segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Oração no Novo Testamento


Oração no Novo Testamento

Norbert Lieth
O Novo Testamento está repleto de indicações sobre a oração e cheio de exemplos de orações. Podemos aprender muito com tudo isso.
Jesus mesmo foi um grande modelo para a oração, tanto que seus discípulos chegaram a lhe pedir: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele” (Lc 11.1). Em resposta, o Senhor ensinou-lhes o Pai Nosso (veja mais sobre ele no próximo artigo: “A Dimensão Mais Profunda do Pai Nosso”). Mais tarde chegou o momento – um dia antes da morte de Jesus na cruz – que ele lhes disse: “... meu Pai dará a vocês tudo o que pedirem em meu nome. Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa” (Jo 16.23-24).
Com isso, o Senhor escancarou uma porta totalmente nova para a oração, que até então os seus discípulos não conheciam. Eles poderiam orar ao Pai em nome de Jesus; a oração através da sua pessoa seria a garantia do atendimento. Isso mostra o que Jesus Cristo realizou e a que dimensão ele eleva todos os que nele creem. Ele se identifica com as nossas orações em seu nome.
É frequente sermos confrontados com a dúvida sobre podermos orar diretamente a Jesus ou se devemos sempre orar em seu nome a Deus Pai. A resposta encontra-se no mesmo discurso já citado, em que Jesus disse aos seus discípulos: “E eu farei tudo o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. O que vocês pedirem em meu nome, eu farei” (Jo 14.13-14).
Com isso, o Senhor Jesus confirma duas coisas:
1. A oração em seu nome será atendida por ele mesmo: “Farei tudo”.
2. A oração em seu nome é atendida pelo Pai: “Dará a vocês tudo”.
Isso deixa claro que o Senhor Jesus é da mesma essência que o Pai. Depois da sua ressurreição, o apóstolo Tomé confirma isso ao dizer: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.28). Além disso, os evangelhos também relatam casos de pessoas que se prostram diante do Senhor Jesus e lhe pedem algo (Mt 8.2; 9.18; Lc 8.47). Isso certamente pode ser considerado como oração.
Em Romanos 10.9-10 Paulo enfatiza a importância de confessar o Senhor Jesus como Senhor, porque isso leva à salvação eterna. No versículo 11 ele enfatiza mais uma vez que todo o que crer nele (Jesus) não será envergonhado. E no versículo 13 Paulo cita uma passagem do Antigo Testamento relacionando Deus mesmo ao Senhor Jesus. Quem confessar Jesus como Senhor e o invocar será salvo.
Com isso fica patente que não só podemos como devemos invocar o nome do Senhor (Jesus Cristo). A carta aos Coríntios também alude a isso quando fala de “todos” os que “em toda parte, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 1.2). Todos os cristãos podem invocar o nome de nosso Senhor Jesus Cristo em todo lugar, ou seja, orar a ele muito diretamente.
Para isso é necessária a chamada “oração no Espírito”. “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos” (Ef 6.18). “Edifiquem-se, porém, amados, na santíssima fé que vocês têm, orando no Espírito Santo” (Jd 20).
O Espírito Santo, que habita em nós, deseja entre outras coisas induzir-nos à oração (Rm 8.14). Ele quer que oremos no Espírito, não na carne, ou seja, não carregados de ira, egoísmo, inveja, ganância etc. (Tg 4.3). Ele quer que oremos a qualquer hora. Ele quer nos lembrar, incentivar, dirigir, alertar etc.
Além disso, o Espírito Santo é quem nos representa diretamente diante de Deus. “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26-27).
Muitas vezes não sabemos nem o que devemos orar, nem como. Como é bom então saber que o Espírito vai ao encontro do que balbuciamos e se encarrega da nossa fraqueza. O Espírito Santo representa Jesus em nós e sempre é atendido.
O que importa é orar sempre. Nas palavras de Corrie ten Boom: “A oração deve ser nosso volante e não nosso estepe”. – “Orai sem cessar” (1Ts 5.17, RA). “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos” (Ef 6.18).
Essas declarações não podem significar que devamos orar 24 horas por dia, ininterruptamente. Trata-se antes de uma constante atitude de oração porque o espírito da oração habita em nós. Temos, pois, o privilégio de sempre que nos lembrarmos de algo, podermos orar imediatamente por aquilo. Não precisamos de grandes introduções, formulações, liturgias ou tradições – como estamos constantemente em Cristo, podemos orar sempre e em toda parte. Como o Espírito Santo sempre habita em nós, sempre chegamos imediatamente ao destino. Podemos, assim, orar de improviso, bem no sentido de “em todas as ocasiões”.
Charles H. Spurgeon disse: “Podemos orar a qualquer tempo – sei que podemos. Mas receio que aqueles que não oram em horas determinadas de qualquer modo orarão raramente”. Vista assim, a oração também é uma lei. George Müller dizia: “É preciso cultivar as horas tranquilas com Deus, porque só elas é que proporcionam força e alimento à vida íntima. Nada pode compensar a perda de horas santas sob a Palavra e a oração”. O Novo Testamento contém inúmeras exortações para orar, bem como indicações, exemplos e parábolas que testificam da necessidade da oração (Lc 18.1).
Muitas vezes se enfatiza como Jesus procurava locais solitários e o silêncio para orar. Ele passava noites inteiras em oração (Mt 14.23; 26.36; Lc 6.12; 9.28; 11.1). Depois do Pentecostes, a igreja primitiva surge como uma comunidade em oração, que dava extremo valor à busca da face do Senhor (At 1.14; 2.42; 3.1; 4.31; 6.4; 10.9; 14.23; 16.13). O apóstolo Paulo e seus colaboradores oravam muito, e ele certamente não enfatizou isso para se vangloriar, mas para dar um testemunho e um estímulo (Rm 1.9-10; Ef 1.16; Cl 4.12; 2Tm 1.3; Fm 4). Assim, nas cartas apostólicas, são numerosas as ordens e convocações diretas a orar (Ef 6.18; Cl 4.3; 1Ts 5.17; 2Ts 3.1; Hb 13.18; Tg 5.16).
Alguém disse com relação à oração: “O número de frequentadores dos estudos bíblicos revela a popularidade da igreja, o número de frequentadores do culto revela a popularidade do pastor, mas o número de frequentadores das reuniões de oração revela a popularidade de Jesus”.

Como Devemos Orar?

Diz-se que, caso alguém queira envergonhar um cristão, basta perguntar-lhe sobre sua vida de oração. E orar é tão fácil.
Nada é mais urgente e simples de realizar do que a oração. É o que mostra o Novo Testamento. Não são necessárias fórmulas especiais, nem mesmo é preciso memorizar a oração do Pai Nosso. 
Ainda assim, orar não é lei. Consta que Martinho Lutero teria dito: “Uma boa oração é meio estudo... Tenho tanto trabalho que não consigo ficar sem dedicar todos os dias pelo menos três horas do meu melhor tempo à oração”. Para ele aquilo era o procedimento certo, mas não podemos forçar tais exemplos para a nossa própria vida de oração e ficar insatisfeitos se não conseguirmos passar tanto tempo orando. Uma dona de casa e mãe que precisa cuidar dos seus filhos dificilmente poderá orar por três horas ininterruptas. Ninguém deve se frustrar ou se deixar subjugar – o que importa mesmo é que se ore. Este também era, por sinal, o propósito do próprio Lutero, que se opunha a todo tipo de legalismo “neomonástico” e que certamente se irritaria tremendamente se soubesse que hoje existem cristãos que elevam seu próprio testemunho de oração à categoria de lei.
Convém que todos oremos, de preferência muito, mas para alguns a manhã é melhor para isso; para outros, a noite. Alguns conseguem orar durante um passeio, outros só em um quarto isolado, e ainda outros só de joelhos.
Jesus Cristo é o nosso maior modelo de oração. Ele orava com frequência e muitas vezes também demoradamente. Ainda assim ele advertiu contra certas orações legalistas não sinceras: “Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas” (Mt 23.5). “E, quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Mt 6.7).
Certa vez Jesus encorajou seus ouvintes com uma parábola sobre a oração iniciando com as palavras: “Suponham que um de vocês tenha um amigo e que recorra a ele à meia-noite e diga: ‘Amigo, empreste-me três pães’” (Lc 11.5).
“Amigo, empreste-me três pães.” Há três coisas que podemos aprender desse pedido:
1. Não é possível formular esse pedido de modo mais breve.
2. O pedido é concreto e vai direto ao que importa.
3. O pedinte não tem escrúpulos de ser inconveniente. Ele procura seu amigo no meio da noite. Ele pede com ousadia.
Assim, talvez a seguinte oração chinesa, que vai direto ao ponto, possa servir como reflexão:
“Senhor, desperta tua igreja
e começa comigo.
Senhor, edifica tua igreja
e começa comigo.
Senhor, leva teu amor e tua verdade
a todos os homens
e começa comigo.”

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Manipulações Financeiras Profetizadas


Manipulações Financeiras Profetizadas

Wilfred Hahn
Apocalipse 13 diz que a besta (o Anticristo) e seu braço direito (a segunda besta) controlarão o comércio global no final dos tempos. Como isso é possível de maneira prática?
Haverá um mundo sem dinheiro em espécie em algum ponto no futuro? Esse é um tópico grandemente contestado e geralmente mal interpretado. O dinheiro em espécie ainda tem um papel essencial no mundo, facilitando cerca de 40% das transações nos Estados Unidos, por exemplo. Muitos países possuem uma confiança ainda maior nas transações em dinheiro. No entanto, a Bíblia indica claramente que um novo sistema transacional global existirá já na época dos acontecimentos de Apocalipse 13. Será, de fato, um sistema sem dinheiro em espécie.
Neste artigo, exploramos o assunto a partir de um enfoque um pouco diferente. Por que as instituições financeiras e os governos continuam a tentar suprimir o uso do dinheiro em espécie, introduzindo sistemas de pagamentos “sem dinheiro em espécie” em nossos dias atuais, quando há relativamente pouco incentivo aos consumidores para fazerem isso?

Desenvolvimentos Monetários Sem Sentido

Observamos uma conspiração sem sentido da “humanidade global” atuando no desenvolvimento monetário mundial.
Imagine que sistemas de pagamento sem dinheiro em espécie tenham sido introduzidos há muitas décadas. Algumas tentativas com cartões digitais, por exemplo, não foram bem-sucedidas. Não obstante, a guerra de baixo nível para remover de circulação o dinheiro em espécie continua.
Quem está forçando a desmonetização? Não são os consumidores. Bem poucas pessoas veem a necessidade de novas tecnologias relativas ao dinheiro... certamente não veem a abolição completa do dinheiro em espécie. Por exemplo, pagar com cartão de crédito em um caixa pode levar um tempo de 25% a 50% maior do que pagar com dinheiro em espécie. As pesquisas mostram que os consumidores gostam de usar dinheiro em espécie em determinadas transações, e não veem razão para sua completa erradicação.
Da mesma forma, a afirmação de que uma sociedade sem dinheiro em espécie tenha mais segurança do que as que empregam o dinheiro físico não tem base em fatos. Roubos e crimes envolvendo dinheiro físico são, na verdade, bastante modestos quando comparados a crimes envolvendo a propriedade física (isto é, carros roubados etc.). Todavia, novas tecnologias voltadas para o dinheiro em espécie continuam a avançar e medidas governamentais contrárias ao uso do dinheiro em espécie continuam a aumentar. Isso é ainda mais intrigante dado o fato de que o uso de sistemas de pagamento eletrônico é bastante dispendioso. Fornecer serviços através desses sistemas de pagamento é geralmente mais caro do que fazer as negociações com dinheiro em espécie.
Logicamente que, como um motivo de lucro imediato não pode explicar o contínuo avanço da desmonetização, deve haver outras razões. Por que as instituições financeiras e os governos continuam a promover os sistemas de pagamento sem dinheiro em espécie embora sejam dispendiosos, no máximo marginalmente lucrativos, e concentrados no capital?
Taxas de juros negativas em depósitos bancários fazem com que as pessoas movimentem parte de seus bens para a “moeda corrente em circulação”
Supostamente, se um sistema financeiro único pudesse ser construído, o qual TODAS as transações fossem forçadas a usar, um enorme “aluguel” poderia ser cobrado. Um sistema assim monopolístico poderia ser enormemente lucrativo, contanto que todos os outros meios de pagamento fossem suprimidos ou banidos. Contudo, para que isso seja feito é necessária uma “conspiração”... um acordo coletivo mundial... para que isso seja feito por outros motivos peculiares. Quais devem ser esses motivos? Apresentamos vários.
1. A ocorrência de taxas de juros negativas em muitos países cria um importante problema para os legisladores, que estão tentando pilotar as economias mundiais. Taxas de juros negativas em depósitos bancários fazem com que as pessoas movimentem parte de seus bens para a “moeda corrente em circulação” (esta sendo dinheiro em espécie). Isso faz sentido uma vez que a pessoa estaria evitando cobranças em sua conta bancária. (Dinheiro guardado em um colchão é mais produtivo do que em um banco que cobra juros negativos.) Com taxas de juros negativas, o dinheiro deixará o sistema bancário. A desmonetização, por outro lado, eliminaria esse “vazamento” dos sistemas monetários. (Alguns bancos na Europa já eliminaram as negociações usando dinheiro em espécie.)
2. Quanto mais todas as transações possam ficar confinadas a um sistema de pagamentos sem dinheiro em espécie, mais os governos são capazes de rastrear o Produto Interno Bruto (atividade econômica). Por sua vez, isto permite a maximização das receitas orçamentárias dos impostos. Incidentalmente, uma tentativa centralizada para atingir esse resultado está agora se desenrolando na Índia. Notas com denominações mais altas (dinheiro de papel) estão sendo removidas de circulação a fim de forçar as transações não documentadas para dentro do sistema bancário e para dentro da economia registrada. Grécia e Portugal (dentre outras nações) recentemente abaixaram o tamanho da transação máxima que usasse dinheiro em espécie.
3. Dada a continuação mundial da crise financeira e a expectativa de que novos e mais ponderosos instrumentos da política monetária serão necessários, um sistema desmonetizado deve estar funcionando, o que dá convenientemente aos legisladores mais opções para “controlarem” as sociedades e as ações humanas.
4. Como muitos estudos mostraram, o dinheiro em espécie é imundo – literalmente. Notas de papel podem estar carregadas de bactérias e cobertas com fungos ou coisas piores. Pode parecer surpreendente que uma grande quantidade de papel moeda esteja contaminada por drogas como a cocaína. Em resumo, alguns defendem a eliminação do dinheiro em espécie simplesmente porque isso seria mais saudável.
Os motivos acima mencionados certamente satisfariam os objetivos de vários legisladores “humanos”. Ao fazerem isso, essas elites globais mostram sua arrogante perspectiva: que eles sabem o que é melhor para a humanidade coletiva e seu futuro. Isso se encaixa como uma luva relativamente às necessidades de um governador único para o mundo, que deseje expressamente enredar os seres humanos e forçá-los a reconhecê-lo como um deus. Esta é a conspiração já em andamento nos dias de hoje.

O Último Economista Financeiro Fracassado

Voltamos à nossa pergunta inicial: como podemos saber que a Bíblia prediz um sistema monetário que não use o dinheiro em espécie? Lemos em Apocalipse 13.15-17: “Foi-lhe [à segunda besta] dado poder... Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome”.
Aqui verificamos que um sistema transacional global estaria funcionando. Ele se aplica a “todos” os povos da terra, não importando sua posição privilegiada, nem seu status econômico ou político. Todos estarão sujeitos a esse novo sistema. Apenas aqueles que receberam a “marca” e adoraram a primeira besta (v. 15) terão permissão para “comprar” e “vender”. Não sabemos qual será a forma da “marca”. Todavia, pode-se deduzir, com validade, que esse sistema transacional proporcionado pela “marca” deverá ser controlado centralmente. Pensando-se de maneira logística, como mais esse sistema poderia ser colocado em funcionamento mundialmente? Não é possível “comprar” e “vender” nada fora desse novo sistema. Deve ser um sistema de pagamentos impossível de ser penetrado e que não pode ser burlado pelo dinheiro em espécie – ou mesmo pelo ouro.
Não existe um mecanismo mais poderoso e possível de controle mundial dos seres humanos do que um sistema financeiro integrado sem uso do dinheiro em espécie.

Profecia por Escolha

Como foi mencionado, a profecia bíblica confirma que um sistema sem dinheiro em espécie será colocado em vigor algum dia. Embora tenha sido profetizado, também é verdade que Deus não força a humanidade a se conformar e realizar o cumprimento de suas profecias. Em outras palavras, a humanidade não desenvolverá uma sociedade sem dinheiro em espécie por obediência à Bíblia. Ao contrário, a humanidade o faz por sua livre vontade e por suas próprias razões. A profecia (com frequência) revela antecipadamente aquilo que a humanidade irá livremente “escolher” fazer no futuro. Contudo, ao mesmo tempo, embora a livre agência (escolha) humana esteja envolvida, tudo o que está profetizado na Bíblia será cumprido. É admissível que a lógica neste caso possa parecer meio enrolada.
É estarrecedor verificarmos que a humanidade irá optar por fazer escolhas não inteligentes – escolhas inexplicáveis –, que não demonstram nenhuma lógica ou bom senso. É como se a humanidade preferisse fazer mal a si mesma, agir em seu detrimento, do que ser obediente a Deus. O salmista faz uma pergunta paralela: “Por que se amotinam as nações e os povos tramam em vão?” (Sl 2.1). “Do seu trono nos céus o Senhor põe-se a rir e caçoa deles” (v. 4).

Próximos Passos para tal Cenário

Essencialmente, para que Apocalipse 13.17 seja cumprido (grosseiramente simplificado), pelo menos quatro coisas precisam acontecer:
1. Deve existir um sistema financeiro globalmente integrado e fechado. Tecnologias comuns e necessárias devem estar em funcionamento. Isso significa que nem ao menos um pequeno banco na cidade de Tupelo, no Mississippi, ou na ilha de Tuvalu, será capaz de realizar qualquer tipo de transação (seja para comprar alimentos ou para vender uma casa) fora desse sistema fechado.
2. Um sistema bancário central deve ser endossado em todos os lugares e coordenado centralmente. Isso deve resultar numa filosofia monetária compartilhada em todo o mundo, que, essencialmente, exerça uma forte influência sobre o mercado e sobre o comportamento humano. Em outras palavras, o mundo inteiro deve concordar em agir de acordo com as mesmas regras e valores, desta forma obedecendo e seguindo as ações dos oficiais do setor monetário (o equivalente a suseranos do dinheiro moderno).
3. Os estatutos legais e as instituições regulatórias que supervisionam as atividades financeiras de países individuais devem ser substituídos por uma autoridade mundial centralizada para que as ações unificadas entrem em vigor e sejam impostas.
4. Finalmente, uma “economia política” global unificada que seja poderosa deve existir (ou na forma de um grupo muito pequeno de países poderosos ou na forma de um único autocrata).
Os passos 1 e 2 já estão amplamente completos. O passo 3 está em andamento. Entretanto, um desenvolvimento posterior nessa direção é difícil. Por quê? Porque países individuais devem primeiramente desistir de uma medida de soberania para que isso ocorra. Eles o farão somente com muita relutância. Contudo, como sabem muito bem os tecnocratas e os estrategistas políticos, não há nada tão eficiente como uma crise para unificar o consenso político ou para provocar mudanças. Citando Milton Friedman (conhecido economista financeiro): “Somente uma crise, real e visível, produz a verdadeira mudança”.
Em tempos de desespero, achando que não têm mais escolhas, as pessoas farão maus negócios, abrindo mão da liberdade e potencialmente sendo mantidas reféns. Um exemplo dessa tendência é apresentado no relato de Gênesis, no Antigo Testamento, a respeito dos sete anos de escassez durante o tempo de José. Em seus estágios posteriores, as pessoas ficaram tão desesperadas que disseram: “Compra-nos, e compra as nossas terras, em troca de trigo, e nós, com as nossas terras, seremos escravos do faraó” (Gn 47.19).
Não devemos achar que os acontecimentos da tribulação serão adiados se os elementos do passo 3 não estiverem completos. Como observamos durante as profundezas da recente crise financeira global, os legisladores repetidamente ignoraram as leis e quebraram as regras. Eles se sentiram justificados ao fazerem isso, dada a gravidade da crise. Uma vez que o Anticristo esteja em cena, tendo recebido a autoridade de 10 reis e o poder do dragão, ele poderá passar por cima de todas as leis e convenções.
Desta forma, os acontecimentos de Apocalipse 13 podem estar muito mais próximos do que comumente se imagina. Os acontecimentos finais da era da igreja e os acontecimentos preparatórios para a tribulação ocorrem “inesperadamente” (Lc 21.34), “de repente” (1Ts 5.3) e em cerca de “uma hora” (Ap 17.12).

Pensamentos para Reflexão

Não existe um mecanismo mais poderoso e possível de controle mundial dos seres humanos do que um sistema financeiro integrado sem uso do dinheiro em espécie. Vemos que a besta prontamente aproveita a oportunidade da inclinação da humanidade para adorar Mamom. Cristo nos admoestou que: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. Portanto eu digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa?” (Mt 6.24-25).
Os controles monetários são colocados em atuação pela submissão e adoração à “força” da primeira besta (sendo esta o Anticristo, que recebe seu poder do dragão). A ameaça de perder o acesso à comida, bebida e roupas leva os adoradores de Mamom a receber a “marca”. Por outro lado, aqueles que rejeitam as súplicas da besta serão os que não se preocupam com sua própria vida, nem com o que irão se alimentar. Eles sabem que a vida é “mais importante que a comida”.
A Bíblia diz que todos aqueles que se recusarem a adorar a primeira besta (“aquele que perseverar até o fim” – Mt 24.13) serão mortos. Essa é a política de um regime tribulacional discriminatório (que dura 42 meses), que busca consolidar a obediência à primeira besta, rejeitando a Deus e ao Cordeiro e a todos aqueles cujos nomes estão no livro da vida. Não obstante, o Senhor tem a palavra final. João, o que recebeu a revelação, nos mostra o resultado final. “Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos” (Ap 20.4).
Aqueles que haviam, por falta de visão, dado sua adoração ao Anticristo também encontrarão um regime discriminatório. Lemos a respeito disso: “Um terceiro anjo os seguiu, dizendo em alta voz: ‘Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber a sua marca na testa ou na mão, também beberá do vinho do furor de Deus que foi derramado sem mistura no cálice da sua ira. Será ainda atormentado com enxofre ardente na presença dos santos anjos e do Cordeiro, e a fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre. Para todos os que adoram a besta e a sua imagem, e para quem recebe a marca do seu nome, não há descanso, dia e noite’” (Ap 14.9-11).

domingo, 27 de janeiro de 2019

Jesus pode subir num pé de goiaba?


Jesus pode subir num pé de goiaba?

Daniel Lima
Reflexão sobre a campanha contra a futura ministra dos Direitos Humanos, a sra. Damares Alves, e o que os cristãos devem aprender e lembrar com isso.
Nas últimas semanas, mesmo após o resultado das eleições presidenciais, vejo um Brasil ainda muito dividido. Há pessoas que têm promovido ainda mais a polarização, tanto de um lado como de outro. O argumento da esquerda é mostrar como o presidente eleito já demonstra que o seu governo será o pior desde, talvez, o início do Brasil República. Já os apoiadores do presidente eleito vibram com cada passo, alegando que cada um comprova o momento ímpar que estamos e vamos viver como nação. É óbvio que temos e devemos ter pontos de vista diversos e conflitantes. Nem estranho muito a vibração a favor ou contra. O que tem me chocado é a hostilidade e a baixeza dos argumentos nesta discussão.
Quero tratar da atual e gritante campanha contra a futura ministra dos Direitos Humanos, a sra. Damares Alves. No entanto, por reconhecer que este tipo de ataque não é prerrogativa da esquerda, quero ao menos mencionar a deplorável campanha contra a deputada Maria do Rosário. Muito embora eu tenha profundas divergências com as opiniões desta personagem política, a exposição de fotos de sua filha menor de idade em condições de abuso de substância e talvez desequilíbrio, além de ser criminoso, não contribui para nenhuma discussão, mas unicamente para acirrar o ódio. Será que quem posta fotos assim acredita que sua família está acima desses dramas? Na verdade, essa técnica de destruir reputações para invalidar posições é tão antiga quanto a política e representa o que há de pior nos relacionamentos humanos. A estratégia é ridicularizar a pessoa que apresenta uma posição contrária para desta forma anular qualquer pretensão de validade em seus argumentos.
No caso da sra. Damares Alves, esse padrão foi seguido à risca. Muito embora todos saibam que a escolha de ministros é prerrogativa do presidente eleito, é natural que muitos discordem da indicação dessa senhora para esse cargo. Mas causa uma certa surpresa o tom das críticas, pois tem-se a impressão de que esta senhora é a primeira pecadora a ser conduzida em um panteão de santos. Infelizmente, pessoas das mais variadas – e às vezes questionáveis – qualificações já ocuparam esses postos sem tanta crítica. É também natural que pessoas queiram veicular sua discordância. O que tem chocado muitos é a hostilidade e mesmo a crueldade dos argumentos.
O ponto principal dos ataques é a declarada fé da futura ministra. No centro da campanha de destruição da reputação está seu relato sobre um momento especial em que, aos 10 anos de idade, após uma experiência de anos de abusos sexuais perpetrados por um membro adulto da família, ela decide tirar a própria vida. De posse de um vidro de veneno, ela sobe em uma goiabeira e, enquanto estava criando coragem para o ato, tem uma visão em que Jesus sobe na goiabeira e a convence a não tirar a própria vida. Essa experiência, nas palavras dela, fez com que ela não só desistisse do suicídio, mas que assumisse uma postura de enfrentamento na vida.
Para a grande maioria dos cristãos, inclusive eu, essa história é, sim, plausível, pois cremos em um Deus que intervém na história. Se ele fez com que um jumento falasse, por que não subir num pé de goiaba? Cremos em um Deus que se fez humano e entrou na história para interagir conosco. É exatamente isso que comemoramos no Natal. Essa é uma história relatada por uma menina abusada e traumatizada quanto ao seu enfrentamento de uma experiência paralisante e deformadora da alma. O mínimo que um leitor honesto teria de admitir é que essa experiência (imaginária ou não) levou esta menina a ressignificar sua experiência de abuso e construir um novo elemento fundamental em sua identidade: seu valor pessoal. Tendo lidado com muita gente que sobreviveu a abusos, minha oração é que todas as crianças abusadas possam passar por experiências que as levem ao mesmo resultado.
Cremos em um Deus que se fez humano e entrou na história para interagir conosco. É exatamente isso que comemoramos no Natal.
Reconhecidamente, há muitos pontos que alguém poderia (não estou convencido de que deveria...) discutir nessa história. Como uma menina conseguiu veneno? Será que ela ia mesmo tomar o veneno? Em sua conversa com Jesus, ela precisava falar o que falou? E, finalmente, era mesmo Jesus? No entanto, todas essas perguntas, embora curiosas, são irrelevantes para um fato crucial da história: uma menina abusada pensa em tirar a própria vida, mas após uma experiência decide que vale a pena viver e enfrentar o abuso. Muito mais relevante do que as perguntas alistadas acima são outras perguntas que se impõem: como a família nunca percebeu o abuso e protegeu a menina? Como um líder religioso consegue justificar ou racionalizar uma prática assim? Como a família ou a comunidade da igreja nunca promoveu um ambiente em que ela pudesse procurar ajuda? Como nós, enquanto sociedade, ainda permitimos que isso ocorra entre nós? O que temos feito como sociedade para que crianças abusadas sejam apoiadas e que abusadores sejam enfrentados e tratados? Curiosamente, essas são as perguntas que a futura ministra se propõe a debater, mas que a mídia não parece tão interessada em discutir; afinal, expor alguém ao ridículo parece trazer maior popularidade.
Há relatos anteriores à sua indicação para o ministério onde ela afirma que “é hora de a igreja governar”. O contexto é inteiramente outro, mas pessoalmente essa afirmação revela um descuido político e uma imprecisão bíblico-teológica. Descuido político, pois, exceto se a sra. Damares realmente crê num governo religioso, qualquer governante deve exercer sua função para todos, religiosos ou não. Muito embora eu tenha convicções cristãos muito claras, não posso forçá-las por força de lei sobre os outros. Esse modelo político e religioso já foi tentado, com resultados muito decepcionantes.
A imprecisão bíblico-teológica dá-se porque um governo da igreja sobre um país não se encaixa em quase nenhuma visão teológica, exceto por uma posição pós-milenista, que acredita que a igreja triunfará até a vinda de Cristo, posição defendida por poucos teólogos hoje em dia. A grande maioria do povo evangélico entende que a função da igreja nesta era é promover o reino até que Cristo retorne. A perspectiva pré-milenista é a de que haverá um período em que Cristo reinará por mil anos na Terra e nós, a igreja, governaremos com ele. Isso, no entanto, só ocorrerá após o período de tribulação e a base do governo na terra não será a autoridade da igreja, mas a autoridade pessoal de Cristo. Uma leitura introdutória excelente nesta área é o livro escrito por Ron Rhodes, A Cronologia do Fim dos Tempos.
Existe também uma acusação de que uma ONG fundada por esta senhora está enfrentando um processo na justiça por sequestro de crianças e outros atentados contra indígenas. Sou leigo no assunto, mas investi algum tempo lendo a respeito. As acusações são de grupos ideológicos e ainda carecem de qualquer comprovação. É evidente, mesmo ao leitor casual, que há um gigantesco conflito de interesses com respeito a como lidar com povos indígenas e, nesse terreno, as ideologias se manifestam de modo hostil, polarizando a discussão. Assim como a ONU parece sempre ser parcial (assunto para outro artigo), as ONGs que militam na causa indígena parecem, em muitos casos, mais comprometidas a validar sua ideologia do que realmente buscar o bem-estar dos índios. Meu contato com vários missionários com anos de atuação junto a comunidades indígenas confirma os relatos da ONG fundada pela futura ministra dos Direitos Humanos. Conheci uma jovem indígena que foi salva do infanticídio e, em contraste, já ouvi pessoalmente antropólogos alegando que não podemos interferir em casos de infanticídio, pois isso seria afetar suas culturas... Pessoalmente, não sei se a sra. Damares fará um bom trabalho no ministério ou não. Parece falar com convicção e sua experiência de vida lhe dá paixão. Percebo em seu discurso alguns exageros com os quais não concordo, mas é definitivamente cedo demais para qualquer parecer conclusivo.
Novamente, importa lembrar que tanto agentes da esquerda como da direita usam o mesmo método de invalidar argumentos: atacando a reputação de quem se posiciona. Na verdade, essa prática é parte do ser humano quando acuado em uma discussão. Lembro-me então de uma passagem que pode nos instruir em nossas discussões. É a palavra do apóstolo Paulo em Efésios 4.31-32:
31Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. 32Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.
O apóstolo está falando a cristãos, mas é curioso o contraste estabelecido. De um lado amargura, indignação, ira, gritaria, calúnia e maldade; do outro bondade, compaixão e perdão. Estas campanhas de destruição da reputação parecem se encaixar integralmente no primeiro verso. De especial interesse são duas palavras selecionadas. A primeira é “gritaria”: a palavra no original trazia um significado de tumulto, de clamores de uma multidão. Não há comunicação nesse contexto, sendo perdida qualquer esperança de compreender ou ser compreendido; aquele que apela para a gritaria deseja apenas sobrepujar o outro pela força da sua voz.
Jesus não evitava confrontações, mas não praticava a blasfêmia.
A segunda palavra de interesse é “calúnia”. No original, é a palavra que dá origem à palavra “blasfêmia” em português. Em geral, tanto no AT como no NT, blasfêmia é dirigida contra Deus. Nesse caso se refere a um falar arrogante e depreciativo de outra pessoa. Ao lembrarmos que toda pessoa (esquerda ou direita, ativista LGBT ou militante neonazista) traz em si a imagem de Deus, temos de concluir que desprezo por pessoas vai em direta oposição ao caráter de Deus. Tiago expressa este conceito com clareza em Tiago 3.9: “Com a língua bendizemos o Senhor e Pai e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus”. Quando atacamos o caráter ou a reputação de uma pessoa estamos ofendendo a Deus de modo muito pessoal.
Em contraste, o verso 32 fala de bondade, compaixão e perdão. Nossa comunicação deveria ser marcada por essas atitudes. Às vezes vejo cristãos atacando pessoas como se eles fossem nossos inimigos. É verdade que muitas vezes eles se declaram dessa maneira, mas a Palavra é clara quando diz que não lutamos com carne ou sangue, mas com poderes espirituais. Isso não nos impede de tomarmos posições, mesmo posições que irritem outras pessoas. Jesus não evitava confrontações, mas não praticava a blasfêmia.
Minha oração é que sejamos exemplos em meio a uma época e uma geração perdida. Que meu falar, teu falar, nosso falar seja ungido num bálsamo de amor. Que nossas discussões evitem a destruição de reputações como estratégia de argumentação. Os que me conhecem sabem que considero fundamental a tomada de posições. Por vezes, confesso, também tenho caído nos ataques pessoais, mas ao olhar a Palavra não só reconheço meu erro como também vejo em minha vida e em nossa sociedade os efeitos de discussões que abandonam o tema e partem para ataques pessoais. Isso não tem nenhuma relação com a promoção do reino.
Quanto à nossa irmã Damares, eu oro para que ela exerça sua função com graça, sabedoria e entendimento muito além das capacidades que ela já tem. Oro para que os direitos dos mais fracos sejam defendidos sem que os mais fortes sejam injustiçados. Oro para que a justiça brilhe mais e mais. E, por fim, ao passar por goiabeiras, abacateiros ou qualquer outro lugar que meu Senhor escolher, quero estar atento, pois gosto muito de me encontrar com meu Senhor Jesus!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

O triste significado atual de "evangélico"


O triste significado atual de “evangélico”

Lothar Gassmann

“Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus...” (1Pedro 4.17)
“Evangélico” era a definição que identificava cristãos fiéis à Bíblia, que levavam a sério a Palavra de Deus no ensino e no viver, sem supressões ou acréscimos. Hoje, porém, o termo infelizmente se tornou inconsistente. Numa época em que seria necessária uma oposição especial ao espírito anticristão da época, muitos evangélicos estão em litígio recíproco, infiltrados, mundanizados, contemporizados, fracos na fé, desanimados e debilitados. As discussões, cisões e escândalos dos últimos tempos são provas suficientes. O único satisfeito com essa situação é o Diabo, ao qual resta “pouco tempo” (Apocalipse 12.12) e espera que o reinado do Anticristo se desenvolva possivelmente sem entraves. Aqui estão alguns exemplos dessa triste situação, que esperamos que seja revertida. Em muitos círculos e comunidades de cristãos encontramos:
  • a substituição de uma postura bíblica consistente por sistemas contrários à Bíblia e afirmações abertas ou adaptadas para, por exemplo, a relativização das doutrinas bíblicas da Criação, igreja e sobre o fim dos tempos;
  • a introdução de enganos do humanismo, feminismo, evolucionismo e outros “ismos”;
  • a relativização ou inobservância de padrões éticos bíblicos, referentes a, por exemplo, concubinato, divórcio com base em mera “desordem”; opiniões, moda e estilo musical mundano;
  • a falta de disciplina na igreja em caso de pecados crassos e falsas doutrinas que destroem a igreja;
  • a ascendência do “eu” (mesmo o “eu piedoso”), com seus “privilégios” em relação à majestade e santidade de Deus;
  • a substituição de verdadeiro discipulado bíblico de confissão de pecados, arrependimento e perdão por métodos de psicologia humanista;
  • a prática da “cultura do entretenimento” nas igrejas com shows, festas e jogos de diversão;
  • a mercantilização do evangelho por meio de eventos agressivos de divulgação de editoras, altos cachês para artistas, além de “pregações de arrecadação” desleais, manipuladas e incisivas;
  • a apresentação de um evangelho de “bem-estar” e de “prosperidade”;
  • a substituição do ensino bíblico por uma “cultura romântica” superficial;
  • o crescente prejuízo do teor bíblico e da profundidade doutrinária em favor de experiências e necessidades humanas em muitos novos hinos cristãos;
  • a crescente omissão com relação a temas bíblicos básicos como “pecado”, “arrependimento”, “cruz”, “seriedade do discipulado”, “inferno” e “perdição eterna”;
  • a antiga ênfase para o amor e “ternura” de Deus em relação à santidade e à seriedade de seu juízo;
  • a substituição do espírito bíblico de confissão e resistência por uma busca errônea de unidade e harmonia;
  • a total falta de ênfase da apologética bíblica (doutrina sobre identificação dos espíritos ou defesa da fé);
  • a crescente abertura para um ecumenismo de denominações (em parte também de religiões), existente inclusive entre alguns líderes evangélicos;
  • a ridicularização de irmãos que desejam se manter firmes aos claros padrões da Escritura Sagrada, rotulando-os de “limitados”, “legalistas” e “antiquados”.
Certamente isso – graças a Deus – não acontece em todas as igrejas “evangélicas”. No entanto, a pergunta deve ser feita: será que os cristãos que “valorizam” uma vida cristã tão pobre e superficial estão aptos a enfrentar o Anticristo e os seus precursores? Temo que não, e por isso mencionarei no próximo texto alguns critérios para uma vida cristã resiliente e preparada para o fim dos tempos.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Natal:Tempo de Felicidade

Natal: Tempo de Felicidade

Norbert Lieth
Por que existe tão pouca felicidade verdadeira em nosso mundo? Afinal, você tem todos os motivos para ser feliz.
Era uma época de guerras. Elas causaram pobreza e enfermidades. Multidões de refugiados inundavam o país. A sangrenta Batalha de Leipzig, em outubro de 1813, trouxe consequências devastadoras para um número incontável de pessoas. No entanto, o casal alemão Johannes e Caroline Falk resolveu enfrentar a calamidade. Eles abrigaram crianças órfãs, essas que seguiam as tropas militares através do país na esperança de conseguirem algo para comer. O casal Falk havia perdido quatro de seus sete filhos, vítimas de tifo. Contudo, apesar de sua própria dor, o casal fundou um orfanato e um amplo trabalho social para jovens. A motivação de seu trabalho altruísta estava em Deus.
Ele interferiu nas suas vidas e abriu-lhes o horizonte da infinita eternidade. Eles foram dominados pelo ilimitado amor que o Deus Pai deseja conceder às pessoas por meio de seu Filho Jesus Cristo. Isso os estimulou.
No ano de 1815, Johannes Falk dedicou um cântico àquelas crianças adotadas e desabrigadas. Hoje ele talvez seja o cântico natalino mais famoso em alemão: “O du fröhliche” [Ó tu feliz (tempo de Natal)].
As palavras escritas pelo apóstolo Paulo poderiam muito bem ser aplicadas à vida e atitude de Johannes e Caroline Falk: “Entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo muitos outros; nada tendo, mas possuindo tudo” (2Coríntios 6.10). Eles superaram todas as dificuldades por meio do amor de Deus.
Por que, afinal, existe tão pouca felicidade verdadeira em nosso mundo, sendo que a maioria, olhando externamente, não parece estar vivendo tão mal? A resposta é basicamente sempre a mesma: porque há carência de um verdadeiro relacionamento com o próprio Deus. “O mundo estava perdido”, escreveu Johannes Falk em seu cântico.
Eles superaram todas as dificuldades por meio do amor de Deus.
O maior inimigo da humanidade é o pecado. Ele é a causa de toda perdição. A culpa que carregamos, o ódio, a inveja, o ressentimento, a violência e todas as demais transgressões são venenos em qualquer relacionamento. O pecado desmonta casamentos, famílias e amizades, dividindo a sociedade. Entre as nações existem guerras e discórdias – motivadas por um egoísmo incontido, por avareza, por orgulho, por todas as ações destrutivas possíveis. O pecado é semelhante a um narcótico que aprisiona e rouba a liberdade e a verdadeira felicidade.
Há tantas pessoas que sofrem por solidão; estão destruídas e desesperadas, apátridas de coração e em fuga. A Palavra de Deus observa corretamente: “Mesmo no riso o coração pode sofrer, e a alegria pode terminar em tristeza” (Provérbios 14.13).
Por isso: “Ó tu feliz, ó tu bendito tempo da graça do Natal! O mundo estava perdido; Cristo nasceu”. Jesus Cristo é a resposta para toda aflição, para o pecado e a morte, para qualquer falta de alegria e paz. Sua vinda traz a grande mudança.
Quando ele chegou ao nosso mundo, foi dito: “Não tenham medo. Estou trazendo boas-novas de grande alegria para vocês, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.10-11). Assim, essa foi a primeira festa de Natal.
Em que consiste a alegria e o contentamento que Jesus traz? A fé cristã já proclama isso há séculos:
Ele, o eterno Filho de Deus, desceu do céu e nasceu em forma humana. Nele Deus veio ao nosso encontro. Ele veio suave e bondoso – como bebê, tornando-se semelhante aos homens em tudo. Ele não veio na forma de um fantasma ou de um ser espiritual místico, mas como verdadeiro homem. Ninguém conhece melhor do que ele a atmosfera das nossas vidas. Ele escolheu uma mãe que ele próprio, sendo o eterno Filho de Deus, havia criado.
Ele veio para nos salvar – não para nos julgar e condenar, pois, se o seu objetivo fosse julgar, ele não precisaria ter assumido a forma humana. O fato é: o Diabo, o inventor do pecado, derrota as pessoas e as aprisiona. No entanto, o homem Jesus venceu o Diabo e nos concede a libertação. Deus se tornou Filho para que nós pudéssemos ser filhos de Deus. O próprio Oleiro transformou-se em barro.
O apóstolo Paulo exclama, admirado: “Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em corpo...” (1Timóteo 3.16). Isso significa: Deus se tornou um ser humano em Jesus Cristo.
Jesus nunca teve, não tem e jamais terá pecado. Ele tomou sobre si o pecado do mundo todo e morreu voluntariamente na cruz. Por quê? Para nos livrar da morte e de sua consequência mais drástica, ou seja, da morte e da perdição, de ficar separado de Deus. Ele ressuscitou dentre os mortos porque a morte não conseguiu segurá-lo, o Inocente. Ele, o perfeito Deus homem ressurreto para a eternidade, retornou ao céu, e está à direita do Deus Pai. E num certo dia ele voltará. O reino que ele estabelecerá será a resposta para tudo o que há de devastador neste mundo. A ressurreição que ele proporciona será a resposta para a morte; a glória eterna que ele traz, a resposta para todo o sofrimento.
Alguém certa vez constatou: “O nascimento de Jesus, o choro de um bebê na manjedoura, talvez seja a mais singular declaração de amor que o mundo jamais havia ouvido. Deus se tornou homem. Esse é o profundo motivo para a nossa alegria natalina em meio a um mundo no qual muitas pessoas, mesmo na véspera do Natal, estão mais propensas a chorar. Deus está aqui! Ele veio por nós! Ele veio por você! Com o nascimento de Jesus, Deus nos faz esta promessa: ‘Eu estou com você!’. Nós nunca teríamos conseguido chegar até ele. Jesus se tornou o caminho que nos leva a Deus”.
A ressurreição que ele proporciona será a resposta para a morte; a glória eterna que ele traz, a resposta para todo o sofrimento.
Com Jesus Cristo vindo em forma humana, Deus diz: “Eu vou até vocês do jeito que o mundo é, não como vocês desejam. Eu vou até a sua situação tal como ela é, não como ela deveria ser. Eu lhe dou perdão e transformação para que você se torne aquilo que você deve ser: meu filho. Eu sou o seu Pai nas suas circunstâncias. Junto a mim você tem paz. Meu céu existe para suprir a sua falta de um lar”.
Aquilo que Deus outrora prometeu ao povo de Israel também pode valer hoje para você pessoalmente. Basta incluir o seu nome: “Cante e alegre-se, ó cidade de Sião! Porque venho fazer de você a minha habitação, declara o Senhor” (Zacarias 2.10).
O nascimento de Jesus é o maior milagre que já aconteceu, e tudo porque Deus quer que você esteja junto dele. Esse é o valor que você tem para ele. Jesus diz: “Asseguro a vocês que aquele que crê [em mim] tem a vida eterna” (João 6.47).
Sua fé em Jesus Cristo o conecta com uma Pessoa que venceu o pecado, a morte e o Diabo por você. Sua fé traz a ressurreição e a vida infinita na glória eterna. Quando você começar a crer nisso e a falar com Deus sobre isso em seu coração, então este se abrirá e Jesus nascerá em seu próprio coração. Você conseguirá se livrar da perdição. Peça isso a ele! – Você tem todos os motivos para ser feliz.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Ser Jovem Significa Enfrentar Lutas!


Ser jovem significa enfrentar lutas!

Daniel Lima
Uma característica do jovem é a energia para lutar e vencer. Na vida espiritual, algo muito semelhante acontece. O cristão que deseja continuar até a maturidade precisa vencer batalhas espirituais. Que batalhas são essas? O que é necessário para vencê-las? Quais são as consequências de não lutar ou de não vencer essas batalhas?
Você deve conhecer alguém assim... a pessoa conhece a Jesus, se emociona, faz uma oração e decide que seguir a Jesus é seu projeto de vida. Após algumas semanas de envolvimento, as primeiras batalhas aparecem. A alegria e emoção da primeira fase já se foram. Fórmulas fáceis não funcionam. Chega finalmente um momento em que ele ou ela tem de tomar uma decisão de continuar seguindo a Jesus ou tomar um desvio. Uns tomam a decisão difícil e após algum tempo atravessam aquela crise vitoriosos. Tornam-se cristãos mais maduros e continuam crescendo, tornando-se eventualmente exemplos para cristãos que também atravessam suas crises. Outros infelizmente optam por atalhos ou desistem. Podem até continuar frequentando a igreja e convivendo com os irmãos, mas perdem o “brilho nos olhos”, desenvolvem o discurso de que já fizeram o suficiente ou de que isso não é para eles. Muitos deixam o convívio com outros cristãos e, se perguntados, afirmam que são ex-evangélicos ou evangélicos não praticantes...
No último artigo, “O normal é crescer!”, tratei das evidências claras na Bíblia que apontam que a vida cristã pressupõe crescimento e não estagnação. Somos redimidos para nos tornarmos cada vez mais semelhantes ao nosso Senhor Jesus. Isso é um processo que ocorre de dentro para fora. Em Gálatas 4.19, o apóstolo Paulo afirma que ele sofre até que “Cristo seja formado em vocês”. No entanto, é nos escritos do apóstolo João que encontramos talvez a melhor descrição do crescimento esperado entre cristãos:
12Filhinhos, eu escrevo a vocês porque os seus pecados foram perdoados, graças ao nome de Jesus. 13Pais, eu escrevo a vocês porque conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu escrevo a vocês porque venceram o Maligno. 14Filhinhos, eu escrevi a vocês porque conhecem o Pai. Pais, eu escrevi a vocês porque conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu escrevi a vocês, porque são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece e vocês venceram o Maligno. (1João 2.12-14)
Já tratamos das características dos “filhinhos”. Hoje, gostaria de tratar das características dos jovens espirituais. É importante observar novamente que a expressão não trata de jovens na idade cronológica, mas jovens em seu crescimento espiritual. Conheço alguns idosos cronologicamente que ainda são bebês espirituais e alguns adolescentes que exercem um cuidado sobre outros que os caracteriza como “pais espirituais”. João indica pelo menos 3 características sobre os jovens espirituais: (1) são fortes, (2) em vocês a Palavra permanece e (3) venceram o Maligno.

Jovens espirituais são fortes

O termo original apenas confirma a ideia de força, capacidade ou mesmo coragem. No entanto, é bem possível que o próprio apóstolo João tivesse em mente outra passagem que trata da questão de força e fraqueza: Romanos 14. Neste texto, em que o apóstolo Paulo discute as tensões entre aqueles que eram mais e menos exigentes quanto aos costumes, fica evidente que os mais intolerantes eram os fracos, provavelmente mais influenciados pelos rituais judaicos. Paulo exorta os mais fracos a não julgarem os mais fortes e exorta os mais fortes a não desprezarem os mais fracos.
Podemos definir o jovem cristão como aquele que tem sua fé baseada em suas próprias convicções e não meramente devido a seus pais ou líderes.
Seguindo esta linha de pensamento, podemos definir o jovem cristão como aquele que tem sua fé baseada em suas próprias convicções e não meramente devido a seus pais ou líderes. Em outras palavras, o jovem espiritual é capaz de permanecer em sua fé mesmo que seus referenciais se desviem! O autor Don Willett destaca que há pelo menos 3 alertas para os fortes: primeiramente, ser forte é ter convicção! No final do verso 5 daquele capítulo lemos: “Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente”. É muito comum ouvir cristãos com anos de experiência, mas sem convicções pessoais. Ou baseiam suas decisões nas convicções de outros ou simplesmente não têm convicções fundamentadas. Com isso, quando são desafiados com posições não cristãs, estes cristãos sucumbem, pois são incapazes de se manter “em pé” com base em seu próprio entendimento.
Em segundo lugar, o forte espiritual é alguém que reconhece que Jesus é seu Senhor. Na verdade, ele ou ela entendem que toda a sua vida tem uma relação direta com o Senhor, e por isso tomam decisões alinhadas com esta perspectiva. O verso 8 de Romanos 14 afirma: “Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor”.
Por fim, o terceiro alerta para o jovem espiritual é que, em última análise, todos nós prestamos contas ao Senhor. É por isso mesmo que nossa fé precisa ser pessoal e não baseada na fé de outros. Ninguém poderá chegar diante de Deus ao final da vida e afirmar que viveu de certa forma pois foi isso que aprendeu de outro... Mais uma vez o capítulo 14 de Romanos, no verso 12, dá claro testemunho desta realidade: “Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”.
O jovem espiritual é então alguém que está desenvolvendo suas próprias convicções, compreende que tudo em sua vida está ligado ao senhorio de Cristo e sabe que no final prestará contas a Deus de suas convicções, e não das ideias ou convicções de outros. Ainda permanece a pergunta sobre como isso ocorre na vida de um cristão? Eu creio que a segunda característica vai responder essa questão.

A Palavra de Deus permanece nos jovens espirituais

Como desenvolver suas próprias convicções e firmar-se nelas para um dia prestar contas a Deus? A resposta é tão simples quanto profunda: firmando-se na Palavra de Deus. Os testemunhos bíblicos sobre a relevância da Palavra para o crescimento espiritual são múltiplos: Salmo 119, João 17.17, 2Timóteo 3.16, entre outros. Sabemos como cristãos que o caminho da maturidade espiritual passa obrigatoriamente por um aprofundamento na Palavra. No entanto, temos sido muito relapsos nesse quesito. Uma investigação rápida revela que a grande maioria dos cristãos nunca leu a Bíblia toda e uma porcentagem enorme simplesmente nunca lê e medita sobre a Bíblia individualmente. Não deve ser surpresa então que tenhamos, de modo geral, um cristianismo tão fraco e irrelevante.
Na carta aos Hebreus, o autor explica de forma bastante clara, em uma exortação, como podemos crescer em nosso discernimento usando a Palavra como base. O texto é Hebreus 5.11-14. Nos primeiros versos (11-13) o autor repreende seus leitores quanto ao fato de ainda serem crianças na fé. No verso 14 ele destaca o que marca um cristão adulto: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Versão Almeida Revista e Atualizada).
Tratando do tema de amadurecimento, o texto afirma que adultos têm suas faculdades exercitadas pela prática. Esta é uma expressão curiosa, mas de compreensão bastante direta. A palavra usada para “faculdades” trata-se de uma expressão muito usada para o órgão de percepção, sendo possível inferir daí que se trata do próprio intelecto e da capacidade de julgamento ou avaliação. Portanto, aquele cristão que se aplica a compreender a vontade do Senhor tem sua capacidade de entendimento e julgamento exercitada, fortalecida. E, portanto, é capaz de discernir o bem e o mal. Resta saber como exercitar esta capacidade.
Pelo menos duas outras passagens nos orientam nisso: Atos 17.11: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo”. Repare que o que tornava os bereanos mais nobres era o fato de que comparavam o que estavam ouvindo com as Escrituras. A segunda passagem é 2Timóteo 3.16-17:
16Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, 17para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.
Ao descrever o propósito das Escrituras, Paulo nos indica que, ao investigar a própria Bíblia, somos ensinados, repreendidos, corrigidos e instruídos.
Espiritualmente falando, o jovem é aquele que enfrenta aquilo (ou aquele) que se opõe a Deus, pois seu alvo é tornar-se mais e mais como Jesus.
O jovem espiritual então é alguém que, além de ter suas próprias convicções, tem se exercitado em compreender e aplicar a Palavra às mais variadas situações da vida. Com isso, ele ou ela desenvolvem uma capacidade de discernimento, a fim de fazerem escolhas sábias. Em termos gerais, não é isso que se espera de jovens? Esperamos que jovens, baseando-se na verdade, aprendam a tomar decisões sábias.

Jovens espirituais vencem o Maligno

Além de terem suas próprias convicções a partir de um envolvimento com a Palavra, o apóstolo João descreve o jovem espiritual como alguém que tem vencido o Maligno. Existe um debate se este Maligno se refere a Satanás ou apenas ao mal como tudo o que é contrário ao bem. Na prática, ambas posições chegam ao mesmo ponto: um jovem, espiritualmente falando, é aquele que enfrenta aquilo (ou aquele) que se opõe a Deus, pois seu alvo é tornar-se mais e mais como Jesus.
Ao desenvolver suas próprias convicções, o cristão passa a vivê-las em seu dia a dia. Com isso, precisa tomar muitas decisões e fazer sacrifícios pessoais. No entanto, conhecemos muitos cristãos – e nós mesmo passamos por isso – que enfrentam uma tremenda luta para viver de acordo com suas convicções. O próprio apóstolo Paulo descrevia de maneira muito vívida sua luta ao afirmar: “Quando quero fazer o bem, o mal está junto de mim” (Romanos 7.21b). Essa tensão representa a essência da batalha espiritual. Ao invés de encontros estrondosos e ruidosos, com maior frequência a verdadeira batalha espiritual ocorre no coração do cristão.
É na segunda carta aos Coríntios que o apóstolo Paulo descreve esse conflito e nos ajuda a compreender de que modo o cristão pode vencer o Maligno.
3Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. 4As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. 5Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. (2Coríntios 10.3-5)
A expressão “fortaleza” refere-se aos acampamentos fortificados que os romanos usavam para controlar toda uma região. Estes postos avançados em terras inimigas permitiam aos romanos manter o controle, muito embora não estivessem em todo lugar. O Diabo nos mantém escravos da mesma forma, muito embora ele não tenha direito sobre nossa vida uma vez que nascemos de novo. Esse controle é mantido por meio de mentiras, nas quais acreditamos. Por meio delas ele nos mantém prisioneiros. Cada vez que decidimos tomar um passo por Jesus, essas mentiras entram em ação e nos paralisam ou nos levam em outra direção.
Como então combater essas fortalezas? O próprio apóstolo Paulo nos dá a resposta no verso 5: (1) destruindo argumentos, (2) destruindo toda pretensão e (3) levando todo pensamento cativo a Cristo. A palavra usada para “argumentos” no original é sofisma, que significa uma mentira tão bem elaborada que aparenta ser verdade. Não existem dois modos de combater uma mentira. O único modo é contando a verdade. Isso nos remete às palavras da oração sacerdotal de Cristo em João 17.17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Quando o cristão identifica em sua vida uma mentira que tem poder de verdade, ele precisa confrontar esta mentira com a verdade. Por exemplo: se, em seu coração, um cristão acredita que só terá valor se for bem-sucedido profissionalmente, ele precisa confrontar esta poderosa mentira com a verdade que nosso valor está no fato de quem somos em Cristo. Se uma cristã acredita que para sobreviver tem de ser amada por todos, ela precisa passar a crer que é amada por Deus e que isso é suficiente. Assim se destrói sofismas.
A segunda postura é destruir ou confrontar a pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus. Na verdade, pretensão humana é nossa característica de viver como se soubéssemos mais do que Deus. Ele nos ensina o perdão, mas por vezes cremos que algumas coisas são melhor resolvidas com amargura. Ele nos ensina a graça, mas continuamos a buscar o merecimento. Destruímos a pretensão por meio da humildade ou do quebrantamento. Quando eu, como cristão, confronto a mim mesmo naquilo que nega ou desafia a Deus, estou no caminho de destruir a pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus.
Não existem dois modos de combater uma mentira. O único modo é contando a verdade.
Por fim, a terceira maneira de combatermos o Maligno é levando todo pensamento cativo a Cristo. Ou seja, quando meus pensamentos começam a correr em direções que eu sei que são contrárias à vontade de Deus, eu combato e venço o inimigo aos trazer novamente meus pensamentos em obediência a Cristo. Certamente esta não é uma decisão única ou um só ato. Precisamos cultivar em nossa mente o conceito de levar cada pensamento à presença de Cristo e submetê-lo à sua aprovação.

Conclusão

O jovem espiritual é então aquele que busca a Palavra como seu fundamento, desenvolve suas próprias convicções e confronta seu próprio coração ou pensamentos com a verdade de Cristo. É óbvio que este é um processo longo e às vezes cansativo. No entanto, essa etapa faz parte essencial de amadurecer em Cristo. Minha oração é que tanto você como eu estejamos praticando estes passos do jovem espiritual, pois mesmo após se tornar um pai espiritual, certas práticas devem ser cultivadas para que possamos continuar crescendo em direção à semelhança de Cristo.