domingo, 7 de maio de 2017

Israel: o Maior Sinal da Breve Vinda de Jesus




Israel: o maior sinal da breve vinda de Jesus

Tim LaHaye
Através das profecias contidas nas Escrituras, o Senhor Jesus Cristo nos deixou o maior sinal possível de Sua vinda para arrebatar Sua Igreja no final dos tempos. Ele, sendo “o espírito da profecia”, acrescentou informações mais significativas e detalhadas do que qualquer um dos profetas do Antigo Testamento. Tenha sempre em mente ao estudar o Sermão do Monte das Oliveiras, em Mateus 24 e 25, que Ele estava respondendo à pergunta especial dos discípulos: “E qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?” (Mt 24.3, NVI).
Em Sua resposta, Ele delineou por inteiro os acontecimentos dos tempos do fim, que compreendem os “últimos dias” ou “o final dos tempos”. É importante observar que Ele nunca repreendeu os discípulos por fazerem tal pergunta, mas, pelo contrário, entrou em maiores detalhes ao lhes responder.
Por isso, podemos concluir que não é possível sabermos “o dia e a hora” em que Cristo voltará. É razoável e até mesmo natural que façamos a pergunta sobre qual sinal irá nos avisar de Sua breve vinda à medida que o fim se aproxima. Deveríamos então estudar a resposta dEle cuidadosamente, pois podemos muito bem estar vivendo nos dias do fim sobre o qual os discípulos estavam perguntando.
Há muitos sinais “do fim” que deveremos estudar nos próximos meses, mas nenhum deles é mais significativo do que o sinal específico que Ele deu em resposta à pergunta dos discípulos no Monte das Oliveiras, registrado em Mateus 24 e 25. Antes de tratarmos do sinal, vamos estabelecer o ambiente, pois ele é sumamente importante.
O fato aconteceu apenas cerca de um dia antes do julgamento e da crucificação de Jesus por causa do pecado do mundo todo. Foi, portanto, dentre as últimas palavras que o Salvador proferiu antes de Seu injusto julgamento e da Sua morte compulsória, que Ele sofreu pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo todo.
Jesus havia acabado de Se apresentar à nação de Israel e ao mundo como o Messias da Bíblia, mas, mesmo assim, eles O rejeitaram. O problema deles é que queriam alguém que os salvasse do opressivo governo romano mais do que queriam alguém que salvasse suas almas por toda a eternidade.
Ele chorou sobre a cidade pela perda que eles estavam por sofrer, devido ao engano satânico incitado pelos falsos ensinamentos dos fariseus, saduceus e outros líderes religiosos da época. Entretanto, suportou os resultados dessa rejeição com o propósito único de “dar a Sua vida em resgate” dos muitos milhões que finalmente viriam a crer nEle e ganhariam a vida eterna que Ele prometera.
Desta forma O encontramos em Mateus 24, no Monte do Templo, onde os discípulos fizeram-Lhe uma das mais importantes perguntas sobre o fim dos tempos, registrada no versículo 3: “Dize-nos, quando acontecerão essas coisas? (isto é, a futura destruição do Templo, que havia sido profetizada por Daniel) E qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?”. Observe como eles fundiram a destruição do Templo (que aconteceria somente trinta e cinco anos mais tarde), o retorno de Jesus e o fim dos tempos (que ainda não aconteceu, após 2.000 anos). Observe particularmente como eles combinaram a vinda de Jesus com o “fim dos tempos”. Esta última combinação é muitíssimo importante para os alunos de profecia, pois Jesus nunca repreendeu os discípulos por combinarem esses dois acontecimentos. Assim, estamos justificados em concluir que eles aconteceriam em datas muito próximas.
Já era naturalmente bastante para a mente deles que a vinda de Cristo estabelecesse Seu reino terreno, sobre o que esses discípulos judeus O haviam ouvido falar tanto em Seus ensinamentos durante aqueles últimos três anos. Mal sabiam eles que isso não aconteceria até que se passassem séculos após a morte deles próprios.
Dentre as muitas coisas que deveríamos aprender a partir desse grandioso ensinamento profético de nosso Senhor – além dEle ter delineado o plano completo para “os últimos dias” ministrando no Monte das Oliveiras – está o ponto principal que Ele citou em Mateus 24.32-33:
Aprendam a lição da figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo. Assim também, quando virem todas estas coisas, saibam que ele está próximo, às portas” (NVI).
O fundamental que Ele quer que aprendamos com essa profecia é a parábola da figueira: quando ela começar a mostrar crescimento, estamos chegando perto da época da colheita. Ele está se referindo, é claro, ao propósito principal da existência dela. A maioria dos estudiosos de profecia crê que “a parábola da figueira” é o ensinamento de que Israel deverá ser o foco da atividade do fim. Na próxima edição vamos apresentar detalhes das Escrituras sobre essa parábola.
À medida que eu estudava e orava sobre esta passagem, cheguei à conclusão de que a parábola aqui não se refere a um evento único, mas sim a um processo de eventos sobre Israel (simbolizado pela figueira), processo esse que começou próximo do final do século 19 e continua não apenas até o momento presente, mas também continuará na Tribulação e culminará com a Aparição Gloriosa de Cristo e o estabelecimento do Seu Reino. Outras passagens identificam isto como o Milênio (ou um reino de paz de mil anos sobre o qual Jesus reinará e durante o qual bilhões de almas responderão a Ele em fé). (Ver Ap 19.11-20.15).
Historicamente, isto começou com a migração gradativa dos judeus de todo o mundo, movimentando-se de volta à terra de Israel para possuí-la como sua terra natal nacional. O primeiro passo público nessa direção foi iniciado quando Theodor Herzl, brilhante estudioso e jornalista, organizou o primeiro Congresso Sionista Mundial na Suíça, em 1897. No ano anterior, ele havia acabado de produzir um livro de extraordinária vendagem, defendendo a criação de um Estado Judeu. Os judeus do mundo todo e muitos cristãos defensores de Israel atenderam à sua conclamação em favor de uma terra natal para seu povo.
Herzl foi chamado “O Pai do Sionismo Mundial” naquela conferência, mas morreu tragicamente quatro anos mais tarde, com a idade de 44 anos. Como costumava dizer Paul Harvey: “E agora estamos prontos para o restante da história – a história de Israel”.
O livro de Herzl era sobre o caso do capitão Dreyfus, a história trágica de um oficial do exército francês grosseiramente discriminado, cuja carreira foi destruída pelo ataque anti-semita a um oficial leal, por nenhum crime a não ser o de ser judeu. É interessante que li esse livro enquanto cursava o Ensino Médio e, em minha juventude, percebi o resultado do anti-semitismo de perto e de modo bem feio. Naquela época, eu não conseguia acreditar no ataque satanicamente inspirado contra um judeu em um país secular, que havia sobrevivido à Revolução Francesa para libertar o país da monarquia francesa.
Anos mais tarde, quando escrevia um livro comparando a revolução dos Estados Unidos, em grande parte realizada por homens cristãos interessados em estabelecer uma nação mais baseada em princípios bíblicos do que qualquer outra nação na história do mundo (o verdadeiro segredo da grandeza dos Estados Unidos), verifiquei que secularizadores da Revolução Francesa escreveram uma constituição que permitiu dez revoluções subseqüentes pela liberdade, enquanto que os delegados constitucionais predominantemente cristãos dos EUA escreveram uma constituição que tem sobrevivido há quase 250 anos e nesse tempo houve apenas uma guerra civil, que foi para libertar os escravos e manter o país unido. Seria possível que os colonizadores da América, que foram melhores para os judeus e lhes deram mais apoio do que qualquer outra nação no mundo, tenham colhido as bênçãos de Deus durante todos esses anos... assim como Ele prometeu? Pessoalmente, creio que sim, porque Deus manteve a Sua promessa quando Ele apresentou o povo hebreu e, subseqüentemente, o povo judeu (Gn 12.1-3).
Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”” (Gn 12.1-3, NVI).
Na próxima edição analisaremos a inspiradora história da figueira brotando durante o Século 20 – verdadeiramente uma história de milagres sobre a fidelidade de Deus a Israel e ao nosso mundo! (Tim LaHaye — Pre-Trib Perspectives — Chamada.com.br)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Páscoa - Como Tudo Começou


Páscoa - Como Tudo Começou

Thomas C. Simcox
De todas as celebrações de Pessach (a Páscoa judaica), apenas uma foi a verdadeira. Ela aconteceu mais de 34 séculos atrás, quando o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó estava fazendo os preparativos para libertar Seu povo escolhido da escravidão no Egito.
O Senhor havia enviado Moisés e seu irmão Arão a Faraó para exigir que fosse permitido aos israelitas irem para o deserto a fim de adorá-lO. Faraó se recusou a dar a permissão. Então, Deus atacou o Egito com nove pragas devastadoras. Mesmo assim, Faraó ainda se recusou a permitir que os israelitas deixassem o Egito.
Então, Deus falou a Moisés: “Ainda mais uma praga trarei sobre Faraó e sobre o Egito. Então, vos deixará ir daqui; quando vos deixar, é certo que vos expulsará totalmente” (Êxodo 11.1).
Deus, como sempre, fez como havia prometido. A décima praga é a chave para o feriado de Pessach porque envolve o cordeiro pascal.
A décima praga foi a morte de todos os primogênitos machos, tanto seres humanos quanto animais. E, diferentemente das nove pragas anteriores, que nunca afetaram Gósen, onde moravam os israelitas, essa praga afetaria a todos.
O Senhor também usou a décima praga para ensinar aos israelitas o princípio bíblico da redenção por meio de um substituto. Ele disse a Moisés: “Consagra-me todo primogênito; todo que abre a madre de sua mãe entre os filhos de Israel, tanto de homens como de animais, é meu” (Êxodo 13.2). Se os israelitas deixassem de seguir as instruções de Deus, esses primogênitos morreriam, juntamente com os primogênitos dos egípcios.
Deus disse aos israelitas que escolhessem um cordeiro ou um cabrito, macho, jovem, (um por família), no décimo dia do mês de nisan e observassem seu cordeiro durante três dias para se assegurarem de que ele era “sem defeito” (Êx 12.5). Depois, as instruções foram: “e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde. Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem” (Êxodo 12.6-7).
O Senhor também lhes disse: “naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão. Não comereis do animal nada cru, nem cozido em água, porém assado ao fogo: a cabeça, as pernas e a fressura” (Êxodo 12.8-9).
Deus não estava interessado nas preferências pessoais deles com relação ao preparo dos alimentos. Os cordeiros deveriam ser preparados de acordo com o que Deus falasse, e nada dos animais deveria ser guardado. “Nada deixareis dele até pela manhã; o que, porém, ficar até pela manhã, queimá-lo-eis” (Êxodo 12.10).
Naquela noite, com o sangue na verga de suas portas, o povo judeu sentou-se em suas casas e comeu o cordeiro pascal. Eles não deveriam sair das casas. Quando Deus via o sangue nas portas, Ele protegia aquela família do destruidor que passou pela terra à meia-noite (Êx 12.29). Onde não havia sangue, os primogênitos machos daquelas famílias do Egito, inclusive a do Faraó, morreram.
O julgamento deu a vitória ao Deus de Israel e expôs a impotência dos ídolos e falsos deuses do Egito.
Os elementos-chave da Páscoa original eram o cordeiro assado, ervas amargas e pão sem fermento. Os sêderes (ceias pascais) de hoje são muito diferentes. O cordeiro é substituído pelo osso da canela (parte da perna abaixo do joelho) de um cordeiro, chamado zerah em hebraico. As ervas amargas permanecem, bem como o pão sem fermento (matzoh). Mas outros elementos foram acrescentados, e o feriado foi transformado de um tempo sóbrio de apreensão em uma celebração alegre de libertação.
Embora hoje Pessach seja substancialmente diferente da observação original, ela ainda aponta claramente para o profundo amor de Deus por Israel e a libertação física que Ele proporcionou ao povo judeu.
A principal mensagem de Pessach,logicamente, é a redenção. É sobre o plano de Deus para redimir Israel da escravidão. Todavia, ela contém paralelos maravilhosos para a cristandade:
1. O cordeiro foi observado durante três dias para se certificarem de que ele era perfeito, sem nenhum defeito. Jesus foi cuidadosamente observado durante Seus três anos de ministério na terra e foi declarado inocente pelo governador romano, Pôncio Pilatos, que afirmou: “eu não acho nele crime algum” (Jo 19.6). João Batista, um levita, disse de Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!‘ (João 1.29).
2. Imediatamente após a Páscoa, é celebrada a festa de sete dias dos Pães Asmos (sem fermento). Na Bíblia, o fermento representa o pecado. Portanto, durante estes sete dias, o povo judeu observador da Lei se abstém de comer todos os produtos que contêm um agente levedador, como o fermento. A Escritura ensina que Jesus, o Deus-Homem, era perfeito – sem defeito, sem pecado – tornando-se o perfeito sacrifício para um Deus santo e justo.
3. Finalmente, vem o feriado dos Primeiros Frutos (Primícias, Lv 23.9-14). De acordo com a Bíblia, essa festa deveria ser observada “no dia imediato ao sábado” (Levítico 23.12). Embora haja algum desacordo quanto ao que essa instrução significa, a festa das Primícias claramente cai durante Pessach. No cristianismo, essa festa é associada à ressurreição de Cristo. Como escreveu o Apóstolo Paulo:
Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Coríntios 15.20-22).
Embora hoje Pessach seja substancialmente diferente da observação original, ela ainda aponta claramente para o profundo amor de Deus por Israel e a libertação física que Ele proporcionou ao povo judeu. É também um lindo quadro de Seu amor pela humanidade por meio da provisão vinda de Deus, que é Jesus, o Cordeiro Pascal, cuja morte e ressurreição proporcionam libertação espiritual da escravidão do pecado a todos aqueles que nEle colocam sua fé. (Thomas C. Simcox — Israel My Glory — Chamada.com.br

terça-feira, 2 de maio de 2017

Comunhão: O Fortalecimento Contra a Apostasia


Comunhão: O Fortalecimento Contra a Apostasia

T.A. McMahon
Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Eclesiastes 4.9-12).
Admoestar contra a apostasia em nossos dias parece ser semelhante a alertar os cristãos sobre a potencial vinda de um dilúvio quando eles já estão com a água da inundação até os joelhos. Infelizmente, para muitos, nem mesmo objetos flutuantes (isto é, as óbvias corrupções cometidas contra as Escrituras) parecem chamar a atenção. Não obstante, continuamos tendo esperança e orando para que a mensagem alcance aqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir o que a Palavra de Deus prevê claramente. Para aqueles que admitem as coisas que estão acontecendo como a Bíblia descreve, pode ser uma experiência aflitiva e ao mesmo tempo trazer contentamento. A parte triste é o reconhecimento das consequências devastadoras e destrutivas da apostasia que está acontecendo no mundo, na igreja, entre nossos amigos e pessoas que amamos e que têm sucumbido aos crescentes enganos e seduções. Por outro lado, podemos nos regozijar de que a Bíblia esteja confirmando sua natureza profética miraculosa, pois ela é, de fato, a Palavra de Deus! Além disso, o fato de que tais eventos, há muito tempo previstos, estão acontecendo indica que nossa bendita esperança, o retorno do nosso maravilhoso Salvador para Seus santos, está se aproximando, embora nenhum homem saiba o dia e a hora.
Nesse ínterim, como devemos tratar com esses tempos difíceis que se opõem agressivamente às instruções da Bíblia para vivermos nossa vida de maneira que seja agradável a Deus? A resposta simples é: Aprenda o que a Bíblia ensina e depois faça o que ela diz, em espírito e em verdade. Tal entendimento e ação na vida de um crente são possíveis somente através do Espírito Santo que habita em todo cristão nascido de novo. Raramente, entretanto, o Espírito de Deus opera em um vácuo, o que significa que o crente deve encher seu coração e sua mente com os ensinamentos das Escrituras para que o Espírito Santo possa dar-lhe entendimento e ajudá-lo a aplicar a sabedoria que Deus nos proporciona em Sua Palavra.
Um ensinamento que é uma questão de crescente preocupação é a comunhão (ou a falta dela) entre os crentes. Uma solicitação que é frequentemente feita pelos nossos leitores é que os ajudemos a encontrar uma igreja que verdadeiramente creia na Bíblia. Para participar de uma comunhão e de um ensinamento assim, alguns estão dispostos (como muitos já o fazem) a dirigir horas para serem alimentados com a Palavra de Deus. Nossa resposta é que não podemos recomendar nenhuma igreja. Isto não é porque não haja igrejas sólidas nas proximidades; é porque temos visto tantas igrejas aderirem a ensinamentos questionáveis e a programas não-bíblicos, aparentemente da noite para o dia. Nosso conselho para aqueles que estão buscando seriamente uma igreja é ligar para o pastor ou para um presbítero da igreja e fazer-lhe perguntas sobre a visão que aquela comunidade tem a respeito da Palavra de Deus, ou seja, com que seriedade a comunidade considera a Bíblia. Uma declaração de fé, embora pareça biblicamente sadia, raramente é um indicador verdadeiro do discernimento bíblico e da prática bíblica dentro de uma igreja. Novamente, as perguntas devem ser feitas e as respostas aceitáveis devem ser analisadas através da participação pessoal naquela igreja para que se veja se, de fato, ela vive à altura do que foi afirmado.
Geralmente, os motivos pelos quais os cristãos deixam uma comunidade e se mudam para outra têm mais a ver com uma “atitude de consumidor” do que com um desejo de ouvir a Palavra de Deus e servir aos irmãos e irmãs em Cristo. Uma mentalidade de “alimentem-me” geralmente transcende a edificação espiritual e prioriza coisas como preferência por um tipo de música de louvor, o tempo de duração de um sermão ou um culto, o carisma do pastor, a disponibilidade de programas populares, a falta de lugar nos bancos para se colocarem os copinhos depois da ceia, etc. Embora este pensamento possa penetrar até nas mentes dos crentes mais comprometidos, são as igrejas que tentam ser simpáticas, que são voltadas para o mercado, que têm sido as primeiras em transigir a doutrina bíblica. A abordagem que é “sensível àqueles que estão buscando” pode fazer aumentar o número de pessoas nas igrejas (usualmente vindos de outras igrejas, que não oferecem algumas facilidades já mencionadas acima), mas também tem criado refugiados que estão procurando por integridade doutrinária. A má notícia/boa notícia é que ambas vão aumentar nos dias que estão por vir.
A transigência das verdades bíblicas, a má notícia, está em alta. Isto impelirá os verdadeiros crentes a encontrarem comunhão com cristãos que estão resistindo de acordo com as Escrituras (1Coríntios 16.13). A boa notícia é definitivamente boa, mas não é desprovida de problemas. Como já observamos, pode ser bem difícil encontrar uma igreja biblicamente sólida. Algumas pessoas simplesmente param de procurar e desistem de participar de uma igreja. Começam a buscar “comunhão” em ministérios que se comunicam via mídia, e, embora o ensinamento possa ser edificante, não satisfaz o mandado da Escritura relativo à comunhão (Hebreus 10.24-25). Tal abordagem pode promover uma mentalidade focada no eu e raramente obedece à admoestação bíblica de que cada um deve servir os outros (Gálatas 5.13). Sobretudo, o que pode ser a consequência mais danosa espiritualmente por se desconsiderar a comunhão é que o crente se arrisca a se tornar um cristão “soldado solitário”. Essa pessoa é um alvo fácil para aquele que “anda em derredor, como leão que ruge buscando a quem possa devorar” (1 Pedro 5.8).
Os cristãos que não têm comunhão, independentemente dos motivos ou da justificativa, trazem sobre si mais do que alguns problemas potenciais. Para começar, como afirmam os versículos acima, do livro de Eclesiastes, eles se colocaram em uma posição vulnerável: “Melhor é serem dois do que um (...) Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante”. Um crente que não tem ninguém que o apoie espiritualmente se encontrará em dificuldade mais cedo ou mais tarde. Quando qualquer um de nós se abate espiritualmente, precisamos de um amigo crente para nos ajudar a nos levantarmos mental, emocional e, o mais importante, espiritualmente.
Quanto àqueles que afirmam: “O Senhor é tudo o que precisamos”, com muita frequência, o próximo pensamento deles está em desalinho com a Palavra de Deus. Jesus disse em Lucas 6.46: “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?”. Certamente que precisamos de Jesus em primeiro lugar, mas Ele nos deu instruções que devemos seguir, e elas incluem envolver outros cristãos em nossa vida. A Palavra de Deus nos diz que “não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns” (Hebreus 10.25). Isto não é meramente uma sugestão! Mesmo que não soubessem os motivos para esse mandado do nosso Senhor, a ordem ainda deveria ser obedecida, e inúmeras razões são apresentadas em toda a Escritura. Dentre elas encontram-se a prestação de contas, o estímulo, o orar pelos outros, o receber oração dos outros, a edificação mútua através da Palavra, da correção, do apoio pessoal e do fortalecimento na fé, mostrando solidariedade e compaixão, ajudando os outros a usarem o discernimento, crescendo em amor uns pelos outros e mantendo a firmeza bíblica.
Falando de maneira prática, evitar ou desdenhar a comunhão elimina nossa habilidade de cumprirmos com as importantes exortações para os crentes servirem uns aos outros. A afirmativa de qualquer pessoa de que ela “segue a Jesus” é vazia se tal pessoa evitar o exemplo de nosso Salvador “que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20.28). Devemos levar “as cargas uns dos outros e assim cumprir a lei de Cristo” (Gálatas 6.2). As epístolas de Paulo aos coríntios estão repletas de exemplos de crentes ministrando uns aos outros, aceitando uns aos outros, edificando-se uns aos outros, corrigindo uns aos outros, satisfazendo as necessidades dos outros santos, e assim por diante. Com muita frequência, deixamos de perceber que nos escritos de Paulo às igrejas ele nos dá um maravilhoso exemplo de como devemos ministrar uns aos outros. Isso deveria ser evidente para nós quando lemos: “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Filipenses 3.17). O compromisso e o amor dele por seus companheiros crentes em todos os seus escritos inspirados por Deus são tanto extraordinários quanto convincentes.
Mesmo que em nosso futuro tenhamos perseguições, as quais ainda não têm sido muito fortes no horizonte aqui no Ocidente (mas que são um fato da vida para muitos de nossos irmãos e irmãs em Cristo em inúmeros países), a importância da comunhão é ainda mais imperativa para os crentes, uma vez que as Escrituras são claras a esse respeito. Como a perseguição aos cristãos bíblicos no Ocidente certamente aumentará, aqueles que desejarem ser fiéis à fé “que uma vez por todas foi dada aos santos” (Judas 3) serão no mínimo marginalizados, com experiências ainda piores nos dias que estão adiante de nós. Depois de décadas de sedução espiritual devida aos ensinamentos não-bíblicos, às falsas práticas, às concessões ao mundo, à persistente aceitação das pseudo-ciências da evolução e da psicoterapia, a consideração do homossexualismo como “socialmente correto”, e a ânsia por se fazerem as coisas do jeito do homem e não da maneira de Deus, chegamos ao momento em que é chegada “a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus” (1 Pedro 4.17). Exatamente como isso vai acontecer ainda será visto, mas a história da perseguição dentro da cristandade indica que ela será muito mais cruel do que os martírios executados pelos governos. Precisamos somente considerar as históricas inquisições religiosas para reconhecer isso.
Será que o mundo realmente se voltará contra os cristãos? Alguns governos já se voltaram, mas logo as coisas vão piorar. Por quê? Porque nosso planeta está seguindo em direção a um governo mundial único, que ficará sob o controle do Anticristo. A religião do Anticristo, como Dave Hunt apontou, não é somente em oposição ao cristianismo bíblico; é também uma imitação sedutora do cristianismo. Apresentando uma forma de cristianismo bíblico sem a verdade, sem o evangelho, sem suas instruções, a religião do Anticristo se tornará um sistema de crenças orientado para o amor ao ego e para a deificação do ego que inicialmente tem a “forma de piedade”, mas nega-lhe o poder (2 Timóteo 3.5). Aos cristãos professos será dado um passe-livre – mas não aos cristãos bíblicos, aqueles que permanecerem firmes na Palavra de Deus.
Será que a Igreja cristã poderá algum dia se voltar contra si mesma? Sim, mas essa será a igreja cristã professa, com seus líderes cegados e mercenários iludidos. Eles posarão de verdadeiros pastores, mas são, na verdade, lobos vorazes vestidos em pele de ovelha. Foram aqueles que, de fato, fizeram o papel de cristãos, mas nunca nasceram de novo. Em Atos 20.28-31, Paulo admoesta os presbíteros de Éfeso sobre o que aconteceria na igreja depois que ele partisse:
Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um”.
O que, então, os cristãos bíblicos devem fazer à medida que vemos essas situações proliferando antes do retorno de Jesus para Sua noiva? Muitas das coisas que estão sendo ditas e vendidas em alguns sites cristãos e por alguns autores cristãos de livros best-sellers, que desconsideram o iminente retorno de Jesus e o Arrebatamento pré-tribulacional, tratam da nossa preparação para sobreviver fisicamente aos sete anos da Tribulação.
Estes indivíduos oferecem, convenientemente, instruções de sobrevivência para o período que a Bíblia descreve em todo o Livro de Apocalipse e em Mateus 24.21-22 como sendo um tempo “como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados”. Mesmo uma leitura rápida do Apocalipse demonstra claramente que eventos cataclísmicos, martírios e a ira de Deus deixarão vivo somente um remanescente de judeus e não-judeus crentes na Segunda Vinda de Cristo com Seus santos. Porém, o clipe promocional de um documentário cristão reprova os pastores por não prepararem seu rebanho para passar pela “grande tribulação” (Mateus 24.21).
Os crentes não deveriam ficar surpresos nem oprimidos quando tiverem que passar por várias tribulações (João 16.33), mas a Grande Tribulação não está em nosso futuro. Cristo removerá Sua Noiva no Arrebatamento antes do “tempo da angústia de Jacó”, um acontecimento tão devastador que levou Jeremias a exclamar: “Ah! Que grande é aquele dia, e não há outro semelhante” (Jr 30.7). Como então os crentes devem se preparar para as potenciais dificuldades, especialmente dentro do cristianismo, antes do Arrebatamento? O programa de prevenção não é muito complexo, embora possa ser uma verdadeira luta para alguns, dependendo de onde eles estão em sua caminhada com o Senhor. Como qualquer programa de exercícios, ele pode inicialmente ser difícil para os que não estão familiarizados. A luta tem principalmente a ver com disciplina. A leitura diária da Palavra de Deus é um exercício introdutório que precisa se tornar um hábito para todo cristão nascido de novo. O conteúdo das Escrituras – aquilo que se lê – deve ser vivido diariamente pelo crente. A familiaridade disciplinada com as instruções de Deus não é somente necessária para guiar nossa vida, mas forma a base para nossa proteção contra os enganos espirituais.
A comunhão com irmãos e irmãs em Cristo que estão em concordância é uma parte importante do ensinamento do Senhor dado para nossa proteção, fortalecimento e frutificação. Precisamos “cercar nossa tenda” hoje e nos dias que estão por vir. Nossa melhor opção é a comunhão da igreja, apoiando a liderança que é dedicada, firme na Palavra de Deus e que serve ao corpo. Quando isto não for uma opção, devemos pedir a Deus que nos ajude a encontrar outro crente, ou outros crentes, com quem possamos ter estudos bíblicos, com quem possamos orar, com quem possamos ministrar um ao outro, encorajar um ao outro e, novamente, com quem possamos “cercar nossa tenda” para termos proteção espiritual. “Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Eclesiastes 4.12). Que essa terceira dobra seja o Leão de Judá, o próprio Senhor Jesus. (T.A. McMahon — The Berean Call)

O Destino Profético da Igreja


O Destino Profético da Igreja

Thomas Ice
Qual é o futuro profético da Igreja? Para tratarmos dessa questão, devemos entender antes que a Igreja se relaciona de duas maneiras com o programa de Deus. Primeiro, a verdadeira Igreja é formada de judeus e gentios que conhecem a Cristo genuinamente como seu Salvador e tiveram seus pecados perdoados. Começando no Dia de Pentecostes em Atos 2 e continuando até ao Arrebatamento, todos aqueles que confiam em Cristo como seu Salvador são parte de Seu Corpo, que a Bíblia chama de Igreja. Os crentes de antes da fundação da Igreja em Atos 2 e os que se tornarem crentes depois do Arrebatamento não são parte da Igreja, o Corpo de Cristo.
Segundo, existe o âmbito da influência da igreja professa, a quem chamaremos de cristandade. A cristandade constitui qualquer coisa ou todas as coisas que estiverem associadas com a igreja visível, inclusive todos os seus ramos e organizações, como o catolicismo romano, a ortodoxa oriental, o protestantismo e até mesmo as seitas. A cristandade inclui verdadeiros crentes e falsos professos, que jamais foram verdadeiramente nascidos de novo: o trigo e o joio crescendo juntos (Mt 13.24-30). Esses dois aspectos da Igreja possuem destinos proféticos muito diferentes.

O Arrebatamento

O próximo acontecimento no calendário profético para a verdadeira Igreja é o Arrebatamento (Jo 14.1-3; 1Co 15.51-52; 1Ts 4.13-18; etc.). Este acontecimento é descrito em 1 Tessalonicenses 4.17, que diz que ele será um tempo no qual todos os crentes, vivos ou mortos, serão “arrebatados (...) entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares”. Este evento poderá acontecer a qualquer momento, sem aviso, e é descrito pelo tema de Cristo como o Noivo e a Igreja como a Noiva. Na presente época, a Igreja está desposada, ou comprometida, com Cristo – totalmente comprometida, tendo sido comprada pelo sangue dEle. O Noivo foi para a casa do Pai para preparar um lugar a fim de levar a Sua noiva ao lugar especial deles na casa de Seu Pai. Enquanto está fora, o que perdurará pela atual era da Igreja, a fidelidade da Noiva é testada pela separação e ela deve permanecer fiel enquanto está constantemente aguardando pelo retorno súbito e não-anunciado do Noivo. Quando o Pai der o sinal, o clamor será anunciado e a era da Igreja chegará ao fim no Arrebatamento; assim, todos nós estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4.17).
Todavia, os não-salvos dentro da cristandade serão deixados para trás e entrarão no período da Tribulação, sendo preparados para servir como a prostituta de Satanás – “a grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas” (Ap 17.1) – que ajudará a facilitar o grande engano do Anticristo na forma da igreja mundial na primeira metade da Tribulação. Essa igreja ecumênica e apóstata vai abrir caminho para a religião mundial única – o culto ao Anticristo e a recepção da marca da besta (Ap 13.16-18), na segunda metade da Tribulação.
É significativo observarmos que Apocalipse 13.11-18 apresenta o Falso Profeta (o cabeça da igreja mundial única durante a Tribulação) como aquele que está advogando em favor do Anticristo de que os habitantes da terra deveriam levar a marca da besta, na forma do número seiscentos e sessenta e seis (Ap 13.18). Assim como a Igreja verdadeira tem o papel de declarar e esclarecer a verdade de Deus, também a prostituta de Satanás possui o papel de liderança na promoção de sua mensagem falsa e enganosa.
A Igreja é única no plano de Deus e separada de Seu plano para Israel. Enquanto que a Igreja compartilha das promessas espirituais da Aliança Abraâmica cumprida em Cristo, Israel (não a Igreja) cumprirá seu destino nacional como uma entidade separada, depois do Arrebatamento e da Tribulação, durante o Milênio. O Novo Testamento afirma que a Igreja era um mistério não revelado no Antigo Testamento (Rm 16.25-26; Ef 3.2-10; Cl 1.25-27); é por isso que ela começou repentinamente, sem aviso, em Atos 2, e é por isso que esta era terminará repentinamente, sem aviso, no Arrebatamento. Portanto, a Igreja não possui nenhum destino profético terreno que vá além do Arrebatamento.

A Era da Igreja é uma Dispensação Distinta

A era da Igreja não é caracterizada pelos acontecimentos proféticos historicamente verificáveis, exceto seu início no Dia de Pentecostes e seu fim no Arrebatamento. Mas o curso geral desta era tem sido profetizado e pode proporcionar uma visão geral sobre o que se pode esperar durante esta época.

A cristandade inclui verdadeiros crentes e falsos professos, que jamais foram verdadeiramente nascidos de novo: o trigo e o joio crescendo juntos (Mt 13.24-30). Esses dois aspectos da Igreja possuem destinos proféticos muito diferentes.
Até mesmo as profecias específicas que são cumpridas durante a era da Igreja se referem ao plano profético de Deus para Israel e não diretamente à Igreja. Por exemplo, a destruição profetizada de Jerusalém e do seu Templo, que ocorreu no ano 70 d.C., se refere a Israel (Mt 23.38; Lc 19.43-44; Lc 21.20-24). Desta forma, não é inconsistente que as preparações proféticas relativas a Israel já estejam a caminho com o restabelecimento de Israel como nação em 1948, embora ainda estejamos vivendo na era da Igreja.
O curso da atual era da Igreja é dado aos cristãos em três conjuntos de passagens no Novo Testamento. Um entendimento dessas passagens é necessário para se ter um entendimento sobre os sinais dos tempos.

Mateus 13

As parábolas de Mateus 13 fornecem uma percepção sobre o curso da atual era da Igreja. Na verdade, visto que Mateus examina esta era atual em sua relação com o reino, as parábolas cobrem o período entre os dois adventos de Cristo – Sua primeira e Sua segunda vindas. Isto inclui a Tribulação, a Segunda Vinda e o julgamento depois do Arrebatamento, mas também inclui uma visão geral importante sobre nossa presente era. Como Mateus 13 mostra esta era? O Dr. J. Dwight Pentecost resume a descrição da seguinte maneira:
Podemos resumir o ensino quanto ao curso desta era, dizendo: (1) haverá a semeadura da Palavra durante toda a era, que (2) será imitada pelo falso semeador; (3) o reino assumirá enormes proporções externas, mas (4) será marcado pela corrupção doutrinária interna; todavia, o Senhor ganhará para Si (5) um tesouro peculiar do meio de Israel, e (6) da Igreja; (7) a era terminará em julgamento com os ímpios excluídos do reino a ser inaugurado pelos justos levados para desfrutarem da bênção do reinado do Messias.[1]

Apocalipse 2-3

A próxima passagem importante que proporciona uma visão geral do curso desta era é encontrada na apresentação das sete igrejas de Apocalipse 2-3. A perspectiva de Apocalipse 2-3 é em referência ao programa da Igreja e não do reino. Assim, sua visão geral procede de Pentecostes até o Arrebatamento, como indicado pela frase apresentada repetidas vezes: “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; Ap 3.6,13,22). Estas sete igrejas históricas do Século I fornecem um padrão dos tipos de igrejas que existirão durante toda a história da Igreja.

Os Últimos Dias da Igreja

O Novo Testamento fala claramente sobre os últimos dias, para a Igreja, nas epístolas. É interessante que, virtualmente, todos esses comentários sobre a apostasia dos últimos dias venham das epístolas escritas pouco tempo antes da morte de cada apóstolo que as escreveu, isto é, durante os últimos dias de cada apóstolo, como para enfatizar os perigos latentes durante os últimos dias da Igreja. A seguir, temos uma lista das sete passagens mais importantes que tratam dos últimos dias da Igreja:
1 Timóteo 4.1-3;
2 Timóteo 3.1-5;
2 Timóteo 4.3-4;
Tiago 5.1-8;
2 Pedro 2.1-22;
2 Pedro 3.3-6;
Judas 1-25.
Cada uma dessas passagens enfatiza vez após vez que a grande característica do tempo final da Igreja será a apostasia; não obstante, um evangelismo eficiente acontecerá ainda antes dos últimos momentos da Era da Igreja.
O curso claro dos últimos dias para a Igreja consiste de constantes admoestações ao crente para estar alerta contra o desvio doutrinário, também conhecido como apostasia. Tal característica proporciona ao cristão um sinal claro do final da nossa era atual da Igreja.
Embora profecias específicas não sejam dadas relativamente à atual era da Igreja, vimos que três conjuntos de passagens pintam uma figura geral do curso desta época. Os três conjuntos indicam que a apostasia caracterizará a cristandade durante o tempo em que o Arrebatamento acontecerá.O Novo Testamento afirma que a Igreja será removida no Arrebatamento antes do tempo em que tenha início a Tribulação (1Ts 1.10; 1Ts 5.9; Ap 3.10) e será levada por Cristo para a casa do Pai (Jo 14.1-3). A Igreja estará no céu durante a Tribulação, sendo representada pelos 24 anciãos (Ap 4.4,9-11; Ap 7.13-14; Ap 19.4). Durante a Tribulação de sete anos na terra, a Noiva passará pelo Tribunal do Galardão de Cristo em preparação (Ap 19.4-10) para acompanhar Cristo durante Sua descida na Segunda Vinda (Ap 19.14). A preparação celestial da Igreja durante a Tribulação, imediatamente antes da Segunda Vinda, também é mencionada como a noiva que se ataviou (Ap 19.7) para as Bodas do Cordeiro. As bodas acontecerão no início do Milênio, depois da Segunda Vinda.
Enquanto o próximo acontecimento para a Igreja – o corpo de Cristo – seja o translado da terra para o céu no Arrebatamento, aqueles crentes deixados na igreja organizada como instituição passarão pela Tribulação e formarão a base de uma super-igreja apóstata que o Falso Profeta usará para ajudar no governo mundial do Anticristo (Ap 13; Ap 17.1-18). A verdadeira Igreja de Jesus Cristo não fará parte da Tribulação.

Conclusão

O papel da Igreja durante o Milênio, em cujo tempo todos os membros da Igreja já terão recebido seus corpos ressurretos no Arrebatamento, será reinar e governar com Cristo (Ap 3.21). Em Mateus 19.28, Jesus disse aos Seus discípulos, que são membros da Igreja, que eles se uniriam a Ele no reino e reinariam sobre as doze tribos de Israel. Da mesma forma, em 2 Timóteo 2.12, Paulo escreve: “Se perseveramos, também com ele reinaremos”. O propósito principal do Milênio é a restauração de Israel e o governo de Cristo sobre Israel, mas a Igreja, como a Noiva de Cristo, não estará ausente das atividades do Milênio.
As Escrituras não são claras quanto a Israel, a Igreja e os outros grupos de crentes da história manterem ou não suas distinções por toda a eternidade. Não parece haver um motivo bíblico pelo qual eles não possam adorar e servir a Deus como grupos distintos de pessoas salvas por toda a eternidade. Na verdade, a Nova Jerusalém do estado eterno indica algumas distinções, tais como as 12 tribos de Israel (Ap 21.12), os 12 apóstolos da Igreja (Ap 21.14), e o fato de que a glória e honra das nações serão trazidas à Nova Jerusalém (Ap 21.26). Maranata! (Thomas Ice — Pre-Trib Perspectives)

Nota:

  • 1. J. Dwight Pentecost, Things to Come: A Study in Biblical Eschatology (Manual de Escatologia) (Grand Rapids: Zondervan Publishing, 1965), p. 149.

sábado, 22 de abril de 2017

Mais Escuro Que a Noite




Mais Escuro Que a Noite

Thomas Lachenmaier
Cientistas têm procurado há muito tempo o mais profundo Preto, para o qual haveria uma série de aplicações industriais. Eles o encontraram na natureza.
Pesquisadores norte-americanos, japoneses e britânicos ficaram bastante surpresos ao olharem pelo microscópio do National Physical Laboratory em Teddington, na Grã-Bretanha: tão preto eles nunca tinham visto. O que estava diante dos seus olhos era o Preto sobre as asas da borboleta azul da montanha (Papilio ulysses). Em contraste, o azul da borboleta traz um particularmente intenso brilho.
Em anos anteriores, os pesquisadores tentaram fazer um Preto singularmente escuro. Eles mergulharam chapas de alumínio em uma solução de níquel e fósforo, depositando depois em ácido nítrico. Foram necessários centenas de experimentos até que ficasse um revestimento extremamente escuro nas chapas. Se fôssemos iluminar uma dessas chapas revestidas, a sua superfície iria absorver quase toda a luz e muito pouco retornaria como reflexo. Mas a borboleta de Ulisses colocou este Preto na sombra. O seu Preto é composto a partir de pequenos tubos microscópicos densamente arranjados, denominados nanotubos. São “armadilhas luminosas” que asseguram que praticamente não haverá reflexo da luz.
A borboleta de Ulisses inspirou o físico nova-iorquino Shawn-Yu Lin. Ele desenvolveu um “nanopreto” que reflete apenas 0,045 por cento da luz que incide sobre ele. Um Preto puro é muito valioso para o revestimento de telescópios e outros instrumentos ópticos, pois sem luz difusa a qualidade da imagem não é afetada. Também na indústria solar são concebíveis aplicações. Um laboratório japonês trabalha no desenvolvimento de um Preto que não absorve apenas a luz, mas também a luz de ondas invisíveis, como o radar. Assim, aviões de combate não seriam mais localizados pelos radares. (Thomas Lachenmaier — factum-magazin.ch)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Fique Longe Dessa Cabana


Fique Longe Dessa Cabana

James B. De Young
O livro A Cabana vendeu milhões de cópias em todo o mundo e está para ser lançado como um filme. Mas, enquanto o romance quebra os recordes de vendas, ele também rompe a compreensão tradicional de Deus e da teologia cristã. E é aí que está o tropeço. Será que um trabalho de ficção cristã precisa ser doutrinariamente correto?
Quem é o autor? William P. Young [Paul], um homem que conheço há mais de uma década. Cerca de quatro anos atrás, Paul abraçou o “Universalismo Cristão” e vem defendendo essa visão em várias ocasiões. Embora freqüentemente rejeite o “universalismo geral”, a idéia de que muitos caminhos levam a Deus, ele tem afirmado sua esperança de que todos serão reconciliados com Deus, seja deste lado da morte, ou após a morte. O Universalismo Cristão (também conhecido como a Reconciliação Universal) afirma que o amor é o atributo supremo de Deus, que supera todos os outros. Seu amor vai além da sepultura para salvar todos aqueles que recusaram a Cristo durante o tempo em que viveram. Conforme essa idéia, mesmo os anjos caídos, e o próprio Diabo, um dia se arrependerão, serão libertos do inferno e entrarão no céu. Não pode ser deixado no universo nenhum ser a quem o amor de Deus não venha a conquistar; daí as palavras: reconciliação universal.
Será que um trabalho de ficção precisa ser doutrinariamente correto?
Muitos têm apontado erros teológicos que acharam no livro. Eles encontram falhas na visão de Young sobre a revelação e sobre a Bíblia, sua apresentação de Deus, do Espírito Santo, da morte de Jesus e do significado da reconciliação, além da subversão de instituições que Deus ordenou, tais como o governo e a igreja local. Mas a linha comum que amarra todos esses erros é o Universalismo Cristão. Um estudo sobre a história da Reconciliação Universal, que remonta ao século III, mostra que todos esses desvios doutrinários, inclusive a oposição à igreja local, são características do Universalismo. Nos tempos modernos, ele tem enfraquecido a fé evangélica na Europa e na América. Juntou-se ao Unitarianismo para formarem a Igreja Unitariana-Universalista.
Ao comparar os credos do Universalismo com uma leitura cuidadosa de A Cabana, descobre-se quão profundamente ele está entranhado nesse livro. Eis aqui algumas evidências resumidas:
1) O credo universalista de 1899 afirmava que “existe um Deus cuja natureza é o amor”. Young diz que Deus “não pode agir independentemente do amor” (p. 102),[1] e que Deus tem sempre o propósito de expressar Seu amor em tudo o que faz (p. 191).
2) Não existe punição eterna para o pecado. O credo de 1899 novamente afirma que Deus “finalmente restaurará toda a família humana à santidade e à alegria”. Semelhantemente, Young nega que “Papai” (nome dado pelo personagem a Deus, o Pai) “derrama ira e lança as pessoas” no inferno. Deus não pune por causa do pecado; é a alegria dEle “curar o pecado” (p. 120). Papai “redime” o julgamento final (p. 127). Deus não “condenará a maioria a uma eternidade de tormento, distante de Sua presença e separada de Seu amor” (p. 162).
3) Há uma representação incompleta da enormidade do pecado e do mal. Satanás, como o grande enganador e instigador da tentação ao pecado, deixa de ser mencionado na discussão de Young sobre a queda (pp. 134-37).
4) Existe uma subjugação da justiça de Deus a seu amor – um princípio central ao Universalismo. O credo de 1878 afirma que o atributo da justiça de Deus “nasce do amor e é limitado pelo amor”. Young afirma que Deus escolheu “o caminho da cruz onde a misericórdia triunfa sobre a justiça por causa do amor”, e que esta maneira é melhor do que se Deus tivesse que exercer justiça (pp. 164-65).
5) Existe um erro grave na maneira como Young retrata a Trindade. Ele afirma que toda a Trindade encarnou como o Filho de Deus, e que a Trindade toda foi crucificada (p. 99). Ambos, Jesus e Papai (Deus) levam as marcas da crucificação em suas mãos (contrariamente a Isaías 53.4-10). O erro de Young leva ao modalismo, ou seja, que Deus é único e às vezes assume as diferentes modalidades de Pai, Filho e Espírito Santo, uma heresia condenada pela igreja primitiva. Young também faz de Deus uma deusa; além disso, ele quebra o Segundo Mandamento ao dar a Deus, o Pai, a imagem de uma pessoa.
6) A reconciliação é efetiva para todos sem necessidade de exercerem a fé. Papai afirma que ele está reconciliado com o mundo todo, não apenas com aqueles que crêem (p. 192). Os credos do Universalismo, tanto o de 1878 quanto o de 1899, nunca mencionaram a fé.
7) Não existe um julgamento futuro. Deus nunca imporá Sua vontade sobre as pessoas, mesmo em Sua capacidade de julgar, pois isso seria contrário ao amor (p. 145). Deus se submete aos humanos e os humanos se submetem a Deus em um “círculo de relacionamentos”.
8) Todos são igualmente filhos de Deus e igualmente amados por ele (pp. 155-56). Numa futura revolução de “amor e bondade”, todas as pessoas, por causa do amor, confessarão a Jesus como Senhor (p. 248).
9) A instituição da Igreja é rejeitada como sendo diabólica. Jesus afirma que Ele “nunca criou e nunca criará” instituições (p. 178). As igrejas evangélicas são um obstáculo ao universalismo.
10) Finalmente, a Bíblia não é levada em consideração nesse romance. É um livro sobre culpa e não sobre esperança, encorajamento e revelação.
Logo no início desta resenha, fiz uma pergunta: “Será que um trabalho de ficção precisa ser doutrinariamente correto?” Neste caso a resposta é sim, pois Young é deliberadamente teológico. A ficção serve à teologia, e não vice-versa. Outra pergunta é: “Os pontos positivos do romance não superam os pontos negativos?” Novamente, se alguém usar a impureza doutrinária para ensinar como ser restaurado a Deus, o resultado final é que a pessoa não é restaurada da maneira bíblica ao Deus da Bíblia. Finalmente, pode-se perguntar: “Esse livro não poderia lançar os fundamentos para a busca de um relacionamento crescente com Deus com base na Bíblia?” Certamente, isso é possível. Mas, tendo em vista os erros, o potencial para o descaminho é tão grande quanto o potencial para o crescimento. Young não apresenta nenhuma orientação com relação ao crescimento espiritual. Ele não leva em consideração nem a Bíblia, nem a igreja institucional com suas ordenanças. Se alguém encontrar um relacionamento mais profundo com Deus que reflita a fidelidade bíblica, será a despeito de A Cabana e não por causa dela. (extraído de uma resenha de James B. De Young, Western Theological Seminary - The Berean Call - http://www.chamada.com.br)

Deus se Arrepende?



Norbert Lieth
Pergunta: “Há alguns dias o tema da pregação no culto foi o Dilúvio. No fim, nosso pastor perguntou à igreja o que poderíamos concluir das palavras de Gênesis 8.21:“Sentiu o Senhor... em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem;... nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer”.Uma passagem paralela seria Gênesis 6.7, em que Deus diz que se arrependeu de ter feito o homem. Diante da pergunta do pastor, um importante ancião da igreja levantou-se e respondeu que também Deus cometia erros! Seu tom era indiferente, como se fosse tranqüilizador o fato de Deus ser tão “humano” e parecido conosco nesse ponto. Tenho certeza de que ele falava sério, como se Deus realmente tivesse sido forçado a reconhecer que cometera uma bobagem e agira de forma precipitada e em ira descontrolada. Para mim essa afirmação é totalmente inaceitável, não posso conviver com isso! Como poderíamos confiar em um Deus que comete erros?! Onde mais Ele teria cometido erros, ou onde os cometerá? Talvez também haja erros na Escritura Sagrada, mas onde? Talvez o Gólgota tenha sido um erro? Não seria possível confiar em mais nada, a fé e a igreja não teriam mais sentido. Como vocês entendem a expressão “arrependeu-se o Senhor”,sendo que em Números 23.19 (também em 1 Samuel 15.29) está escrito: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa”?”
Resposta: O trecho que diz que Deus se arrependeu está em Gênesis 6.5-6: “Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração”.
A palavra hebraica para “arrepender-se” não pode ser entendida como arrependimento ou reconhecimento de erro da parte de Deus. Isso fica claro em Números 23.19: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?”.
A palavra “naham” (arrepender) tem o significado básico de “ter compaixão” ou “lamentar”. Por isso, o estudioso judeu Martin Buber traduziu o versículo desta forma: “Lamentou-se ele de ter feito o homem sobre a terra, e angustiou-se em seu coração”. O sentido geral é que Deus sofre junto conosco quando precisa nos castigar. O Todo-Poderoso não gosta de punir, isto o angustia, Ele o lamenta, mas precisa agir assim por causa de Sua santidade e justiça. Por isso, o arrependimento de Deus deve ser entendido como misericórdia, como indicação da impossibilidade de suportar a situação pecaminosa gerada pelo homem, que exige a retirada do Seu favor.
Portanto, o texto não expressa que Deus esteja descrevendo sua ação como um erro, pois Ele continua tendo razão em tudo o que faz (Jr 12.1). Na verdade, Ele lamenta que o homem se feche ao propósito do Seu amor. É dessa forma que esse “arrependimento de Deus” nos permite ver o que passa em seu coração. (Norbert Lieth)

Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional. Suas mensagens têm como tema central a Palavra Profética. Logo após sua conversão, estudou em nossa Escola Bíblica e ficou no Uruguai até concluí-la. Por alguns anos trabalhou como missionário em nossa Obra na Bolívia e depois iniciou a divulgação da nossa literatura na Venezuela, onde permaneceu até 1985. Nesse ano, voltou à Suíça e é o principal preletor em nossas conferências na Europa. É autor de vários livros publicados em alemão, port