segunda-feira, 1 de abril de 2013

PORQUE AMAMOS ISRAEL



Por que amamos e apoiamos Israel? A Palavra de Deus nos fornece muito mais do que cinco razões para ficar do lado do povo judeu, mas vamos focar nossa atenção nas que consideramos as mais significativas.
Lemos acerca do centurião de Cafarnaum: “Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhes faças isto, porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então, Jesus foi com eles. E, já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém, manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo” (Lc 7.1-10).
O testemunho impressionante e unânime acerca desse centurião romano e de seu comportamento foi considerado singular por Jesus. O status social e a profissão desse homem não o impediam de acolher Israel de forma especial em seu coração. Obviamente essa era apenas uma conseqüência de sua convicção interior de que o Deus de Israel era o Deus verdadeiro. Esse homem vivia e trabalhava em Israel e observava o povo, sua cultura e sua religião. O fato de ele ter mandado chamar Jesus em uma situação de angústia apenas comprova que o Espírito Santo também trabalhava nos corações de não-judeus, iluminando e conduzindo-os a Cristo. Mesmo os soldados durões e experimentados que crucificaram e vigiaram Jesus reconheceram nEle alguém extraordinário: “O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54).
Em Atos dos Apóstolos, alguns anos depois de Pentecostes, encontramos o relato detalhado da conversão de Cornélio. Através da direção especial de Deus, o apóstolo Pedro foi enviado até esse centurião romano em Cesaréia. Ele também proclamava abertamente, junto com toda a sua casa, sua cordial simpatia pelo povo judeu. Dava muitas esmolas e orava a Deus “de contínuo” (At 10.2). Pedro, especialmente autorizado, abriu ali a porta para os gentios, e então podemos ler acerca da primeira conversão real de um gentio a Cristo na era da Igreja. Nesse evento, o amor por Israel é mencionado e salientado bem claramente. Hoje isso nos desafia a pensar mais profundamente sobre o assunto.

1. Jesus descende de Israel


Em Apocalipse 5.5 somos mais uma vez confrontados com a identidade de Jesus: “...eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu...”
Não é em vão que encontramos na Bíblia muitas genealogias cuidadosamente registradas, que retrocedem milhares de anos até Adão. Isso é único entre todas as nações do mundo. E essas genealogias permitem pesquisar a ascendência de Jesus. Logo no início do Novo Testamento, no Evangelho de Mateus, José, o marido de Maria, é listado como descendente de Davi. Sua linhagem passa pelo filho de Davi, o rei Salomão, e começa com Abraão. Em Lucas 3.23-38 a genealogia começa com José, filho de Eli, e não como em Mateus 1.16, onde ele é “filho de Jacó”. Ele se tornou “Filho de Eli” (genro) por meio de seu casamento com Maria. E essa linhagem passa por Natã, mais um filho de Davi, pelo próprio Davi até chegar a Adão, documentando a origem de Maria como “filha de Davi”. Esses são fatos inegáveis. Assim, as tentativas de negar a origem judaica de Jesus Cristo durante o domínio nazista eram ridículas. Mas, em nossos dias também se ouvem teses semelhantes da parte de líderes palestinos e islâmicos, que revisam a História e tentam converter Abraão ao islamismo mesmo 4.000 anos depois de sua morte e procuram fazer de Jesus um palestino. Paulo confirma: “com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi” (Rm 1.3). E em Romanos 9.5 ele fala dos judeus: “deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!”.
A vida de Jesus transcorreu em lugares e lugarejos que, em sua maioria, podem ser facilmente identificados e localizados em Israel: Belém, o rio Jordão, Nazaré, Cafarnaum, Tabgha (lugar da multiplicação dos pães e peixes), Jerusalém e o monte das Oliveiras, o tanque de Betesda e o recém descoberto tanque de Siloé, o monte do Templo, o vale de Cedrom e, do outro lado, a cidadezinha de Betânia. Nos últimos anos foram descobertas algumas pedreiras antigas em Jerusalém, de onde o rei Herodes mandou quebrar as enormes pedras, típicas de suas construções e usadas na majestosa restauração do Templo judeu. E depois de décadas de busca, o arqueólogo judeu Ehud Netzer descobriu o sepulcro de Herodes no lado sul do Herodium, o monte artificial localizado ao sul de Jerusalém e Belém. Toda essa área fazia parte da antiga região pertencente às dez tribos de Israel.
Em Apocalipse 5.5 somos mais uma vez confrontados com a identidade de Jesus: “...eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu...”
Saber que Jesus foi um judeu legítimo, que viveu e ministrou em Israel, não seria razão mais do que suficiente para amar esse povo?

2. Toda a Bíblia vem de Israel


Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a vantagem da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus” (Rm 3.1-2). Na Carta aos Romanos, tão rica em ensinamentos e tão fundamental à fé cristã, Paulo enfatiza a exclusividade de Israel como detentor e veículo da revelação do único Deus verdadeiro, mesmo na era da Igreja. O próprio Jesus testificou à samaritana no poço de Jacó: “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). O próprio Deus estabeleceu que assim fosse, e a nós só cabe aceitá-lo ou rejeitá-lo. O escritor da Carta aos Hebreus traça a linha que conecta os profetas do Antigo Testamento com a revelação divina definitiva em Jesus e por meio de Jesus: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho...” (Hb 1.12a). Mesmo que os teólogos modernos e os ateus tentem provar o contrário – o testemunho do apóstolo Pedro sublinha a veracidade das Sagradas Escrituras: “sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20-21). Não esqueçamos: todos esses homens santos eram de Israel, eram judeus (exceto Lucas).
É a Bíblia que contém informações tão particularmente importantes, sem as quais interpretaríamos todo o nosso mundo de forma incorreta e estaríamos perdidos em meio às religiões, filosofias e ao intelectualismo que nos rodeia. Ela fala claramente acerca da origem da terra e de todo o Universo: “porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” (Êx 20.21). “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.14). “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1.20). Essas declarações nos provocam e nos desafiam a tomar posição. No decorrer dos milênios, declarações assim causaram perseguições cruéis e discriminação de judeus e cristãos. Mas continuará a ser verdade para sempre: “Porque todos os deuses dos povos são ídolos; o Senhor, porém, fez os céus” (1 Cr 16.26).
Por isso, está em curso uma grande guerra para apagar essa clara luz que vem da Bíblia via Israel, para riscar Israel do mapa e para intimidar e desanimar os cristãos. Mas, no final, o que está em jogo é a perdição eterna ou a salvação eterna: “como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade” (Hb 2.3-4). Essa confirmação especial por meio de milagres, sinais e distribuições especiais do Espírito Santo aconteceu por intermédio dos apóstolos judeus em Israel e nos arredores. O próprio Jesus, depois de Sua ressurreição, salientou a veracidade e a precisão profética dos “oráculos de Deus”: “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.44-47). Isso significa que um fio condutor se estende desde Adão e Eva, vai passando por toda a Bíblia, indicando a Cristo e conduzindo a Jesus: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39).

3. Os judeus – uma prova da existência de Deus


Apesar de tudo o que Israel fez, Deus não o rejeitará. “Assim diz o Senhor: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a minha aliança com a noite, de tal modo que não haja nem dia nem noite a seu tempo, poder-se-á também invalidar a minha aliança com Davi, meu servo...” (Jr 33.20-21).
Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Para obter ele a glória, enviou-me às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho” (Zc 2.8). A maioria das traduções bíblicas diz que aqui se trata da menina do olho de Deus. Isso significa que Israel tem uma posição especialmente escolhida diante de Deus. Até o mago e sacerdote pagão Balaão foi obrigado a reconhecer esse fato. Ele havia sido incumbido de amaldiçoar Israel pelo rei moabita Balaque. Balaão declarou: “Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso denunciar a quem Deus não denunciou? Pois do cimo das penhas vejo Israel e dos outeiros o contemplo: eis que é povo que habita só e não será reputado entre as nações” (Nm 23.8-9). Alguns versículos adiante, Balaão revela ainda mais: “Eis que para abençoar recebi ordem; ele abençoou, não o posso revogar. Não viu iniqüidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o Senhor, seu Deus, está com ele, no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei. Deus os tirou do Egito; as forças dele são como as do boi selvagem. Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!” (vv.20-23). Em outras passagens bíblicas lemos que a situação de Israel daquela época nem era tão boa assim. Mas o amor de Deus cobria tudo, Ele “não viu iniqüidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel”. No Novo Testamento encontramos algo semelhante em Efésios 5.27: “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito”. Por meio do sacrifício perfeito de Jesus, segundo nossa posição nEle, podemos estar perfeitos diante de Deus, mesmo que nossa situação geralmente seja outra.
Infelizmente, muitos cristãos não ouvem falar nada de bom sobre Israel em suas igrejas. A fidelidade de Deus e Suas promessas para Israel são deixadas de lado. Mas então, como interpretar versículos como estes: “Assim diz o Senhor, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; Senhor dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima e sondados os fundamentos da terra cá embaixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o Senhor. Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que esta cidade será reedificada para o Senhor, desde a Torre de Hananel até à porta da Esquina. Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima e sondados os fundamentos da terra cá embaixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o Senhor” (Jr 31.35-37). A lógica é bem simples: apesar de tudo o que Israel fez, Deus não o rejeitará. E para que tenhamos absoluta certeza, Ele chega a colocar em jogo as grandezas e as ordens cósmicas! “Assim diz o Senhor: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a minha aliança com a noite, de tal modo que não haja nem dia nem noite a seu tempo, poder-se-á também invalidar a minha aliança com Davi, meu servo...” (Jr 33.20-21). Enquanto o homem não puder lançar o sol e os planetas para fora de suas órbitas, o plano especial de Deus com Israel manterá sua validade. Jesus é fiador dessa garantia: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça” (Mt 24.34). Esta geração, esta linhagem dos judeus não se extinguirá sem que Deus cumpra todos as promessas que lhes fez.
Simplesmente é parte da estratégia divina e de Seu plano de salvação escolher um povo como instrumento especial: “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos” (Dt 7.7). A Igreja do Novo Testamento é descrita de forma semelhante: “Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1 Co 1.28-29).
No decorrer dos séculos, percebemos a fidelidade e a bondade de Deus para com o povo de Israel. Muitas vezes Ele impediu que Israel fosse completamente exterminado: pelo Faraó egípcio, por Balaão, por Hamã no tempo da rainha Ester, pelos romanos, pela Inquisição católica, pela Alemanha nazista e pelo islã. E no final Ele também impedirá que Israel venha a ser aniquilado pelo Anticristo. Deus interferiu repetidamente e continuará interferindo em favor de Seu povo Israel. Toda a História desse povo, tanto em seus aspectos negativos como positivos, é uma prova inequívoca da existência de Deus!

4. Israel é o ponteiro no relógio mundial de Deus


Não tenhamos ilusões: vivemos em um mundo perdido. Segundo o “calendário profético”, os tempos das nações se encaminham para seu final.
Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho” (Jr 31.10). Baseados na profecia bíblica sabemos que o reaparecimento de Israel no cenário político mundial dá a largada para os juízos apocalípticos sobre o mundo todo. Hoje quase ninguém mais defende o direito de Israel à sua antiga pátria, já que esse direito está intrinsecamente ligado com a Bíblia e com o Deus de Israel. O último bastião que resta são os cristãos bíblicos. E mesmo em seu meio é triste observar que muitos estão inseguros porque dão ouvidos a teorias conspiratórias e nutrem um ilusório anseio amilenista. Este último é um efeito colateral negativo da Reforma Protestante de 500 anos atrás, quando a Igreja foi colocada no lugar de Israel.
Em todo o conflito no Oriente Médio, o que está em jogo mesmo é o conflito entre o islã e a Sagrada Escritura. Uma vez que tanto judeus como cristãos estão ligados à Bíblia, nesse confronto estamos juntos no mesmo barco. No profeta Isaías vemos o mundo todo sendo avisado: “Eis que eu farei de Jerusalém um cálice de tontear para todos os povos em redor...” (Zc 12.2). Jerusalém dividirá as opiniões, e o mundo cada vez mais ímpio prefere simpatizar com os palestinos do que com os judeus. Nesse contexto, especialmente no mundo islâmico vivenciamos cada vez mais o que diz o Salmo 83.4: “Dizem: Vinde, risquemo-los de entre as nações; e não haja mais memória do nome de Israel”.
Como cristãos que querem se manter fiéis à Bíblia, somos vigilantes e reconhecemos o aspecto judaico do Armagedom apocalíptico: “Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém, congregarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali entrarei em juízo contra elas por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre os povos, repartindo a minha herança entre si” (Jl 3.1-2). A política global da ONU em relação a Israel e aos cristãos é descrita acertadamente no Salmo 2: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido...” (vv.1-2). O mundo está se tornando cada vez mais anti-semita e anticristão. Nossas tão valorizadas democracias ocidentais começaram a criminalizar e classificar os crentes verdadeiros como perigosos. A isso soma-se uma tolerância doentia em nome da não-discriminação bem como uma imoralidade vergonhosa, que beira a perversão. A sociedade de consumo está disposta a pagar um alto preço pela garantia de uma vida confortável, mas está podre como uma fruta prestes a cair do pé. Sem o temor de Deus, as antigas e abençoadas democracias cristãs transmutam-se, pela aterradora decadência de seus valores e pela perda de suas virtudes, em uma Babilônia madura para o juízo, com o prenome de Sodoma. Ulrich W. Sahm aponta conexões interessantes em relação às revoltas no mundo árabe: “O pequeno Satã chamado Israel até hoje havia sido um baluarte que, com sua luta contra os islâmicos, protegia também a Europa. Agora existe a ameaça de um cenário imprevisível...” Quanto mais a Europa e, em parte os Estados Unidos, se distanciarem de Israel, mais as coisas irão ladeira abaixo – de uma crise a outra, de uma catástrofe natural a outra e de um ataque criminoso a coisas cada vez piores! Até...
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios” (Rm 11.25). A salvação de pessoas através da proclamação mundial do Evangelho está entrelaçada com a restauração espiritual de Israel.
Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles” (Lc 21.24). Jerusalém serve de parâmetro no fim dos tempos. Uma vez que Israel, há 63 anos, já se encontra novamente no rol de nações, a pressão inimiga cresce mais e mais. Até no governo israelense ouvem-se vozes afirmando que o Estado de Israel jamais se sentiu tão ameaçado como atualmente. Todos os levantes e revoltas populares em diversos países árabes poderiam ser um tiro pela culatra, transformando-se em uma grande explosão contra Israel. Não tenhamos ilusões: vivemos em um mundo perdido. Segundo o “calendário profético”, os tempos das nações se encaminham para seu final.
Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 23.39). Em meio a todos os processos e desenvolvimentos em andamento e em meio a todos os focos de perigo, Israel será dirigido inexoravelmente a uma situação tão sem saída que somente lhe restará clamar pela intervenção divina.

5. O futuro da Igreja está intimamente ligado ao futuro de Israel


É muito significativo que a volta de Cristo esteja relacionada a um local bem concreto: o monte das Oliveiras em Jerusalém. Por que justamente Jerusalém, já que, segundo a opinião de muitas denominações e igrejas cristãs, Deus não tem nenhum plano especial com Israel no futuro?
É muito significativo que a volta de Cristo esteja relacionada a um local bem concreto: o monte das Oliveiras em Jerusalém. Por que justamente Jerusalém, já que, segundo a opinião de muitas denominações e igrejas cristãs, Deus não tem nenhum plano especial com Israel no futuro?
Em Atos dos Apóstolos lemos os anjos dizendo aos discípulos: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sábado” (At 1.11-12). E o profeta Zacarias explica: “Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio... então, virá o Senhor, meu Deus, e todos os santos com ele” (Zc 14.4-5). Juntamente com todos os santos do Antigo Testamento seremos levados pelo Senhor dos Senhores ao monte das Oliveiras em Jerusalém, em Israel.
No final do último livro do Novo Testamento, a Jerusalém celestial desce do céu à terra: “Tinha grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel” (Ap 21.12). Portanto, também no Novo Testamento somos lembrados de que os nomes das doze tribos de Israel estarão gravados nos portões da cidade divina, juntamente com os nomes dos doze apóstolos de Israel: “A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14). Esse é o cumprimento da promessa feita por meio do profeta Isaías: “Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is 66.22). Isaías não fala da Igreja; ele está falando do futuro de Israel – o que qualquer leitor “comum” da Bíblia compreenderá, bastando ler o contexto.
Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém” (Is 2.2-4). Que visão grandiosa do reino de paz – que terá sua sede em Jerusalém, no monte Sião!
E para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra” (Ap 5.10). Aqui são mencionados os salvos bem como seu futuro ministério, que partirá de Sião. Por isso, crentes realmente fiéis à Palavra também são sionistas cristãos, uma vez que sua visão profética é acurada e porque eles crêem no futuro reino de paz. Eles defendem Israel e seu direito à terra que Deus lhe prometeu, defendem seu direito à sua pátria, à Terra de Israel. E os palestinos e não-judeus que hoje vivem lá? Nessa questão a Palavra do Senhor é bem clara e indica o rumo que as coisas tomarão: “Assim diz o Senhor acerca de todos os meus maus vizinhos, que se apoderaram da minha herança, que deixei ao meu povo Israel: Eis que os arrancarei da sua terra e a casa de Judá arrancarei do meio deles. E será que, depois de os haver arrancado, tornarei a compadecer-me deles e os farei voltar, cada um à sua herança, cada um à sua terra. Se diligentemente aprenderem os caminhos do meu povo, jurando pelo meu nome: Tão certo como vive o Senhor, como ensinaram o meu povo a jurar por Baal, então, serão edificados no meio do meu povo. Mas, se não quiserem ouvir, arrancarei tal nação, arrancá-la-ei e a farei perecer, diz o Senhor” (Jr 12.14-17). Isso significa a opção deles entre integração pacífica ou juízo divino, desqualificando a si mesmos por se tornarem inimigos de Israel.
Orientação pessoal
É uma pena, é muito trágico ver cada vez menos cristãos posicionando-se em favor de Israel. Assumir seu apoio a Israel significa nadar contra a correnteza. Significa nadar contra a tendência geral, que é imposta pela mídia. Como cristãos, devemos estar bem informados sobre o que acontece no mundo, sabendo dos processos e desenvolvimentos em curso para não sermos atropelados pelos acontecimentos. Os tempos finais se caracterizam tanto pelo engano como pela sonolência espiritual. “Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a nossa redenção se aproxima” (Lc 21.28). O próprio Senhor exorta-nos a prestar atenção a “estas coisas” – como prestamos atenção às luzes de alerta no painel do carro.
O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes... E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer” (Mt 25.40,44-45). Aqui o Senhor não passa a pregar repentinamente um Evangelho social mas refere-se à postura das pessoas em relação aos judeus. Etnicamente, sem dúvida os judeus são irmãos de Jesus. Então devemos nos perguntar: Será que eventualmente somos anti-semitas cristãos? Paulo exortou os cristãos de Roma da época: “não te glories contra os ramos; porém, se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz, a ti” (Rm 11.18). Os ramos naturais aqui mencionados são os judeus. A tradução bíblica espanhola La Biblia de las Americas diz que não devemos ser arrogantes em relação aos judeus e Israel. Devemos ser humildes, compreensivos e amáveis.
As cinco razões que acabamos de expor deveriam nos incentivar a amar e defender Israel, pregando sobre seu futuro e orando pelo povo de Deus. E já que ainda podemos viver e trabalhar por Jesus nesta era da graça, oremos por Israel e por seus inimigos, desejando de todo o coração que muitos ainda aceitem a Cristo antes que seja tarde demais.
Repetindo
1. Jesus foi, é e continuará sendo judeu (o Leão da tribo de Judá).
2. Toda a nossa Bíblia é judaica.
3. Os judeus são uma impressionante prova da existência de Deus.
4. Israel é o ponteiro no relógio mundial de Deus.
5. Nosso futuro está intimamente ligado ao futuro de Israel.
Por isso, nós da Chamada da Meia-Noite e da Beth-Shalom apoiamos Israel em projetos concretos, mostrando nossa solidariedade por meio de viagens a Israel e buscando o contato com judeus para levar-lhes o Evangelho. A Palavra de Deus diz: “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam” (Sl 12.6). (Reinhold Federolf - http://www.chamada.com.br)

Reinhold Federolf é missionário alemão, artista gráfico e palestrante. Trabalha com a Obra Missionária Chamada da Meia-Noite há 30 anos no Brasil, fazendo parte de sua diretoria. Ele viaja por todo o Brasil, com um grande ônibus-trailer, o VERBUS, representando a missão, palestrando nas mais diversas igrejas e divulgando a literatura cristã. Reinhold desenvolveu em seu ministério a pregação audiovisual que tem sido uma bênção para muitos.






quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SHALOM

"Shalom" é a palavra no Antigo Testamento que descreve, melhor que qualquer outro termo, a compreensão hebraica da saúde total. "Shalom" e outras palavras relacionadas, tais como "Shalem", "Shelem" e suas derivadas estão entre os mais importantes termos teológicos do Antigo Testamento. Além de saúde e bem-estar, "Shalom" ocorre mais de 250 vezes em 213 diferentes passagens do Antigo Testamento. "Shalom" é usada 25 vezes no Antigo Testamento como saudação ou como despedida (e.g., Juízes 19:20, I Sam. 25:06,35.) Desejar "Shalom" a alguém implicava numa bênção (2 Sam. 15:27); não desejar "Shalom" implicava o oposto, uma maldição (1 Reis 2:6). Da mesma forma como hoje cumprimentamos as pessoas com bom dia, boa tarde ou boa noite. Quando José, filho de Jacó, liberou Simeão, seu irmão, ele o saudou com "Paz ("Shalom") seja convosco" (Gen. 43:23), o que queria dizer: "Que você possa estar bem." A palavra "Shalom" vem da palavra-raíz "Salam", que significa "estar-bem", "estar completo", "são" e "salvo". "Shalom" também é usada para indagar sobre o bem-estar de uma pessoa, do seu estado de saúde ou qualidade de vida. (cf. Gen. 29:6; 43:27, 28.) Por exemplo, quando Jacó perguntou aos pastores de Labão de onde procediam e eles responderam, "De Harã", Jacó então perguntou: Conheceis a Labão?" Os pastores disseram, "Sim." A próxima pergunta de Jacó foi: "Ele está bom ("Shalom")?" (Gênesis 29:6.) Quando José perguntou aos seus irmãos sobre seu pai Jacó, eles lhe responderam: "Vai bem ("Shalom") o teu servo, nosso pai vive ainda" (Gênesis 43:28). Para o hebreu, a saudação "Shalom" implicava integralidade, totalidade, e um desejo de que os que estavam sendo saudados tivessem saúde física e os recursos espirituais para preencher as suas necessidades. http://pt.wikipedia.org/wiki/Shalom

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ESTES BÁRBAROS

‘Salomé com a cabeça de João Batista’, Caravaggio, 1609/10.)

Por Edson Camargo www.midiasemmascara.org Novembro 2012

Estes bárbaros desfrutam hoje da hegemonia cultural, que se traduz em votos. Tudo o que atacam parece fazer cada vez menos sentido na cultura que persistem em tentar remodelar. A sacralidade da vida? Não! Nas velhas eras pagãs, valia a lei do mais forte, ou o desejo dos líderes. Sexualidade saudável, dentro da família? Não! No mundo antigo, tudo se resumia a penetrador e penetrado. E gritam: “somos a vanguarda, num novo ‘momento histórico’”. Mas o que promovem mesmo é o retorno aos velhos tempos pagãos pré-cristãos.

Estes bárbaros desprezam a individualidade da pessoa, bem como seu valor intrínseco. Nivelando todos os valores, dizendo que são todos subjetivos, querem mesmo é que César diga o que é certo ou errado. O resto não passa de “constructo social”. Da suprema blasfêmia a essa paganismo segue um trecho: “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens sejam criados de modo igual e providos pelo Criador de certos direitos inalienáveis; entre eles, a vida, a liberdade e busca da felicidade”.
Estes bárbaros enaltecem o poderio de César. Pela saúde, pela paz, pela educação, alegam. Sempre se frustram, mas não se permitem atentar para o real. E, para tanto, não são nada discretos em sua sanha de controlar escolas, mídia e a produção cultural, visando uma modelagem comportamental em larga escala. Subjetividade e autonomia da consciência individual é escândalo ao mundo antigo: “Estes homens, ó Nabuconosor, não te respeitaram; a teus deuses não serviram, nem adoraram a estátua de ouro que levantaste”. Os bárbaros não toleram o homem livre, senhor de suas próprias ideias e princípios.
Estes bárbaros sacralizam a natureza. Que não toquem nas árvores e nos micos-leões! E que em nome deste panteísmo não se plante, não se construa, não se aumentem as famílias e a população. “Não é ‘sustentável’”, clamam. Agora com legitimidade jurídica, o humano volta a ser uma besta servil de forças misteriosas das florestas, como nas velhas eras pagãs.
Estes bárbaros abortam. Para eles vale mais o bem estar da tribo do que a vida por si mesma. E os fetos se reduzem a assunto de saúde pública, a consequências indesejáveis da promiscuidade das militantes que, sem dó, esquartejam e expelem suas crias. Nas velhas tribos bárbaras, deidades crúeis sacralizavam o prazer. No velho mundo bárbaro, as chamas de Moloque recebiam os pequeninos, e as trombetas do deus pagão cobriam seus últimos e agonizantes choros.
Estes bárbaros, ontem, como hoje, desprezam o Deus de Israel e seus princípios. Não é à toa que abominam o Ocidente, fruto civilizacional da cosmovisão judaico-cristã, que em tudo afronta esses nostálgicos das eras pagãs. Que em tudo denuncia a barbárie decorrente da ausência daquele Espírito que, onde habita, ali há liberdade (II Co. 3:17).
Estes bárbaros mal disfarçam em ideologias suas velhas crenças pagãs. O pastor Wurmbrand bradou: “Marx era, na verdade, um satanista”. A bruxa Margot Adler fez questão de mostrar o quanto o paganismo inspirou o feminismo desde seus primeiros momentos. Eric Voegelin e outros autores perceberam o quanto as ideologias utópicas que mataram milhões no século XX se assemelham, em tantos aspectos, a antigas crenças gnósticas. Peter Gay afirmou que o Iluminismo foi o berço do paganismo moderno e outros historiadores já afirmaram que este período, para além da imagem pública, foi mesmo um festival de bruxaria e ocultismo. Dentre os inspiradores da United Religions Initiative, hoje tentáculo da ONU, não se pode excluir nomes como Madame Blavatsky e Aleister Crowley. Como Lee Penn bem denuncia em seu livro False Dawn, esta instituição está claramente determinada a obstruir a evangelização cristã, sempre em nome da promoção ecumênica da paz mundial, incriminando os cristãos conservadores como intolerantes. Buscando reduzir o cristianismo a mero ativismo social, promove uma nova espiritualidade global, uma religião de plástico que irá dar novo valor a velhas práticas ocultistas e teosóficas.
Estes bárbaros também sabem se disfarçar de cristãos. Estes bárbaros sabem se infiltrar em instituições e veículos de mídia que se afirmam como defensores e divulgadores do cristianismo. Estes bárbaros sabem que a fé cristã diz respeito a todas as áreas do conhecimento: política, arte, economia, psicologia, ciência, filosofia, etc. E por isso que em tudo atrapalham os cristãos, impedindo-os a perceber as inúmeras riquezas deste legado com o qual Deus os presenteou, tendo anteriormente concedido a eles a salvação, por meio do sacrifício do Senhor Jesus Cristo.
Estes bárbaros sabem que, no momento em que os cristãos se posicionam e contra eles se opõem, começam a ter sérios problemas.
Estes bárbaros, seguindo o deus deste século, sabem que vivem na mentira. E que “não prevalecerão no dia do juízo” (Sl 1:5).

(Imagem: ‘Salomé com a cabeça de João Batista’, Caravaggio, 1609/10.)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

PALAVRA PROFÉTICA


O livro de Joel contém muitas promessas. A mais marcante é que Deus mantém-se ao lado de Sua terra e de Seu povo Israel. É um livro cheio de profecia – para Israel e para todos os povos. No livro do profeta Joel encontramos, inclusive, o Evangelho claro para nós hoje.
Em relação ao livro de Joel temos duas perguntas que devem ser formuladas de início para podermos ter uma visão panorâmica: onde nos encontramos cronologicamente? Qual era a situação reinante quando esse livro foi escrito?
O tempo de atuação de Joel não é mencionado, mas pelos paralelos históricos sabemos que ele exerceu seu ministério na Judéia por volta de 840-810 a.C. Portanto, ele é um dos mais antigos “profetas menores”. Se nosso ponto de partida são essas datas, então Joel profetizou durante o reinado de Joás. Lemos a respeito deste em 2 Reis 12.1-21 e 2 Crônicas 24.1-27. Vemos que Joás reinou 40 anos. Sob a liderança divina, por meio do sacerdote Joiada, o jovem Joás deu início a uma renovação espiritual entre seu povo. Seu interesse principal estava voltado para o Templo e os sacrifícios. Mas quando Joiada morreu, os príncipes de Judá convenceram Joás a reintroduzir a adoração a Baal. Na última fase de seu reinado, Joás afastou-se mais e mais de Deus.
Pouco se sabe a respeito do próprio Joel. Seu nome significa “Javé (Yahweh) é Deus” (Jo-El). Provavelmente ele vivia em Jerusalém. Seu pai se chamava Petuel, que significa “convicto por Deus” ou “simplicidade divina”. Seu tema é o vindouro “Dia do Senhor”, o grande dia do juízo, e as conseqüências desse evento. O “Dia do Senhor” acontecerá quando Jesus vier a esta terra visivelmente para estabelecer Seu reino milenar de paz.
O livro de Joel pode ser assim dividido:
Capítulo 1: a parte histórica; a praga de gafanhotos.
Capítulos 2-3: a parte profética; o exército de Javé.
Três coisas desempenham um papel importante no livro de Joel. Não as encontramos apenas neste livro profético, uma vez que se estendem por toda a Bíblia, perpassam a história secular e o Plano de Salvação, chegam até hoje e vão ainda além. Se quiser avaliar sua posição espiritual pessoal ou a de sua igreja, basta perguntar a si mesmo ou à sua igreja qual a postura em relação a estas três coisas:
1. Israel:
O livro de Joel foi escrito para o povo de Israel. O versículo 2 do capítulo 1 se dirige a “todos os habitantes da terra [de Israel]”.
Por que Israel é um assunto tão provocante, não apenas para a sociedade mas também para as igrejas e, talvez, para cada um de nós? Israel é o povo eleito por Deus. Lemos em Joel 2.17: “Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus?”. Deus escolheu e elegeu para Si este povo de Israel, para servi-lO. A morada de Deus, a “Casa do Senhor”, é em Israel. Não é apenas o povo de Israel como um todo, mas uma cidade específica em Israel, Jerusalém, e, mais restritamente, o monte Sião que estão em questão nesse livro profético (Jl 2.32). O livro de Joel é encerrado com as palavras: “...porque o Senhor habitará em Sião” (Jl 4.21). Sião é o centro!
Para Deus sempre é importante não ficar apenas na superfície – Ele avança até o ponto central. Em sua vida, Deus não quer ser apenas um personagem coadjuvante; Ele quer ser o centro de toda a sua existência.
 “Sião” é, para todo judeu, a mais elevada representação do que significa “pátria”. Por isso foi chamado de sionismo o movimento destinado a levar os judeus de todo o mundo de volta para Israel.
“Sião” é, para todo judeu, a mais elevada representação do que significa “pátria”. Por isso foi chamado de sionismo o movimento destinado a levar os judeus de todo o mundo de volta para Israel. O profeta Joel fala de sua terra pátria, de sua cidade natal – fala do lugar onde Deus se encontra com os homens: o Templo no monte Sião. No livro de Joel Deus é muito específico no que fala. Ele diz 14 vezes “meu povo”, “minha terra”, “meu santo monte Sião”. Em Joel 2.26 Deus chega a dizer que Seu povo jamais será envergonhado. Ele promete que Israel não deverá mais ser zombado ou escarnecido. Deus toma partido por Seu povo escolhido!
Existe um problema: muitos tentam descartar e substituir Israel. Em Joel 3.2-3 lemos: “Congregarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali entrarei em juízo contra elas por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre os povos, repartindo a minha terra entre si. Lançaram sortes sobre o meu povo, e deram meninos por meretrizes, e venderam meninas por vinho, que beberam”. Na Palavra de Deus está escrito muito claramente que foram as nações gentias que dispersaram Israel e o desprezaram. Infelizmente, uma ala da Igreja de Jesus, que segue a horrível Teologia da Substituição, faz parte das “nações gentias” que afirmam que a Igreja é o novo Israel. Não vêem mais a real posição de Israel. Mas o que Deus diz em Joel 3.2? Ele fala de “meu povo”, “minha herança”, “minha terra”! Lemos a palavra “meu” por três vezes! Isso não é a Igreja! Quem ensina que essas expressões se aplicam à Igreja de Jesus está com sua visão embaçada ou não consegue ler direito... sem dúvida, há muitos analfabetos teológicos! O povo de Israel tinha naquela época e tem ainda hoje um status único, pois foi e continua sendo o povo de Deus. Conceda a Israel a sua devida importância espiritual, bíblica e pessoal.
2. Profecia:
O conteúdo básico de Joel é a profecia. Cinqüenta dos seus 73 versículos são proféticos, ou seja, 68% do livro é profecia. Elas falam do “Dia do Senhor”, que é o tema central de Joel (cinco vezes é mencionado o “Dia do Senhor”: 1.15; 2.1; 2.11; 2.31; 3.14). Basicamente, o “Dia do Senhor” é um tempo em que o Senhor vai ao encontro do Seu povo com juízo ou bênção, ou com ambos ao mesmo tempo.
Se lemos a Bíblia e tentamos entender mais e mais o agir de Deus, precisamos nos distanciar do nosso pensamento ocidental e tentar captar a maneira judaica de raciocinar e de se comportar. Se não fizermos isso, não conseguiremos compreender muitas das coisas que as Escrituras dizem. Por exemplo, é importante levar em conta que o dia judaico começa à noitinha, com o pôr-do-sol. Portanto, primeiro vem um tempo de escuridão para depois raiar a luz.
Esse é um espelho exato da maneira com que Deus lidará com Seu povo: primeiro virá o juízo (a escuridão) e depois a bênção (a luz). Primeiro virá para Israel o tempo da Tribulação, e depois o Milênio. No final do tempo de tribulação haverá a grande e terrível batalha do Armagedom, descrita no Apocalipse (Ap 16.16). É justamente essa batalha que Joel, como profeta, antevê e prediz no capítulo 3.2,9-14. Ela culminará no vale da Decisão, como o chama Joel, que é o vale de Josafá. Josafá pode ser traduzido por “o Senhor/Javé faz justiça” ou “o Senhor/Javé julgará”. Essa batalha é mais uma luta contra Israel, mas uma luta sem igual. Não pode ser equiparada nem com a luta do início da Tribulação, quando o rei vindo do Norte (Ez 38-39) se levantará contra Israel. No final dessa grande batalha Jesus, o Cordeiro, julgará a partir de Sião e colocará um ponto final no conflito. É disso que fala Joel 3.14,17: “Multidões, multidões no vale da Decisão! Porque o Dia do Senhor está perto, no vale da Decisão. Sabereis, assim, que eu sou o Senhor, vosso Deus, que habito em Sião, meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela”.
Como todos os outros profetas, Joel viu apenas alguns fatos relevantes do futuro. Por essa razão, muitos eventos distantes não são mencionados no livro de Joel. Mas quando pesquisamos em outros livros da Palavra de Deus, adquirimos uma visão panorâmica geral e exata do decorrer específico da profecia. Ao estudar as profecias, é importante reconhecer sempre do que o profeta está falando, a que ele está se referindo, a qual acontecimento ele está aludindo. Os profetas nem sempre relatam suas visões proféticas de forma cronológica e completa.
O “Dia do Senhor” não é o “Dia de Jesus Cristo” (Arrebatamento), igualmente mencionado na Bíblia. O “Dia do Senhor” diz respeito à volta visível de Cristo, quando Seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4).
O “Dia do Senhor” não é o “Dia de Jesus Cristo” (Arrebatamento), igualmente mencionado na Bíblia. O “Dia do Senhor” diz respeito à volta visível de Cristo, quando Seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4). Isso é muito importante para encaixá-lo corretamente na profecia bíblica. Também é importante saber sempre em que época nos encontramos dentro da cronologia profética da Bíblia. A profecia nos ajuda a reconhecer o quanto estamos próximos de eventos bíblicos como o Arrebatamento, das dores de parto dos tempos finais, etc. Exatamente isso torna a Bíblia tão atual! Muitos crentes dizem: “Não exagerem tanto com a profecia bíblica. O que importa é que Jesus nos ama!” Mas a Bíblia é 30% profecia, ou seja, 1/3 da Palavra de Deus é profecia! O que fazem os cristãos quando chegam a 2 Pedro 1.19, que diz: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração”? Talvez leiam os versículo 18 e 20 mas, na hora de ler o versículo 19, têm problema de falta de foco em sua visão. Onde encontramos a verdadeira profecia? Somente na Palavra de Deus, na Bíblia! Por essa razão deveríamos ser muito precavidos em relação a tantos profetas auto-proclamados e a profecias particulares. Para ter esse discernimento, é necessário que conheçamos muito bem a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura.
Atente à palavra profética! Seja vigilante e reconheça o tempo em que vivemos!
3. Palavra de Deus (Evangelho):
Onde encontramos a verdadeira profecia? Somente na Palavra de Deus, na Bíblia! Por essa razão deveríamos ser muito precavidos em relação a tantos profetas auto-proclamados e a profecias particulares. Para ter esse discernimento, é necessário que conheçamos muito bem a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura.
Podemos crer que o pai de Joel ensinou-lhe a devida reverência à Palavra de Deus. Seu nome lembra disso, pois Petuel significa “convicto de Deus”, “simplicidade divina”. Quando estamos convictos de alguma coisa, podemos transmiti-la de forma mais convincente, de todo o coração. Foi o que Joel fez em toda a sua simplicidade. Ele não diz: “Aqui tenho a palavra do Senhor e vou indicar o rumo para vocês”. Ele se inclui e fala de “nosso Deus” (Jl 1.16). Também dirige-se a pessoas individualmente: a sacerdotes, a anciãos, ao povo de Israel. E o profeta também tem uma mensagem para os povos gentios. Com isso vemos que a Palavra de Deus diz respeito a todos e se dirige a todos. A mensagem do livro também cabe dentro do Novo Testamento: o que o Evangelho diz, é dito igualmente pelo livro de Joel.
A Palavra de Deus, o Evangelho, nos conclama a quê?
A narrar: “Narrai isto a vossos filhos, e vossos filhos o façam a seus filhos, e os filhos destes, à outra geração” (Jl 1.3). Nós, você e eu, temos a incumbência de ir e pregar o Evangelho às pessoas. No Salmo 96.3 está escrito: “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas”.
A despertar: “Ébrios, despertai-vos e chorai; uivai, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque está ele tirado da vossa boca” (Jl 1.5). Esse versículo é uma conclamação de despertamento vinda da parte de Deus para o povo de Israel, mas é válido para nós também. As pessoas precisam ser acordadas. Precisamos dizer-lhes que necessitam de Jesus. Um chamado ao despertamento não pode ser em tom baixo e suave. Certa vez entrei no quarto da minha filha porque era tarde e ela ainda estava escutando música. Aí vi que ela adormecera apesar da música. Ela nem ouviu quando a chamei. Tive de sacudir sua cama para que ela acordasse. A nós fica a pergunta: em que sentido precisamos ser despertados e acordados? Em que área da nossa vida a Palavra de Deus precisa nos sacudir outra vez?
A se converter: “Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” (Jl 2.12-13). O capítulo 2 fala que devemos dar meia-volta. Converter-se não é um ato exterior como, por exemplo, rasgar as vestes. O renascimento somente acontece quando a meia-volta é de todo o coração. Por isso Joel repete duas vezes a sua conclamação. Novo nascimento não é apenas voltar-se para Deus exteriormente; a reviravolta precisa vir de dentro para fora. Não basta levantar a mão durante um culto evangelístico. Primeiro precisa haver uma decisão de coração, e então seguem-se os atos exteriores. É o que Joel diz em alto e bom som ao povo de Israel, e é o que precisamos hoje, você e eu: uma decisão de coração, uma meia-volta, um retorno ao Pai do céu. Então nosso rumo estará corrigido, e ele será em direção a Jesus Cristo. É o que vemos no capítulo 3.
As pessoas precisam ser acordadas. Precisamos dizer-lhes que necessitam de Jesus. Um chamado ao despertamento não pode ser em tom baixo e suave.
Invocar o nome do Senhor: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo...” (Jl 2.32). Depois da meia-volta acontece a salvação pela invocação do nome de Jesus. Apenas quem O invoca é salvo. Por isso Paulo cita essa passagem: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.12-13). Em qualquer situação nesta semana, neste mês, neste ano, podemos ter certeza: Jesus está aqui, e com Ele está a salvação! Então poderemos experimentar o que o povo de Israel experimentou:
Mudança: “Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém...” (Jl 3.1). Justamente para o povo de Deus a transformação é tão importante. Israel voltará a florescer e a crescer: “Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a figueira e a vide produzirão com vigor” (Jl 2.22). Isso pode e deve ser assim na sua e na minha vida: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).
Deus é o futuro de Israel e seu forte refúgio: “...o Senhor será o refúgio do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel” (Jl 3.16). E Ele quer ser essa segurança também para você: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.28).
Deus habitará com Seu povo e Jerusalém será santa: “Sabereis, assim, que eu sou o Senhor, vosso Deus, que habito em Sião, meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela” (Jl 3.17). Exatamente assim Ele habita entre nós (1 Co 6.19) e nós também somos santos (Cl 3.12).
O Senhor habitará e ficará para sempre em Sião: “...o Senhor habitará em Sião” (Jl 3.21). Da mesma forma Ele estará para sempre conosco, até o fim dos dias: “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).
Diariamente podem acontecer transformações na sua e na minha vida – confiemos que Deus tem o poder de executá-las! A Palavra de Deus é a base de tudo na vida. Você pode se apoiar nela completamente!
Joel é um livro cheio de promessas: 1. Que Deus está do lado de Sua terra e do Seu povo Israel. 2. É cheio de profecia – para Israel e para todos os povos. 3. Contém até mesmo o claro Evangelho para nós hoje.
O Senhor está acima de tudo, e por isso o nome de Joel significa que o Senhor é Deus acima de tudo! Deus também é o Senhor da sua vida? Se Ele for seu soberano, então você pode enfrentar o futuro confiadamente! (Johannes Vogel - http://www.beth-shalom.com.br)