia estabeleceu prova irrefutável da existência do próprio Deus que inspirou os profetas. Pelos importantes eventos da história mundial, profetizados centenas e mesmo milhares de anos antes de acontecerem, o Deus da Bíblia prova ser o único Deus verdadeiro, Criador do Universo e da humanidade, o Senhor da História – e que a Bíblia é a Sua Palavra infalível, dada a fim de comunicar os seus propósitos e meio de salvação a todos os que crerem. Aqui está uma prova tão simples que uma criança pode entender e tão profunda que os maiores gênios não podem refutar.
A profecia, pois, desempenha um papel vital ao revelar o propósito de Deus para a humanidade. Ela também fornece uma prova inteiramente segura na identificação do verdadeiro Messias de Deus, ou Cristo, e desmascara o impostor de Satanás, o anticristo, de maneira que ninguém que observar a Palavra de Deus venha a ser por ele enganado.
Entretanto, por ser a profecia única na Bíblia, ela é única para Cristo. Profecia nenhuma narrou a vinda de Buda, Maomé, Zoroastro, Confúcio, Joseph Smith, Mary Baker Eddy, os populares gurus hindus que têm invadido o Ocidente, ou qualquer outro líder religioso, todos eles sem as credenciais que distinguem Jesus Cristo. Entretanto, há mais de 300 profecias do Velho Testamento que identificam o Messias de Israel. Séculos antes de Sua vinda, os profetas hebreus estabeleceram critérios específicos que deveriam ser preenchidos pelo Messias. O cumprimento destas profecias nos mínimos detalhes da vida, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré demonstram indiscutivelmente ser Ele o prometido por Deus, o verdadeiro e único Salvador.
Visto que estes dois importantes itens da profecia bíblica, Israel e o Messias, são tratados em alguns dos meus livros, principalmente em "Quanto Tempo Nos Resta?", vamos resumi-los aqui rapidamente. Em Isaías 43.10, o Deus de Israel declara que os judeus são Suas testemunhas para o mundo do qual Ele é Deus. Tal é o caso, apesar de 30% dos israelitas hoje afirmarem ser ateus e a maior parte dos judeus do mundo inteiro jamais pensarem em dizer que Deus existe. Mesmo assim eles são testemunhas da existência dEle, tanto para si mesmos como para o mundo, por causa do espantoso cumprimento exato na história daquilo que Deus falou que iria acontecer a esse povo especial.

O Povo Escolhido – Sua Terra e Destino

Embora muito do que os profetas predisseram para Israel ainda seja para o futuro, nove profecias importantes envolvendo detalhes específicos e verificáveis já se cumpriram, exatamente como fora previsto séculos antes.
1. Deus prometeu uma terra e fronteira claramente definidas (Gênesis 15.18-21) a Abraão (Gênesis 12.1; 13.15; 15.7, etc.) e renovou tal promessa a Isaque, filho de Abraão (Gênesis 26.3-5), ao seu neto Jacó (Gênesis 28.13) e aos seus descendentes para sempre (Levítico 25.46; Josué 14.9, etc.).
2. É um fato histórico Deus ter trazido esse "povo escolhido" (Êxodo 7.4-8; Deuteronômio 7.6; 14.2, etc.) à Terra Prometida; uma surpreendente história de milagres por si só.
3. Quando os judeus entraram na Terra Prometida, Deus os advertiu que, se eles praticassem a idolatria e imoralidade dos habitantes primitivos, os quais Ele havia destruído por praticarem o mal (Deuteronômio 9.4), Ele os lançaria também para longe (Deuteronômio 28.63; 1 Reis 9.7 e 2 Crônicas 7.20, etc.). Que isso aconteceu é, também, inegável pela história.
Até este ponto, a história nada tem de especial. Outros povos acreditaram que uma certa área geográfica era a sua "terra prometida" e depois de entrarem nela foram posteriormente expulsos pelos inimigos. Porém, as próximas seis profecias e o seu cumprimento são absolutamente únicos na história dos judeus. A ocorrência desses eventos, exatamente como foram profetizados, jamais pode ter acontecido por acaso.
Deus declarou que o seu povo seria espalhado"entre todos os povos, de uma até à outra extremidade da terra".
4. Deus declarou que o seu povo seria espalhado "entre todos os povos, de uma até à outra extremidade da terra" (Deuteronômio 28.64; comp. 1 Reis 9.7; Neemias 1.8; Amós 9.9; Zacarias 7.14, etc.). E assim aconteceu. O "judeu errante" é encontrado em toda parte. A precisão com que essas profecias aconteceram exclusivamente aos judeus se tornou marcante, porque segue cumprimento após cumprimento até que a existência de Deus através do trato com o Seu povo escolhido se torne irrefutável.
5. Deus os admoestou que onde quer que vagassem, os judeus seriam "pasmo, provérbio e motejo entre todos os povos" (Deuteronômio 28.37; 2 Crônicas 7.20; Jeremias 29.18; 44.8, etc.). Incrivelmente isso tem se tornado realidade a respeito dos judeus através de toda a história, exatamente como a geração presente pode muito bem constatar. A maledicência, o desprezo, as piadas, o ódio violento chamado anti-semitismo, não apenas entre os muçulmanos, mas até mesmo entre os que se chamam cristãos, é um fato único e persistente na história peculiar do povo judeu. Mesmo hoje, apesar da freqüente memória do Holocausto de Hitler, que chocou e envergonhou o mundo inteiro como um desafio à lógica e à consciência, o anti-semitismo está vivo e recrudesce em todo o mundo.

História de Perseguição

Além do mais, os profetas declararam que esse povo espalhado não apenas seria difamado, denegrido e discriminado, mas:
6. Seria perseguido e assassinado como nenhum outro povo na face da terra, fato que a história atesta com eloqüente testemunho, pois foi exatamente o que aconteceu aos judeus, século após século, onde quer que fossem encontrados. O registro histórico de nenhum outro grupo étnico ou nacional de pessoas contém algo que ao menos se aproxime do pesadelo de terror, humilhação e destruição que os judeus têm suportado na história, pelas mãos dos povos entre os quais foram espalhados.
Vergonhosamente, muitos que afirmaram ser cristãos e, portanto, seguidores de Cristo, que era um judeu, estavam na primeira fila da perseguição e extermínio dos judeus. Havendo ganho completa cidadania no Império Romano pagão, em 212 d.C., sob o Édito de Caracalla, os judeus se tornaram cidadãos de segunda classe e objeto de incrível perseguição depois que o Imperador Constantino supostamente se tornou cristão. A partir daí, foram os que se chamavam cristãos que se tornaram mais cruéis com os judeus do que os pagãos jamais haviam sido.
Os papas católicos romanos foram os primeiros a fomentar o anti-semitismo ao máximo. Hitler, que permaneceu católico até o fim, afirmaria que estava apenas seguindo o exemplo dos católicos e dos luteranos em concluir o que a igreja havia começado. O anti-semitismo fazia parte do catolicismo, do qual Martim Lutero jamais se libertou. Ele advogava que se incendiassem as casas dos judeus, dando-lhes a alternativa de se converterem ou ficarem sem a língua.[1] Quando os judeus de Roma foram libertados de seus guetos pelo exército italiano em 1870, sua liberdade finalmente pôs fim a cerca de 1.500 anos de inimaginável humilhação e degradação nas mãos dos que afirmavam ser os vigários de Cristo. Papa nenhum odiou os judeus mais do que Paulo IV (1555-1559), cuja crueldade foi além da imaginação humana. O historiador católico Peter de Rosa confessa que uma inteira "sucessão de papas reforçou os antigos preconceitos contra os judeus, tratando-os como leprosos, indignos da proteção da lei. Pio VII (1800-1823) foi sucedido por Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI e Pio IX (1846-1878) – todos eles discípulos de Paulo IV.[2] O historiador Will Durant nos lembra de que Hitler teve bons precedentes para a suas sanções contra os judeus:
Os profetas declararam que o povo espalhado não apenas seria difamado, denegrido e discriminado, mas seria perseguido e assassinado como nenhum outro povo na face da terra.
O Concílio (católico romano) de Viena (1311) proibiu qualquer transação entre cristãos e judeus. O Concílio de Zamora (1313) estabeleceu que se proibissem aos cristãos de se associarem aos judeus... E levou as autoridades seculares (como a igreja havia há muito estabelecido em Roma e nos estados papais) a confinar os judeus em quarteirões separados (guetos) e compeli-los a usar um distintivo (antes havia sido um chapéu amarelo) e assegurar sua freqüência aos sermões para que se convertessem.[3]


Preservação e Renascimento

Deus declarou que apesar de tais perseguições e massacres periódicos,
7. Ele não permitiria que o Seu povo fosse destruído, mas o preservaria como um grupo étnico e nacional identificável (Jeremias 30.11; 31.35-37, etc.). Os judeus teriam toda razão de se misturarem através de casamentos [com os gentios], de mudarem seus nomes e de esconderem sua identidade de qualquer maneira possível, a fim de escaparem à perseguição. Por que preservaram sua linha sangüínea, se não possuíam uma terra própria, se a maioria não cria literalmente na Bíblia, e se a identificação racial só lhes trazia as mais cruéis desvantagens?
Deixar de se misturar em casamentos não fazia sentido. A absorção por aqueles entre os quais viviam pareceria inevitável, de modo que poucos sinais dos judeus como povo distinto deveriam permanecer até hoje. Afinal, esses desprezíveis exilados foram espalhados por todos os cantos da terra por 2.500 anos, desde a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor em 586 a.C. Poderia a "tradição" ser tão forte sem uma fé real em Deus?
Contra todas as previsões, os judeus permaneceram um povo distinto, depois de todos esses séculos. Este fato é um fenômeno sem paralelo na história e absolutamente peculiar aos judeus. Para a maioria dos judeus que viviam na Europa, a lei da igreja tornava impossível o casamento misto sem a conversão ao catolicismo romano. Aqui mais uma vez a igreja católica desempenhou um papel infame. Durante séculos era pecado mortal, sob a jurisdição dos papas, o casamento entre judeus e cristãos, evitando-se os casamentos mistos mesmo entre os que o desejassem.
A Bíblia diz que quando Deus determinou guardar o Seu povo escolhido separado para si próprio (Êxodo 33.16; Levítico 20.26, etc.), Ele o fez porque
8. Os traria de volta à sua terra nos últimos dias (Jeremias 30.10; 31.8-12; Ezequiel 36.24,35-38, etc.), antes da segunda vinda do Messias. Essa profecia e promessa há tanto esperada foi cumprida com o renascimento de Israel em sua Terra Prometida. Isso aconteceu em 1948, quase 1.900 anos após a Diáspora final, na destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C., pelos exércitos romanos liderados por Tito. Essa restauração de uma nação, depois de 25 séculos, é absolutamente espantosa, um fenômeno sem paralelo na história de qualquer outro povo e inexplicável por meios naturais e muito menos pelo acaso. Mais notável é que
9. Deus declarou que nos últimos dias, antes da segunda vinda do Messias, Jerusalém se tornaria "um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos" (Zacarias 12.2-3).Quando Zacarias fez esta profecia, há 2.500 anos, Jerusalém permanecia em ruínas e cheia de animais selvagens. A profecia de Zacarias parecia uma grande loucura, mesmo após o renascimento de Israel em 1948. Pois hoje, exatamente como foi profetizado, um mundo de quase 6 bilhões de pessoas tem os seus olhos voltados para Jerusalém, temendo que a próxima Guerra Mundial, se explodir, seja travada sobre essa pequenina cidade. Que incrível cumprimento da profecia!

Nenhuma Explicação Normal

Israel ocupa 1/6 de 1% da área de terra que os árabes possuem. Os árabes têm o petróleo, a riqueza e a influência mundial que tais recursos aparentemente inesgotáveis proporcionam. Não apenas o pedacinho de terra de Israel é dificilmente perceptível no mapa-múndi, como também lhe faltam todas as coisas essenciais para que se torne o centro das preocupações de todo o mundo. Entretanto, desafiando o bom-senso, Israel é o foco da atenção mundial, exatamente como foi profetizado.
Jerusalém é uma pequenina cidade sem importância comercial ou localização estratégica. Mesmo assim, os olhos do mundo inteiro estão sobre ela mais do que sobre qualquer outra cidade.
Jerusalém é uma pequenina cidade sem importância comercial ou localização estratégica. Mesmo assim, os olhos do mundo inteiro estão sobre ela mais do que sobre qualquer outra cidade. Jerusalém tornou-se realmente uma "pedra pesada" ao redor do pescoço de todas as nações do mundo, o problema mais irritante e instável que as Nações Unidas enfrentam hoje. E não há explicação lógica para isso. O que os profetas hebreus declararam há milhares de anos e que parecia absolutamente irreal em seu tempo está se cumprindo hoje. Essa é apenas uma parte da evidência de que os "últimos dias" profetizados estão chegando para nós, e que a nossa geração, provavelmente, verá o restante da profecia cumprida.
As profecias acima delineadas (para não citar inúmeras outras), têm sido assunto de conhecimento público nas páginas da Escritura e têm estado disponíveis para exame cuidadoso durante séculos. Que elas tenham se cumprido com detalhes não pode ser obra do acaso, sendo, na verdade, a prova evidente da existência do Deus que inspirou a Bíblia, provando a autenticidade e inerrância desse Livro. Em vista de tal clara e admirável evidência, somente podemos supor benevolentemente que nenhum agnóstico ou ateu tenha se atrevido a ler as profecias bíblicas e as tenha checado pessoalmente com a história e os eventos atuais.
Existem profecias adicionais concernentes a Israel e Jerusalém que se referem aos últimos dias, as quais ainda aguardam futuro cumprimento. Entretanto, podemos estar certos, baseados nas profecias que já se cumpriram, que estas também se realizarão em um futuro não muito distante. O tempo mais aterrador de destruição para os judeus e também para toda a população mundial ainda está por vir. Ele se chama "tempo de angústia para Jacó" (Jeremias 30.7).
Com espantosa precisão a Bíblia não menciona Damasco, Cairo, Londres ou Paris como centro da ação dos últimos dias, mas apenas duas cidades específicas: Jerusalém e Roma. Elas são divergentes, têm sido inimigas desde a época dos césares e notavelmente continuam rivais pela supremacia espiritual ainda hoje. A Roma católica reivindica ser a "Cidade Eterna" e a "Cidade Santa", títulos que a Bíblia deu a Jerusalém. Roma também afirma que é a "Nova Jerusalém", provocando um conflito direto com as promessas de Deus concernentes à verdadeira Cidade de Davi.
Passaram-se 2.000 anos de tensão e antagonismo entre Roma e Jerusalém. Durante quase 46 anos após o renascimento de Israel em 1948, o Vaticano se recusou a reconhecer esse país. Essa animosidade não foi apagada pela recente abertura que o Vaticano executou apenas como expediente para se aproximar de Israel. Roma quer exercer influência sobre o futuro de Jerusalém, que ela ainda insiste em tornar uma cidade internacional sobre a qual Israel não tenha mais direito do que qualquer outra nação.
Com espantosa precisão a Bíblia identifica Jerusalém e Roma como os pontos focais dos eventos profetizados para os últimos dias. Ambas vão ter sua parte no julgamento de Deus. Exige-se pouco mais do que atenção casual sobre as notícias diárias para se reconhecer a precisão da profecia. Também aí, no que a Bíblia diz sobre Roma e a Cidade do Vaticano, temos evidências adicionais de que esse Livro é a Palavra de Deus. (extraído do livro "A Woman Rides the Beast", tradução de Mary Schultze)

Notas

  1. Will Durant, The Story of Civilization, vol. VI, The Reformation (Simon and Schuster, Inc., 1950), p. 727.
  2. Peter de Rosa, Vicars of Christ: The Dark Side of the Papacy (Crown Publishing, Inc., 1988), p. 194.
  3. Durant, op. cit., vol. VI, p. 729.

Justamente um Jumento


Justamente um jumento

Wolfgang Schuler
O jumento caracteriza-se por ser um animal paciente mas também teimoso, e, como tal, ele desempenha um papel de destaque na Bíblia. Nas bênçãos que Jacó profere sobre os seus filhos, ele é amarrado ao “ramo mais seleto” da videira.
As bênçãos que Jacó profere ao fim da sua vida sobre os seus filhos são familiares para todos nós, especialmente as declarações proféticas sobre o seu filho Judá (Gn 49.8-12), que culminam nas palavras: “O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão”.
A tribo de Judá perdeu o cetro e o bastão de comando no ano 6 d.C., quando, sob o imperador romano Tibério e o governador Pôncio Pilatos, a Judeia foi oficialmente declarada província romana. Pouco depois, Jesus de Nazaré reivindicou no templo pela primeira vez, aos 12 anos de idade, ser o Messias, para espanto dos seus pais e mais ainda dos escribas e fariseus: “Não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?” (Lc 2.49).
No entanto, qual seria o papel do jumento na bênção de Jacó nos versículos subsequentes? “Ele amarrará seu jumento a uma videira; e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas; no sangue das uvas, as suas vestimentas. Seus olhos serão mais escuros que o vinho; seus dentes, mais brancos que o leite” (Gn 49.11-12). O que significará isso? É raro algum intérprete ocupar-se desses belos, porém misteriosos versículos.
Sandra Oster Barras, gerente do escritório israelense da Christian Friends of Israeli Communities (CFOIC) no centro das terras bíblicas e no coração de Israel, as regiões “ocupadas” da Judeia e da Samaria, trata detalhadamente da bênção de Jacó em seu estudo bíblico de cinco partes em DVD The Choosing of a Chosen People (A Escolha de um Povo Escolhido), mas também ela omite a passagem que fala do jumento. Em um diálogo pessoal, ela admitiu que alguns intérpretes também atribuem um sentido messiânico a essa passagem.
Chama atenção que o jumento ocupa uma posição de destaque nas Escrituras Sagradas. Apenas um grupo restrito de animais é aceito para uso nos sacrifícios. São aqueles que (tal como o Messias) se submetem docilmente às mãos do homem, mesmo quando este pretende sacrificá-los, ou seja, matá-los: bovinos, carneiros, cabras e pombos mansos. O jumento é expressamente excluído desse grupo. Todo primogênito de jumento pertencia a Deus e precisava ser resgatado por meio de um cordeiro; caso contrário, teria de ser morto (literalmente “desnucado”) – uma palavra muito violenta (Êx 13.13). Balaão ouve as palavras proféticas de Deus justamente da boca de um jumento, o que salvou sua vida e lhe deu mais tarde a oportunidade – ainda que a contragosto – de proferir algumas das mais extraordinárias profecias sobre o povo de Israel e o seu Messias (Nm 23–24).
A montaria real de Davi era um jumento, sobre o qual ele introduziu seu filho Salomão em Jerusalém para apresentá-lo como seu sucessor de direito em sua velhice. Zacarias anunciou o Messias como alguém que, como Davi, entra em Jerusalém montado num jumento, filhote de uma jumenta (Zc 9.9), e é exatamente isso que Jesus faz sob os hosanas do Seu povo pouco antes de celebrar Sua última Páscoa. Muitos jumentos possuem em seu lombo uma grande e escura cruz no pelo – uma longa faixa longitudinal e outra mais curta, transversal, na altura das patas dianteiras.

Muitos jumentos possuem em seu lombo uma grande e escura cruz no pelo.
Os jumentos eram apreciados por sua docilidade e paciência, mas eles também conseguem ser bem teimosos. Deus repetidamente confirma Seu amor e Sua eterna fidelidade a Israel apesar de todos os desvios e da obstinação desse povo. A Escritura Sagrada refere-se no mínimo nove vezes à obstinação de Israel.
Pode ser que o jumento não fosse aceitável como animal sacrificável por ser tão semelhante a Israel, o “primogênito” que Deus não quer sacrificar, mas resgatar por meio do Cordeiro. Seria por isso também que a primeira cria do jumento deveria ser resgatada por um cordeiro? Seria que Judá deveria amarrar o seu “jumento” – sua própria “cabeça dura” – à mais nobre das videiras (Jo 15.1; o Texto afirma: Ele fará!) para não fugir dela e não perder a bênção que lhe foi designada?
Suas vestes serão lavadas pelo “sangue das uvas” daquela videira, prossegue o versículo 11 de Gênesis 49. Um tanto à margem, ele também constata que o suco dessa nobre videira parece ser excelente. Os olhos “escuros“ revelam que ele bebeu abundantemente desse suco. A única referência bíblica além desta em que aparece a palavra hebraica que significa “escuro” ou “avermelhado“ é Provérbios 23.29-30, que trata do abuso do consumo de vinho. Nessa passagem, a melhor tradução seria algo como “inebriado de vinho”.
Com isso proporciona-se a Judá não só uma purificação externa, mas também interna, e o seu coração se enche de alegria como por um bom vinho. Os olhos inebriados (não avermelhados) refletem isso, e os dentes brilhantemente brancos (“mais brancos que o leite”) são um sinal exterior de que essa purificação interna se realizou.
Assim, essas palavras proféticas de Jacó interpretam de forma simpática, até bem-humorada, aquilo que mais tarde Ezequiel anunciaria detalhadamente (Ez 36.25-28) e o que Paulo confirma em Romanos 11.26 a respeito do povo judeu, fazendo referência a Isaías 59.20: “Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade”. Ele cita Isaías de acordo com a Septuaginta, que se desvia aqui do texto massorético em dois pontos. Como a Septuaginta é mais antiga que o texto massorético redigido, ela parece ser mais confiável. E Deus se mantém fiel à Sua Palavra!

Ezequiel 37.5


Ezequiel 37.5

Ludwig Schneider
“Assim diz o Soberano, o Senhor, a estes ossos: Farei um espírito entrar em vocês, e vocês terão vida” (Ez 37.5).
Ao lembrar de 1948, quando após 2.000 anos de exílio do povo judeu, David Ben-Gurion declarou a fundação do Estado de Israel, e de 1967, quando Jerusalém e o monte do Templo foram reconquistados pelos judeus, meu interior fica exultante de alegria. Para muitos não judeus, que naquela ocasião se alegraram juntamente com os israelenses, o júbilo já se extinguiu. Também para muitos judeus a alegria pela reinstalação do Estado judeu está restrita. Será que se imaginava algo diferente para a terra prometida, algo como o céu na terra?
Muitos não querem admitir que o sionismo é um movimento nacional e não espiritual. É o que Deus nos mostra figuradamente na visão de Ezequiel 37. Na política podemos chamar isso de “plano gradual”.
A visão de Ezequiel inicia com a ação de Deus chamando, isto é, sacudindo os judeus que se encontravam em estado de êxtase, conforme descreve o Salmo 126, confrontando-os com a morte, pois Deus coloca o profeta Ezequiel – e junto com ele o povo de Israel – dentro de um campo de ossos secos.
Quem se lembra das fotos captadas de cadáveres nos campos de concentração pode observar que Deus colocou Ezequiel e o povo judeu em um campo de mortos real e não virtual. Em meio a esses cadáveres, Deus pergunta: “Filho do homem, estes ossos poderão tornar a viver?”, e Ezequiel, em estado de choque, responde: “Ó Soberano Senhor, só tu o sabes”!
A alegria pela decretação do Estado de Israel está esquecida, pois agora inicia o real sionismo e com ele o “plano gradual” de Deus. Os carismáticos ficam eufóricos com as palavras de Deus no versículo 5: “Farei um espírito [meu Ruach ha-Kodesh, meu Espírito Santo] entrar nos ossos”. No entanto, ainda não chegou a esse ponto, pois primeiramente os ossos precisam se juntar novamente, cada um em seu devido lugar. Isso causa um forte ruído, pois tudo o que acontece em Israel faz disparar um enorme barulho na mídia. Assim, também no recanto mais distante da Terra se ouve que Deus está reunindo o seu povo. Depois formam-se os tendões e a carne sobre os ossos. A partir dos ossos secos espalhados forma-se então um corpo; porém, sem o fôlego, sem o Ruach ha-Kodesh.
Por isso, não espere muito de Israel. Em sua posição, Israel continua sendo o povo santo, escolhido, porém ainda não na situação, pois isso acontecerá somente bem no final.
Poderíamos agora imaginar que esse plano gradual conduz o povo judeu ao seu destino ininterruptamente. Isso seria ótimo! No entanto, o povo de Israel não acompanha isso, pois ele constantemente se afasta do caminho de Deus. Em todo caso, porém, ele não segue outro caminho a não ser o caminho de Deus para o alvo prometido.
Os profetas da Bíblia exortam o povo de Israel por causa de seus pastores insensatos (Zc 11.5,15-16), que por causa deles Deus não poupará os habitantes de Israel. Assim, Israel precisa se submeter a mais uma semana de sete anos (Dn 7.21; 8.24; 9.27). Essa tribulação terá um fim quando o povo de Israel se arrepender e voltar para o seu Deus. Então Deus derramará o seu Espírito sobre o povo e assim, o que até então era apenas um corpo de povo, será transformado em um povo cheio do Espírito Santo.
Acompanhei os meus filhos e posteriormente os meus netos ao serem convocados para o serviço militar israelense. Eles se portam com firmeza, batem continência e recebem uma arma na mão. Então eles correm até o próximo oficial, o qual lhes abre a camisa da farda e coloca uma Bíblia sobre o peito. Nós, os pais ou avós, olhamos orgulhosos para os nossos rebentos, dos quais agora depende a segurança de Israel.
Em seguida, porém, ouve-se a voz do rabino capelão: “‘Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6). Isso novamente põe nossos pés no chão, lembrando que não depende de nós, mas do Senhor. Esta é a terceira e última fase do plano gradual de Deus. Será quando Deus derramar o seu Espírito sobre os ossos reunidos do corpo de Israel: “Am yisrael chai – o povo de Israel vive!”. — israeltoday.co.il

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Oração no Novo Testamento


Oração no Novo Testamento

Norbert Lieth
O Novo Testamento está repleto de indicações sobre a oração e cheio de exemplos de orações. Podemos aprender muito com tudo isso.
Jesus mesmo foi um grande modelo para a oração, tanto que seus discípulos chegaram a lhe pedir: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele” (Lc 11.1). Em resposta, o Senhor ensinou-lhes o Pai Nosso (veja mais sobre ele no próximo artigo: “A Dimensão Mais Profunda do Pai Nosso”). Mais tarde chegou o momento – um dia antes da morte de Jesus na cruz – que ele lhes disse: “... meu Pai dará a vocês tudo o que pedirem em meu nome. Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa” (Jo 16.23-24).
Com isso, o Senhor escancarou uma porta totalmente nova para a oração, que até então os seus discípulos não conheciam. Eles poderiam orar ao Pai em nome de Jesus; a oração através da sua pessoa seria a garantia do atendimento. Isso mostra o que Jesus Cristo realizou e a que dimensão ele eleva todos os que nele creem. Ele se identifica com as nossas orações em seu nome.
É frequente sermos confrontados com a dúvida sobre podermos orar diretamente a Jesus ou se devemos sempre orar em seu nome a Deus Pai. A resposta encontra-se no mesmo discurso já citado, em que Jesus disse aos seus discípulos: “E eu farei tudo o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. O que vocês pedirem em meu nome, eu farei” (Jo 14.13-14).
Com isso, o Senhor Jesus confirma duas coisas:
1. A oração em seu nome será atendida por ele mesmo: “Farei tudo”.
2. A oração em seu nome é atendida pelo Pai: “Dará a vocês tudo”.
Isso deixa claro que o Senhor Jesus é da mesma essência que o Pai. Depois da sua ressurreição, o apóstolo Tomé confirma isso ao dizer: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.28). Além disso, os evangelhos também relatam casos de pessoas que se prostram diante do Senhor Jesus e lhe pedem algo (Mt 8.2; 9.18; Lc 8.47). Isso certamente pode ser considerado como oração.
Em Romanos 10.9-10 Paulo enfatiza a importância de confessar o Senhor Jesus como Senhor, porque isso leva à salvação eterna. No versículo 11 ele enfatiza mais uma vez que todo o que crer nele (Jesus) não será envergonhado. E no versículo 13 Paulo cita uma passagem do Antigo Testamento relacionando Deus mesmo ao Senhor Jesus. Quem confessar Jesus como Senhor e o invocar será salvo.
Com isso fica patente que não só podemos como devemos invocar o nome do Senhor (Jesus Cristo). A carta aos Coríntios também alude a isso quando fala de “todos” os que “em toda parte, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 1.2). Todos os cristãos podem invocar o nome de nosso Senhor Jesus Cristo em todo lugar, ou seja, orar a ele muito diretamente.
Para isso é necessária a chamada “oração no Espírito”. “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos” (Ef 6.18). “Edifiquem-se, porém, amados, na santíssima fé que vocês têm, orando no Espírito Santo” (Jd 20).
O Espírito Santo, que habita em nós, deseja entre outras coisas induzir-nos à oração (Rm 8.14). Ele quer que oremos no Espírito, não na carne, ou seja, não carregados de ira, egoísmo, inveja, ganância etc. (Tg 4.3). Ele quer que oremos a qualquer hora. Ele quer nos lembrar, incentivar, dirigir, alertar etc.
Além disso, o Espírito Santo é quem nos representa diretamente diante de Deus. “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26-27).
Muitas vezes não sabemos nem o que devemos orar, nem como. Como é bom então saber que o Espírito vai ao encontro do que balbuciamos e se encarrega da nossa fraqueza. O Espírito Santo representa Jesus em nós e sempre é atendido.
O que importa é orar sempre. Nas palavras de Corrie ten Boom: “A oração deve ser nosso volante e não nosso estepe”. – “Orai sem cessar” (1Ts 5.17, RA). “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos” (Ef 6.18).
Essas declarações não podem significar que devamos orar 24 horas por dia, ininterruptamente. Trata-se antes de uma constante atitude de oração porque o espírito da oração habita em nós. Temos, pois, o privilégio de sempre que nos lembrarmos de algo, podermos orar imediatamente por aquilo. Não precisamos de grandes introduções, formulações, liturgias ou tradições – como estamos constantemente em Cristo, podemos orar sempre e em toda parte. Como o Espírito Santo sempre habita em nós, sempre chegamos imediatamente ao destino. Podemos, assim, orar de improviso, bem no sentido de “em todas as ocasiões”.
Charles H. Spurgeon disse: “Podemos orar a qualquer tempo – sei que podemos. Mas receio que aqueles que não oram em horas determinadas de qualquer modo orarão raramente”. Vista assim, a oração também é uma lei. George Müller dizia: “É preciso cultivar as horas tranquilas com Deus, porque só elas é que proporcionam força e alimento à vida íntima. Nada pode compensar a perda de horas santas sob a Palavra e a oração”. O Novo Testamento contém inúmeras exortações para orar, bem como indicações, exemplos e parábolas que testificam da necessidade da oração (Lc 18.1).
Muitas vezes se enfatiza como Jesus procurava locais solitários e o silêncio para orar. Ele passava noites inteiras em oração (Mt 14.23; 26.36; Lc 6.12; 9.28; 11.1). Depois do Pentecostes, a igreja primitiva surge como uma comunidade em oração, que dava extremo valor à busca da face do Senhor (At 1.14; 2.42; 3.1; 4.31; 6.4; 10.9; 14.23; 16.13). O apóstolo Paulo e seus colaboradores oravam muito, e ele certamente não enfatizou isso para se vangloriar, mas para dar um testemunho e um estímulo (Rm 1.9-10; Ef 1.16; Cl 4.12; 2Tm 1.3; Fm 4). Assim, nas cartas apostólicas, são numerosas as ordens e convocações diretas a orar (Ef 6.18; Cl 4.3; 1Ts 5.17; 2Ts 3.1; Hb 13.18; Tg 5.16).
Alguém disse com relação à oração: “O número de frequentadores dos estudos bíblicos revela a popularidade da igreja, o número de frequentadores do culto revela a popularidade do pastor, mas o número de frequentadores das reuniões de oração revela a popularidade de Jesus”.

Como Devemos Orar?

Diz-se que, caso alguém queira envergonhar um cristão, basta perguntar-lhe sobre sua vida de oração. E orar é tão fácil.
Nada é mais urgente e simples de realizar do que a oração. É o que mostra o Novo Testamento. Não são necessárias fórmulas especiais, nem mesmo é preciso memorizar a oração do Pai Nosso. 
Ainda assim, orar não é lei. Consta que Martinho Lutero teria dito: “Uma boa oração é meio estudo... Tenho tanto trabalho que não consigo ficar sem dedicar todos os dias pelo menos três horas do meu melhor tempo à oração”. Para ele aquilo era o procedimento certo, mas não podemos forçar tais exemplos para a nossa própria vida de oração e ficar insatisfeitos se não conseguirmos passar tanto tempo orando. Uma dona de casa e mãe que precisa cuidar dos seus filhos dificilmente poderá orar por três horas ininterruptas. Ninguém deve se frustrar ou se deixar subjugar – o que importa mesmo é que se ore. Este também era, por sinal, o propósito do próprio Lutero, que se opunha a todo tipo de legalismo “neomonástico” e que certamente se irritaria tremendamente se soubesse que hoje existem cristãos que elevam seu próprio testemunho de oração à categoria de lei.
Convém que todos oremos, de preferência muito, mas para alguns a manhã é melhor para isso; para outros, a noite. Alguns conseguem orar durante um passeio, outros só em um quarto isolado, e ainda outros só de joelhos.
Jesus Cristo é o nosso maior modelo de oração. Ele orava com frequência e muitas vezes também demoradamente. Ainda assim ele advertiu contra certas orações legalistas não sinceras: “Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas” (Mt 23.5). “E, quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Mt 6.7).
Certa vez Jesus encorajou seus ouvintes com uma parábola sobre a oração iniciando com as palavras: “Suponham que um de vocês tenha um amigo e que recorra a ele à meia-noite e diga: ‘Amigo, empreste-me três pães’” (Lc 11.5).
“Amigo, empreste-me três pães.” Há três coisas que podemos aprender desse pedido:
1. Não é possível formular esse pedido de modo mais breve.
2. O pedido é concreto e vai direto ao que importa.
3. O pedinte não tem escrúpulos de ser inconveniente. Ele procura seu amigo no meio da noite. Ele pede com ousadia.
Assim, talvez a seguinte oração chinesa, que vai direto ao ponto, possa servir como reflexão:
“Senhor, desperta tua igreja
e começa comigo.
Senhor, edifica tua igreja
e começa comigo.
Senhor, leva teu amor e tua verdade
a todos os homens
e começa comigo.”

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Manipulações Financeiras Profetizadas


Manipulações Financeiras Profetizadas

Wilfred Hahn
Apocalipse 13 diz que a besta (o Anticristo) e seu braço direito (a segunda besta) controlarão o comércio global no final dos tempos. Como isso é possível de maneira prática?
Haverá um mundo sem dinheiro em espécie em algum ponto no futuro? Esse é um tópico grandemente contestado e geralmente mal interpretado. O dinheiro em espécie ainda tem um papel essencial no mundo, facilitando cerca de 40% das transações nos Estados Unidos, por exemplo. Muitos países possuem uma confiança ainda maior nas transações em dinheiro. No entanto, a Bíblia indica claramente que um novo sistema transacional global existirá já na época dos acontecimentos de Apocalipse 13. Será, de fato, um sistema sem dinheiro em espécie.
Neste artigo, exploramos o assunto a partir de um enfoque um pouco diferente. Por que as instituições financeiras e os governos continuam a tentar suprimir o uso do dinheiro em espécie, introduzindo sistemas de pagamentos “sem dinheiro em espécie” em nossos dias atuais, quando há relativamente pouco incentivo aos consumidores para fazerem isso?

Desenvolvimentos Monetários Sem Sentido

Observamos uma conspiração sem sentido da “humanidade global” atuando no desenvolvimento monetário mundial.
Imagine que sistemas de pagamento sem dinheiro em espécie tenham sido introduzidos há muitas décadas. Algumas tentativas com cartões digitais, por exemplo, não foram bem-sucedidas. Não obstante, a guerra de baixo nível para remover de circulação o dinheiro em espécie continua.
Quem está forçando a desmonetização? Não são os consumidores. Bem poucas pessoas veem a necessidade de novas tecnologias relativas ao dinheiro... certamente não veem a abolição completa do dinheiro em espécie. Por exemplo, pagar com cartão de crédito em um caixa pode levar um tempo de 25% a 50% maior do que pagar com dinheiro em espécie. As pesquisas mostram que os consumidores gostam de usar dinheiro em espécie em determinadas transações, e não veem razão para sua completa erradicação.
Da mesma forma, a afirmação de que uma sociedade sem dinheiro em espécie tenha mais segurança do que as que empregam o dinheiro físico não tem base em fatos. Roubos e crimes envolvendo dinheiro físico são, na verdade, bastante modestos quando comparados a crimes envolvendo a propriedade física (isto é, carros roubados etc.). Todavia, novas tecnologias voltadas para o dinheiro em espécie continuam a avançar e medidas governamentais contrárias ao uso do dinheiro em espécie continuam a aumentar. Isso é ainda mais intrigante dado o fato de que o uso de sistemas de pagamento eletrônico é bastante dispendioso. Fornecer serviços através desses sistemas de pagamento é geralmente mais caro do que fazer as negociações com dinheiro em espécie.
Logicamente que, como um motivo de lucro imediato não pode explicar o contínuo avanço da desmonetização, deve haver outras razões. Por que as instituições financeiras e os governos continuam a promover os sistemas de pagamento sem dinheiro em espécie embora sejam dispendiosos, no máximo marginalmente lucrativos, e concentrados no capital?
Taxas de juros negativas em depósitos bancários fazem com que as pessoas movimentem parte de seus bens para a “moeda corrente em circulação”
Supostamente, se um sistema financeiro único pudesse ser construído, o qual TODAS as transações fossem forçadas a usar, um enorme “aluguel” poderia ser cobrado. Um sistema assim monopolístico poderia ser enormemente lucrativo, contanto que todos os outros meios de pagamento fossem suprimidos ou banidos. Contudo, para que isso seja feito é necessária uma “conspiração”... um acordo coletivo mundial... para que isso seja feito por outros motivos peculiares. Quais devem ser esses motivos? Apresentamos vários.
1. A ocorrência de taxas de juros negativas em muitos países cria um importante problema para os legisladores, que estão tentando pilotar as economias mundiais. Taxas de juros negativas em depósitos bancários fazem com que as pessoas movimentem parte de seus bens para a “moeda corrente em circulação” (esta sendo dinheiro em espécie). Isso faz sentido uma vez que a pessoa estaria evitando cobranças em sua conta bancária. (Dinheiro guardado em um colchão é mais produtivo do que em um banco que cobra juros negativos.) Com taxas de juros negativas, o dinheiro deixará o sistema bancário. A desmonetização, por outro lado, eliminaria esse “vazamento” dos sistemas monetários. (Alguns bancos na Europa já eliminaram as negociações usando dinheiro em espécie.)
2. Quanto mais todas as transações possam ficar confinadas a um sistema de pagamentos sem dinheiro em espécie, mais os governos são capazes de rastrear o Produto Interno Bruto (atividade econômica). Por sua vez, isto permite a maximização das receitas orçamentárias dos impostos. Incidentalmente, uma tentativa centralizada para atingir esse resultado está agora se desenrolando na Índia. Notas com denominações mais altas (dinheiro de papel) estão sendo removidas de circulação a fim de forçar as transações não documentadas para dentro do sistema bancário e para dentro da economia registrada. Grécia e Portugal (dentre outras nações) recentemente abaixaram o tamanho da transação máxima que usasse dinheiro em espécie.
3. Dada a continuação mundial da crise financeira e a expectativa de que novos e mais ponderosos instrumentos da política monetária serão necessários, um sistema desmonetizado deve estar funcionando, o que dá convenientemente aos legisladores mais opções para “controlarem” as sociedades e as ações humanas.
4. Como muitos estudos mostraram, o dinheiro em espécie é imundo – literalmente. Notas de papel podem estar carregadas de bactérias e cobertas com fungos ou coisas piores. Pode parecer surpreendente que uma grande quantidade de papel moeda esteja contaminada por drogas como a cocaína. Em resumo, alguns defendem a eliminação do dinheiro em espécie simplesmente porque isso seria mais saudável.
Os motivos acima mencionados certamente satisfariam os objetivos de vários legisladores “humanos”. Ao fazerem isso, essas elites globais mostram sua arrogante perspectiva: que eles sabem o que é melhor para a humanidade coletiva e seu futuro. Isso se encaixa como uma luva relativamente às necessidades de um governador único para o mundo, que deseje expressamente enredar os seres humanos e forçá-los a reconhecê-lo como um deus. Esta é a conspiração já em andamento nos dias de hoje.

O Último Economista Financeiro Fracassado

Voltamos à nossa pergunta inicial: como podemos saber que a Bíblia prediz um sistema monetário que não use o dinheiro em espécie? Lemos em Apocalipse 13.15-17: “Foi-lhe [à segunda besta] dado poder... Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome”.
Aqui verificamos que um sistema transacional global estaria funcionando. Ele se aplica a “todos” os povos da terra, não importando sua posição privilegiada, nem seu status econômico ou político. Todos estarão sujeitos a esse novo sistema. Apenas aqueles que receberam a “marca” e adoraram a primeira besta (v. 15) terão permissão para “comprar” e “vender”. Não sabemos qual será a forma da “marca”. Todavia, pode-se deduzir, com validade, que esse sistema transacional proporcionado pela “marca” deverá ser controlado centralmente. Pensando-se de maneira logística, como mais esse sistema poderia ser colocado em funcionamento mundialmente? Não é possível “comprar” e “vender” nada fora desse novo sistema. Deve ser um sistema de pagamentos impossível de ser penetrado e que não pode ser burlado pelo dinheiro em espécie – ou mesmo pelo ouro.
Não existe um mecanismo mais poderoso e possível de controle mundial dos seres humanos do que um sistema financeiro integrado sem uso do dinheiro em espécie.

Profecia por Escolha

Como foi mencionado, a profecia bíblica confirma que um sistema sem dinheiro em espécie será colocado em vigor algum dia. Embora tenha sido profetizado, também é verdade que Deus não força a humanidade a se conformar e realizar o cumprimento de suas profecias. Em outras palavras, a humanidade não desenvolverá uma sociedade sem dinheiro em espécie por obediência à Bíblia. Ao contrário, a humanidade o faz por sua livre vontade e por suas próprias razões. A profecia (com frequência) revela antecipadamente aquilo que a humanidade irá livremente “escolher” fazer no futuro. Contudo, ao mesmo tempo, embora a livre agência (escolha) humana esteja envolvida, tudo o que está profetizado na Bíblia será cumprido. É admissível que a lógica neste caso possa parecer meio enrolada.
É estarrecedor verificarmos que a humanidade irá optar por fazer escolhas não inteligentes – escolhas inexplicáveis –, que não demonstram nenhuma lógica ou bom senso. É como se a humanidade preferisse fazer mal a si mesma, agir em seu detrimento, do que ser obediente a Deus. O salmista faz uma pergunta paralela: “Por que se amotinam as nações e os povos tramam em vão?” (Sl 2.1). “Do seu trono nos céus o Senhor põe-se a rir e caçoa deles” (v. 4).

Próximos Passos para tal Cenário

Essencialmente, para que Apocalipse 13.17 seja cumprido (grosseiramente simplificado), pelo menos quatro coisas precisam acontecer:
1. Deve existir um sistema financeiro globalmente integrado e fechado. Tecnologias comuns e necessárias devem estar em funcionamento. Isso significa que nem ao menos um pequeno banco na cidade de Tupelo, no Mississippi, ou na ilha de Tuvalu, será capaz de realizar qualquer tipo de transação (seja para comprar alimentos ou para vender uma casa) fora desse sistema fechado.
2. Um sistema bancário central deve ser endossado em todos os lugares e coordenado centralmente. Isso deve resultar numa filosofia monetária compartilhada em todo o mundo, que, essencialmente, exerça uma forte influência sobre o mercado e sobre o comportamento humano. Em outras palavras, o mundo inteiro deve concordar em agir de acordo com as mesmas regras e valores, desta forma obedecendo e seguindo as ações dos oficiais do setor monetário (o equivalente a suseranos do dinheiro moderno).
3. Os estatutos legais e as instituições regulatórias que supervisionam as atividades financeiras de países individuais devem ser substituídos por uma autoridade mundial centralizada para que as ações unificadas entrem em vigor e sejam impostas.
4. Finalmente, uma “economia política” global unificada que seja poderosa deve existir (ou na forma de um grupo muito pequeno de países poderosos ou na forma de um único autocrata).
Os passos 1 e 2 já estão amplamente completos. O passo 3 está em andamento. Entretanto, um desenvolvimento posterior nessa direção é difícil. Por quê? Porque países individuais devem primeiramente desistir de uma medida de soberania para que isso ocorra. Eles o farão somente com muita relutância. Contudo, como sabem muito bem os tecnocratas e os estrategistas políticos, não há nada tão eficiente como uma crise para unificar o consenso político ou para provocar mudanças. Citando Milton Friedman (conhecido economista financeiro): “Somente uma crise, real e visível, produz a verdadeira mudança”.
Em tempos de desespero, achando que não têm mais escolhas, as pessoas farão maus negócios, abrindo mão da liberdade e potencialmente sendo mantidas reféns. Um exemplo dessa tendência é apresentado no relato de Gênesis, no Antigo Testamento, a respeito dos sete anos de escassez durante o tempo de José. Em seus estágios posteriores, as pessoas ficaram tão desesperadas que disseram: “Compra-nos, e compra as nossas terras, em troca de trigo, e nós, com as nossas terras, seremos escravos do faraó” (Gn 47.19).
Não devemos achar que os acontecimentos da tribulação serão adiados se os elementos do passo 3 não estiverem completos. Como observamos durante as profundezas da recente crise financeira global, os legisladores repetidamente ignoraram as leis e quebraram as regras. Eles se sentiram justificados ao fazerem isso, dada a gravidade da crise. Uma vez que o Anticristo esteja em cena, tendo recebido a autoridade de 10 reis e o poder do dragão, ele poderá passar por cima de todas as leis e convenções.
Desta forma, os acontecimentos de Apocalipse 13 podem estar muito mais próximos do que comumente se imagina. Os acontecimentos finais da era da igreja e os acontecimentos preparatórios para a tribulação ocorrem “inesperadamente” (Lc 21.34), “de repente” (1Ts 5.3) e em cerca de “uma hora” (Ap 17.12).

Pensamentos para Reflexão

Não existe um mecanismo mais poderoso e possível de controle mundial dos seres humanos do que um sistema financeiro integrado sem uso do dinheiro em espécie. Vemos que a besta prontamente aproveita a oportunidade da inclinação da humanidade para adorar Mamom. Cristo nos admoestou que: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. Portanto eu digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa?” (Mt 6.24-25).
Os controles monetários são colocados em atuação pela submissão e adoração à “força” da primeira besta (sendo esta o Anticristo, que recebe seu poder do dragão). A ameaça de perder o acesso à comida, bebida e roupas leva os adoradores de Mamom a receber a “marca”. Por outro lado, aqueles que rejeitam as súplicas da besta serão os que não se preocupam com sua própria vida, nem com o que irão se alimentar. Eles sabem que a vida é “mais importante que a comida”.
A Bíblia diz que todos aqueles que se recusarem a adorar a primeira besta (“aquele que perseverar até o fim” – Mt 24.13) serão mortos. Essa é a política de um regime tribulacional discriminatório (que dura 42 meses), que busca consolidar a obediência à primeira besta, rejeitando a Deus e ao Cordeiro e a todos aqueles cujos nomes estão no livro da vida. Não obstante, o Senhor tem a palavra final. João, o que recebeu a revelação, nos mostra o resultado final. “Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos” (Ap 20.4).
Aqueles que haviam, por falta de visão, dado sua adoração ao Anticristo também encontrarão um regime discriminatório. Lemos a respeito disso: “Um terceiro anjo os seguiu, dizendo em alta voz: ‘Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber a sua marca na testa ou na mão, também beberá do vinho do furor de Deus que foi derramado sem mistura no cálice da sua ira. Será ainda atormentado com enxofre ardente na presença dos santos anjos e do Cordeiro, e a fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre. Para todos os que adoram a besta e a sua imagem, e para quem recebe a marca do seu nome, não há descanso, dia e noite’” (Ap 14.9-11).

domingo, 27 de janeiro de 2019

Jesus pode subir num pé de goiaba?


Jesus pode subir num pé de goiaba?

Daniel Lima
Reflexão sobre a campanha contra a futura ministra dos Direitos Humanos, a sra. Damares Alves, e o que os cristãos devem aprender e lembrar com isso.
Nas últimas semanas, mesmo após o resultado das eleições presidenciais, vejo um Brasil ainda muito dividido. Há pessoas que têm promovido ainda mais a polarização, tanto de um lado como de outro. O argumento da esquerda é mostrar como o presidente eleito já demonstra que o seu governo será o pior desde, talvez, o início do Brasil República. Já os apoiadores do presidente eleito vibram com cada passo, alegando que cada um comprova o momento ímpar que estamos e vamos viver como nação. É óbvio que temos e devemos ter pontos de vista diversos e conflitantes. Nem estranho muito a vibração a favor ou contra. O que tem me chocado é a hostilidade e a baixeza dos argumentos nesta discussão.
Quero tratar da atual e gritante campanha contra a futura ministra dos Direitos Humanos, a sra. Damares Alves. No entanto, por reconhecer que este tipo de ataque não é prerrogativa da esquerda, quero ao menos mencionar a deplorável campanha contra a deputada Maria do Rosário. Muito embora eu tenha profundas divergências com as opiniões desta personagem política, a exposição de fotos de sua filha menor de idade em condições de abuso de substância e talvez desequilíbrio, além de ser criminoso, não contribui para nenhuma discussão, mas unicamente para acirrar o ódio. Será que quem posta fotos assim acredita que sua família está acima desses dramas? Na verdade, essa técnica de destruir reputações para invalidar posições é tão antiga quanto a política e representa o que há de pior nos relacionamentos humanos. A estratégia é ridicularizar a pessoa que apresenta uma posição contrária para desta forma anular qualquer pretensão de validade em seus argumentos.
No caso da sra. Damares Alves, esse padrão foi seguido à risca. Muito embora todos saibam que a escolha de ministros é prerrogativa do presidente eleito, é natural que muitos discordem da indicação dessa senhora para esse cargo. Mas causa uma certa surpresa o tom das críticas, pois tem-se a impressão de que esta senhora é a primeira pecadora a ser conduzida em um panteão de santos. Infelizmente, pessoas das mais variadas – e às vezes questionáveis – qualificações já ocuparam esses postos sem tanta crítica. É também natural que pessoas queiram veicular sua discordância. O que tem chocado muitos é a hostilidade e mesmo a crueldade dos argumentos.
O ponto principal dos ataques é a declarada fé da futura ministra. No centro da campanha de destruição da reputação está seu relato sobre um momento especial em que, aos 10 anos de idade, após uma experiência de anos de abusos sexuais perpetrados por um membro adulto da família, ela decide tirar a própria vida. De posse de um vidro de veneno, ela sobe em uma goiabeira e, enquanto estava criando coragem para o ato, tem uma visão em que Jesus sobe na goiabeira e a convence a não tirar a própria vida. Essa experiência, nas palavras dela, fez com que ela não só desistisse do suicídio, mas que assumisse uma postura de enfrentamento na vida.
Para a grande maioria dos cristãos, inclusive eu, essa história é, sim, plausível, pois cremos em um Deus que intervém na história. Se ele fez com que um jumento falasse, por que não subir num pé de goiaba? Cremos em um Deus que se fez humano e entrou na história para interagir conosco. É exatamente isso que comemoramos no Natal. Essa é uma história relatada por uma menina abusada e traumatizada quanto ao seu enfrentamento de uma experiência paralisante e deformadora da alma. O mínimo que um leitor honesto teria de admitir é que essa experiência (imaginária ou não) levou esta menina a ressignificar sua experiência de abuso e construir um novo elemento fundamental em sua identidade: seu valor pessoal. Tendo lidado com muita gente que sobreviveu a abusos, minha oração é que todas as crianças abusadas possam passar por experiências que as levem ao mesmo resultado.
Cremos em um Deus que se fez humano e entrou na história para interagir conosco. É exatamente isso que comemoramos no Natal.
Reconhecidamente, há muitos pontos que alguém poderia (não estou convencido de que deveria...) discutir nessa história. Como uma menina conseguiu veneno? Será que ela ia mesmo tomar o veneno? Em sua conversa com Jesus, ela precisava falar o que falou? E, finalmente, era mesmo Jesus? No entanto, todas essas perguntas, embora curiosas, são irrelevantes para um fato crucial da história: uma menina abusada pensa em tirar a própria vida, mas após uma experiência decide que vale a pena viver e enfrentar o abuso. Muito mais relevante do que as perguntas alistadas acima são outras perguntas que se impõem: como a família nunca percebeu o abuso e protegeu a menina? Como um líder religioso consegue justificar ou racionalizar uma prática assim? Como a família ou a comunidade da igreja nunca promoveu um ambiente em que ela pudesse procurar ajuda? Como nós, enquanto sociedade, ainda permitimos que isso ocorra entre nós? O que temos feito como sociedade para que crianças abusadas sejam apoiadas e que abusadores sejam enfrentados e tratados? Curiosamente, essas são as perguntas que a futura ministra se propõe a debater, mas que a mídia não parece tão interessada em discutir; afinal, expor alguém ao ridículo parece trazer maior popularidade.
Há relatos anteriores à sua indicação para o ministério onde ela afirma que “é hora de a igreja governar”. O contexto é inteiramente outro, mas pessoalmente essa afirmação revela um descuido político e uma imprecisão bíblico-teológica. Descuido político, pois, exceto se a sra. Damares realmente crê num governo religioso, qualquer governante deve exercer sua função para todos, religiosos ou não. Muito embora eu tenha convicções cristãos muito claras, não posso forçá-las por força de lei sobre os outros. Esse modelo político e religioso já foi tentado, com resultados muito decepcionantes.
A imprecisão bíblico-teológica dá-se porque um governo da igreja sobre um país não se encaixa em quase nenhuma visão teológica, exceto por uma posição pós-milenista, que acredita que a igreja triunfará até a vinda de Cristo, posição defendida por poucos teólogos hoje em dia. A grande maioria do povo evangélico entende que a função da igreja nesta era é promover o reino até que Cristo retorne. A perspectiva pré-milenista é a de que haverá um período em que Cristo reinará por mil anos na Terra e nós, a igreja, governaremos com ele. Isso, no entanto, só ocorrerá após o período de tribulação e a base do governo na terra não será a autoridade da igreja, mas a autoridade pessoal de Cristo. Uma leitura introdutória excelente nesta área é o livro escrito por Ron Rhodes, A Cronologia do Fim dos Tempos.
Existe também uma acusação de que uma ONG fundada por esta senhora está enfrentando um processo na justiça por sequestro de crianças e outros atentados contra indígenas. Sou leigo no assunto, mas investi algum tempo lendo a respeito. As acusações são de grupos ideológicos e ainda carecem de qualquer comprovação. É evidente, mesmo ao leitor casual, que há um gigantesco conflito de interesses com respeito a como lidar com povos indígenas e, nesse terreno, as ideologias se manifestam de modo hostil, polarizando a discussão. Assim como a ONU parece sempre ser parcial (assunto para outro artigo), as ONGs que militam na causa indígena parecem, em muitos casos, mais comprometidas a validar sua ideologia do que realmente buscar o bem-estar dos índios. Meu contato com vários missionários com anos de atuação junto a comunidades indígenas confirma os relatos da ONG fundada pela futura ministra dos Direitos Humanos. Conheci uma jovem indígena que foi salva do infanticídio e, em contraste, já ouvi pessoalmente antropólogos alegando que não podemos interferir em casos de infanticídio, pois isso seria afetar suas culturas... Pessoalmente, não sei se a sra. Damares fará um bom trabalho no ministério ou não. Parece falar com convicção e sua experiência de vida lhe dá paixão. Percebo em seu discurso alguns exageros com os quais não concordo, mas é definitivamente cedo demais para qualquer parecer conclusivo.
Novamente, importa lembrar que tanto agentes da esquerda como da direita usam o mesmo método de invalidar argumentos: atacando a reputação de quem se posiciona. Na verdade, essa prática é parte do ser humano quando acuado em uma discussão. Lembro-me então de uma passagem que pode nos instruir em nossas discussões. É a palavra do apóstolo Paulo em Efésios 4.31-32:
31Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. 32Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.
O apóstolo está falando a cristãos, mas é curioso o contraste estabelecido. De um lado amargura, indignação, ira, gritaria, calúnia e maldade; do outro bondade, compaixão e perdão. Estas campanhas de destruição da reputação parecem se encaixar integralmente no primeiro verso. De especial interesse são duas palavras selecionadas. A primeira é “gritaria”: a palavra no original trazia um significado de tumulto, de clamores de uma multidão. Não há comunicação nesse contexto, sendo perdida qualquer esperança de compreender ou ser compreendido; aquele que apela para a gritaria deseja apenas sobrepujar o outro pela força da sua voz.
Jesus não evitava confrontações, mas não praticava a blasfêmia.
A segunda palavra de interesse é “calúnia”. No original, é a palavra que dá origem à palavra “blasfêmia” em português. Em geral, tanto no AT como no NT, blasfêmia é dirigida contra Deus. Nesse caso se refere a um falar arrogante e depreciativo de outra pessoa. Ao lembrarmos que toda pessoa (esquerda ou direita, ativista LGBT ou militante neonazista) traz em si a imagem de Deus, temos de concluir que desprezo por pessoas vai em direta oposição ao caráter de Deus. Tiago expressa este conceito com clareza em Tiago 3.9: “Com a língua bendizemos o Senhor e Pai e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus”. Quando atacamos o caráter ou a reputação de uma pessoa estamos ofendendo a Deus de modo muito pessoal.
Em contraste, o verso 32 fala de bondade, compaixão e perdão. Nossa comunicação deveria ser marcada por essas atitudes. Às vezes vejo cristãos atacando pessoas como se eles fossem nossos inimigos. É verdade que muitas vezes eles se declaram dessa maneira, mas a Palavra é clara quando diz que não lutamos com carne ou sangue, mas com poderes espirituais. Isso não nos impede de tomarmos posições, mesmo posições que irritem outras pessoas. Jesus não evitava confrontações, mas não praticava a blasfêmia.
Minha oração é que sejamos exemplos em meio a uma época e uma geração perdida. Que meu falar, teu falar, nosso falar seja ungido num bálsamo de amor. Que nossas discussões evitem a destruição de reputações como estratégia de argumentação. Os que me conhecem sabem que considero fundamental a tomada de posições. Por vezes, confesso, também tenho caído nos ataques pessoais, mas ao olhar a Palavra não só reconheço meu erro como também vejo em minha vida e em nossa sociedade os efeitos de discussões que abandonam o tema e partem para ataques pessoais. Isso não tem nenhuma relação com a promoção do reino.
Quanto à nossa irmã Damares, eu oro para que ela exerça sua função com graça, sabedoria e entendimento muito além das capacidades que ela já tem. Oro para que os direitos dos mais fracos sejam defendidos sem que os mais fortes sejam injustiçados. Oro para que a justiça brilhe mais e mais. E, por fim, ao passar por goiabeiras, abacateiros ou qualquer outro lugar que meu Senhor escolher, quero estar atento, pois gosto muito de me encontrar com meu Senhor Jesus!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

O triste significado atual de "evangélico"


O triste significado atual de “evangélico”

Lothar Gassmann

“Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus...” (1Pedro 4.17)
“Evangélico” era a definição que identificava cristãos fiéis à Bíblia, que levavam a sério a Palavra de Deus no ensino e no viver, sem supressões ou acréscimos. Hoje, porém, o termo infelizmente se tornou inconsistente. Numa época em que seria necessária uma oposição especial ao espírito anticristão da época, muitos evangélicos estão em litígio recíproco, infiltrados, mundanizados, contemporizados, fracos na fé, desanimados e debilitados. As discussões, cisões e escândalos dos últimos tempos são provas suficientes. O único satisfeito com essa situação é o Diabo, ao qual resta “pouco tempo” (Apocalipse 12.12) e espera que o reinado do Anticristo se desenvolva possivelmente sem entraves. Aqui estão alguns exemplos dessa triste situação, que esperamos que seja revertida. Em muitos círculos e comunidades de cristãos encontramos:
  • a substituição de uma postura bíblica consistente por sistemas contrários à Bíblia e afirmações abertas ou adaptadas para, por exemplo, a relativização das doutrinas bíblicas da Criação, igreja e sobre o fim dos tempos;
  • a introdução de enganos do humanismo, feminismo, evolucionismo e outros “ismos”;
  • a relativização ou inobservância de padrões éticos bíblicos, referentes a, por exemplo, concubinato, divórcio com base em mera “desordem”; opiniões, moda e estilo musical mundano;
  • a falta de disciplina na igreja em caso de pecados crassos e falsas doutrinas que destroem a igreja;
  • a ascendência do “eu” (mesmo o “eu piedoso”), com seus “privilégios” em relação à majestade e santidade de Deus;
  • a substituição de verdadeiro discipulado bíblico de confissão de pecados, arrependimento e perdão por métodos de psicologia humanista;
  • a prática da “cultura do entretenimento” nas igrejas com shows, festas e jogos de diversão;
  • a mercantilização do evangelho por meio de eventos agressivos de divulgação de editoras, altos cachês para artistas, além de “pregações de arrecadação” desleais, manipuladas e incisivas;
  • a apresentação de um evangelho de “bem-estar” e de “prosperidade”;
  • a substituição do ensino bíblico por uma “cultura romântica” superficial;
  • o crescente prejuízo do teor bíblico e da profundidade doutrinária em favor de experiências e necessidades humanas em muitos novos hinos cristãos;
  • a crescente omissão com relação a temas bíblicos básicos como “pecado”, “arrependimento”, “cruz”, “seriedade do discipulado”, “inferno” e “perdição eterna”;
  • a antiga ênfase para o amor e “ternura” de Deus em relação à santidade e à seriedade de seu juízo;
  • a substituição do espírito bíblico de confissão e resistência por uma busca errônea de unidade e harmonia;
  • a total falta de ênfase da apologética bíblica (doutrina sobre identificação dos espíritos ou defesa da fé);
  • a crescente abertura para um ecumenismo de denominações (em parte também de religiões), existente inclusive entre alguns líderes evangélicos;
  • a ridicularização de irmãos que desejam se manter firmes aos claros padrões da Escritura Sagrada, rotulando-os de “limitados”, “legalistas” e “antiquados”.
Certamente isso – graças a Deus – não acontece em todas as igrejas “evangélicas”. No entanto, a pergunta deve ser feita: será que os cristãos que “valorizam” uma vida cristã tão pobre e superficial estão aptos a enfrentar o Anticristo e os seus precursores? Temo que não, e por isso mencionarei no próximo texto alguns critérios para uma vida cristã resiliente e preparada para o fim dos tempos.